

“Se te pareço ausente, não creias:
hora a hora minha dor agarra-se aos teus braços,
hora a hora meu desejo revolve teus escombros,
e escorrem dos meus olhos mais promessas.
Não acredites nesse breve sono;
não dês valor maior ao meu silêncio;
e se leres recados numa folha branca,
não creias também: é preciso encostar
teus lábios nos meus lábios para ouvir.
Nem acredite se pensas que te falo:
palavras
são meu jeito mais secreto de calar.”
Palavras | Lya Luft (Mulher no palco)
Novo…
Primeiro azul do ano…

“Para compor um tratado sobre passarinhos
É preciso por primeiro que haja um rio com árvores e palmeiras nas margens.
E dentro dos quintais das casas que haja pelo menos goiabeiras.
E que haja por perto brejos e iguarias de brejos.
É preciso que haja insetos para os passarinhos.
Insetos de pau sobretudo que são os mais palatáveis.
A presença de libélulas seria uma boa.
O azul é muito importante na vida dos passarinhos
Porque os passarinhos precisam antes de belos ser eternos.
Eternos que nem uma fuga de Bach.”
Palavras | Manoel de Barros (Tratado geral das grandezas do ínfimo)
Another intensity

“Here and there does not matter
We must be still and still moving
Into another intensity
For a further union, a deeper communion
Through the dark cold and the empty desolation,
The wave cry, the wind cry, the vast waters
Of the petrel and the porpoise. In my end is my beginning.”
Words | T.S.Eliot (Four Quartets, East Coker)
Pedi…

“preparei uma festa no coração
as veias penduradas como
gambiarras corpo fora
pedi que viesses esperei que viesses
mas a alegria que inventei era só um
modo de ir embora”
Palavras | Valter Hugo Mãe (Publicação da mortalidade)
Fotografar palavras #2025

“Devia haver sempre um cofre dentro de nós cheio de purpurinas.
Assim a nossa alma tinha sempre festa e os castelos não eram feitos de sonhos.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Rute Violante
Foto| Ana Gilbert
Alma

Alma, essa manifestação intangível de que preciso para viver.
Da saudade

Asas
Voo

É preciso secar as asas para voar.
Fotografar palavras #1941

“Como se a sua mente fosse um quarto percorrido por correntes de ar invisíveis, que provocam reacções e têm consequências, que agitam, mas são simples movimentações de ar; fluxos de ar; oscilações de ar.”
Fotografar palavras
Projeto e texto | Paulo Kellerman
Foto | Ana Gilbert

Ando em busca dos fragmentos de mim como naqueles quebra-cabeças de infinitas peças.
Fotografar palavras #1885

“Quando tocas o corpo, sentes a alma?”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Ana Gilbert
Foto | Carla de Sousa
Fotografar palavras #1860

“Ela despiu a alma.
Sentiu a dor e o desconforto que existem na felicidade de ser genuína.”
Fotografar palavras #1803

Almas Desligadas, Leiria
Almas Desligadas | Exposição
Curadoria | Silvia Bernardino
Textos: Paulo Kellerman
Fotos | Ana Gilbert
Moinho do Papel | Leiria, Portugal

Onde fica este lugar em mim quando me perco dele, simplesmente se desvanece ou continua a existir em segredo nesse nada, nesse mundo?
Fotografar palavras #1717

“Escuto o suave sussurro da respiração do meu corpo. Mas será que a minha alma também está a respirar? Como perceber se está viva, se não ouço nem sinto a sua respiração? Se não a sinto pulsar, se não sinto o bater do seu coração? Como saber o que faz respirar a alma?”
Fotografar palavras
Projeto e texto | Paulo Kellerman
Foto | Ana Gilbert


