Por vezes, o medo é maior do que tudo e estilhaça os pedaços do dia,
é a chance que tem de inventar novos desenhos.
Por vezes, o medo é maior do que tudo e estilhaça os pedaços do dia,
é a chance que tem de inventar novos desenhos.

“É sabido que nas horas incertas os fios da imaginação tecem mantos que embrulham o coração no medo e que o medo, por espiralados enigmas que regem o universo infinito dos pensamentos, ganha voz e fala como gente.”
[It is known that in uncertain hours the threads of imagination weave cloaks that wrap the heart in fear and that fear, through spiraling enigmas that govern the infinite universe of thoughts, gains voice and speaks like people.]
Texto | Text: Joana M. Lopes
Fotografia | Photography: Ana Gilbert
Fotografar palavras, o projeto bonito do Paulo Kellerman. A nossa casa criativa.

“Dá-me a mão quando já não souber o caminho.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Nuno Pinto Bastos
Foto | Ana Gilbert



Revista Mapas do Confinamento
Uma publicação em fascículos que reúne todos os trabalhos publicados no projeto Mapas do Confinamento
Neste terceiro fascículo, participo com texto e fotos.
Disponível para leitura aqui
O projeto MAPAS DO CONFINAMENTO é “um projeto trilingue que une os falantes de português com o intuito de desenhar uma cartografia do confinamento através da arte e da cultura.
Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé, Timor Leste e Diásporas de expressão portuguesa – Bélgica, França, Países Baixos, Reino Unido – são estes os “Mapas do Confinamento” que quase cem artistas, escritora .es, fotógrafa .os, ilustradora .es, poetas, tradutora .es – de todas as origens e sotaques – estão a construir coletivamente em português (mas traduzidos para francês e inglês porque o mundo também é feito de outros idiomas) como forma de assinalar este momento marcante da nossa História.”
Participo com um CONTO e um ENSAIO FOTOGRÁFICO .
NÓS (conto)

Não sei o teu nome, nunca tive coragem de perguntar. Mas somos vizinhas. De vida. Habitamos a mesma pele, ainda que muitos metros de tecido esgarçado nos separem. Não sei onde estás; passo pelos lugares de costume e vejo somente a tua ausência. Em que calçada te sentas agora?
Continue a ler clicando no link.
A SOMBRA DOS DIAS (ensaio fotográfico)
Fotografo a sombra dos dias para ter a certeza de que eles passam.

ensaio completo disponível aqui

“O gesto aquieta o medo.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Ana Gilbert
Foto | Frankie Boy

“eu tenho medo de abrir a porta que dá pro sertão da minha solidão “
Belchior (Pequeno mapa do tempo)

“O gesto aquieta o medo.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Ana Gilbert
Foto | Teresa Bret Afonso

“Como são os teus medos? Quanto medem? Têm cores? São diários ou intermitentes? Duram muito ou pouco tempo? A que sabem? São partilhados ou enterrados?“
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Vitor Vieira
Foto | Ana Gilbert

“Hoje caminhamos de mão dada sem medo de nos perdermos. Ambos sabemos que foram os caminhos sem saída que nos juntaram…”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Liliana Silva
Foto | Ana Gilbert

O gesto aquieta o medo.

“A questão é que, mesmo quando a vida eventualmente voltar ao normal, não será mais o mesmo normal que conhecíamos antes do surto: coisas com as quais nos acostumamos como parte da vida cotidiana não serão mais dadas como certas, teremos de aprender a viver uma vida muito mais frágil, repleta de ameaças constantes. Será preciso mudar completamente nossa postura diante da vida, diante da nossa existência como seres humanos convivendo com outras formas de vida.”
Slavoj Zizek (Pandemia – Covid-19 e a reinvenção do comunismo)
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#vaificartudobem?
“Disseram-me, há uns anos, algo que nunca mais esqueci. Uma amiga vivia um período particularmente difícil que incluía o fim de uma relação, a perda do emprego e a morte dos pais; tentava apoiá-la no que podia e ia repetindo algumas banalidades em que genuinamente acreditava: que as coisas haveriam de melhorar, que tudo acabaria por se compor e correr bem.
Num esforço para contrariar o pessimismo depressivo e catastrofista que lhe corroía os dias, fui mantendo a minha postura de esperança e positivismo. Até que um dia ela me disse aquilo que nunca mais esqueci: «O teu optimismo até mete nojo.»
Muitos meses passaram e a vida compôs-se. Mas fiquei a perguntar-me se o excesso de optimismo poderia, afinal, incomodar. E hoje acho que sim, que pode: quando se trata de uma atitude acéfala e irracional, próxima da fé cega; quando é manifestado de maneira rotineira e distraída, automática, sem atenção nem convicção; quando serve apenas para iludir e pacificar a consciência, para demonstrar um cuidado momentâneo pouco sincero.
Tal como quando perguntamos se está tudo bem ao vizinho que encontramos no elevador; é uma forma de cortesia, uma simpatia social; mas na maioria das vezes não nos interessa realmente a resposta. E se por acaso o vizinho respondesse: «Não, está tudo mal, só me apetece morrer…»? Diríamos com grande atrapalhação: «Pois, pois…»; e aguardaríamos que a porta do elevador abrisse, decididos a começar a usar as escadas com mais frequência.
Certamente que o nosso optimismo é bem-intencionado e generoso. Mas será consequente? Será realista? Neste tempo atroz e desconcertante que vivemos vamos repetindo dezenas de vezes por dia que vai ficar tudo bem. Dizemo-lo a nós próprios e a todas as pessoas com quem nos cruzamos; escrevemo-lo em múltiplas publicações que fazemos nas redes sociais; e até o desenhamos com letras bonitas em folhas de papel que colamos nas janelas.
É um optimismo positivo e simbólico, uma forma de aproximação e de união; a exteriorização de um desejo e de uma crença, uma tomada de posição metafórica. E sentimo-nos bem por o fazer. Mas será que vai mesmo ficar tudo bem? Alguma vez pensamos nisso? Porque se pensarmos, teremos de concluir que não.
Não vai ficar bem para as pessoas que morrem; não vai ficar bem para os familiares e amigos das pessoas que morrem (e das quais nem se podem despedir); não vai ficar bem para as pessoas que perdem o emprego ou os seus negócios; não vai ficar bem para quem tem de lutar com dificuldades económicas, com incertezas e medos, com depressões e desesperos; não vai ficar bem para o vizinho que tem vontade de dizer «Está tudo mal, só me apetece morrer…» mas que se mantém em silêncio.
Todos queremos que fique tudo bem para toda a gente. Todos queremos tranquilizar quem nos rodeia, dizendo-lhes que vai ficar tudo bem. Todos queremos que nos tranquilizem, dizendo-nos que vai ficar tudo bem. Todos somos optimistas. Todos corremos o risco de começar a meter nojo.”
Paulo Kellerman (Crônica para o Jornal de Leiria)
Artists reflecting on coronavirus crisis.

“Não penses no futuro, que ainda há tanto presente pela frente.”
Fotografar palavras
Projeto e texto | Paulo Kellerman
Foto | Ana Gilbert
(é tão assim…)


“Agora, está barricado numa dor que serve apenas para lhe lembrar de onde veio.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Mónia Camacho
Foto| Ana Gilbert

“A vida acontece depois do medo.” (anônimo)

“Até onde nos pode levar o nosso olhar, se o seguirmos sem medo?”
Projeto e texto | Paulo Kellerman
Foto: Ana Gilbert

Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Ana Gilbert
Foto | Chico Vilaça

Dizem que à noite o bicho vem
E vem.
Abre sua larga garganta e me expulsa do sono
Faz-me rondar pela noite insone,
palpitar angústia aguda
Encharca a cama com cheiro de morte
E os meus olhos vivos
enxergam finitude
Dizem que à noite o bicho vem
E vem.
Mas
às vezes
apenas se deita ao meu lado
e chora
por ser tão bicho assim.
Palavras: Lorena Richter