Fotografar palavras #3689

E se o tempo for como um corredor?
Estou aqui e olho lá para o fundo. Avanço. Tenho pressa, mas não quero chegar. Hesito. Ou quero chegar, mas não tenho pressa. Hesito. Preocupa-me que o tempo se esgote.
Quando chegar lá ao fundo, terminará a viagem. O tempo.
Porque tudo o que tenho é este corredor. Este tempo.
Mas.
E se quando chegar lá ao fundo, regressar aqui?
Poderia navegar no corredor, daqui para lá e de lá para aqui. Não estaria a ultrapassar os limites do espaço (tempo), mas apenas a gerir o tempo (espaço) que tenho.
E se.

What if time is like a hallway?
I’m here and I’m looking at the end of the hallway. I come forward. I’m in a hurry, but I don’t want to arrive. I hesitate. Or I want to arrive, but I’m in no hurry. I hesitate. I worry that time is running out.
When I reach the end, the journey will be over. Time will be over. Because all I have is this hallway. This time.
But.
What if when I get to the end, I come back here?
I could navigate down the hallway, from here to there and from there to here. I would not be going beyond the limits of space (time), but just managing the time (space) that I have.
What if.

Fotografar palavras

Texto: Paulo Kellerman

Que coisas?

Que coisas tenho eu que sejam só minhas, que não sejam arrancadas de mim pelas tuas perguntas, pelas tuas dúvidas, pelos teus anseios?

Convulsão

“Ao sinal invisível, os homens começam a disparar. Descarregam as armas, como uma ejaculação coletiva, fruto de um gozo inominável. Uma nuvem de pássaros tinge o azul do céu com gritos vermelhos. As pessoas vão caindo, flor a flor.”

[excerto do conto Convulsão, em A respiração do tempo]

Uma edição Minimalista

Fotografar palavras #3569

“Quando chegaste…
Principiou a alegria das manhãs. Dos sons banais, a composição da mais harmoniosa melodia, que ainda hoje, não me canso de escutar. Na paisagem repetida, a descoberta da beleza, no ínfimo que o olhar conseguia distinguir. Sem ensaios, as palavras num poema. O silêncio a deixar-nos respirar, proferindo o que não precisávamos de dizer. O tempo a esquecer a pressa. A permissão da serenidade existir, na cumplicidade das mãos, que seguravam sem prender…”

[When you arrived…
The morning joy began. From banal sounds, the composition of the most harmonious melody, which even today, I do not get tired of listening. In the repeated landscape, the discovery of beauty, in the smallest which the eye could distinguish. No rehearsals, the words in a poem. The silence letting us breathe, saying what we did not need to say. Time forgetting rush. The permission of serenity to exist, in the complicity of hands, which held without imprisoning…]

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photo: Ana Gilbert

FOTOGRAFAR PALAVRAS

Coordenador do projeto | Project coordinator: Paulo Kellerman

Reality

One does not run away: one imagines or dreams that runs away. And sometimes what one imagines or dreams almost seems like reality.”

Words | Paulo Kellerman

Canto visivo

“…questo canto visivo
è di chi crede
…”

[this visual song
belongs to those who believe
]

Barrio Gotico (Corde Oblique)

Fotografar palavras # 3468

Será que o tempo apenas existe para que possamos ordenar a memória dos prazeres?

[Could it be that time only exists for organizing the memories of pleasure?]

fotos minhas para o texto do Paulo Kellerman

O projeto FOTOGRAFAR PALAVRAS completou seis anos de vida, graças ao esforço bonito e generoso do Paulo Kellerman para juntar pessoas, talentos e afetos.

Como funciona o projeto?
Os escritores enviam excertos dos seus textos e os fotógrafos desdobram as palavras para encontrar uma (ou mais de uma) imagem. Coagulam a imagem em fotografia. A cumplicidade palavra/imagem é publicada aqui:

Todos nós, fotógrafos e escritores, formamos uma rede com o compromisso de manter acesa a chama do projeto, para levar uma dose diária de arte a quem estiver disponível para ser tocado pelas imagens e pelas palavras.

São 3469 publicações até hoje. E a partir da publicação #3462, o blog se tornou bilíngue (português/inglês).

Visitem, deixem-se afetar!