continuas aí

“continuas aí
uma fotografia em contínua revelação
maravilho-me quando emerges
líquida resplendecendo sob o vermelho
da câmara escura
estás aqui nas minhas mãos
toco-te acaricio-te
sinto as propriedades de quem vem
do fundo das entranhas de ser
és existes já
imprimindo tacto a toda a extensão
da pele o corpo move-se
numa autêntica nova forma.”

Palavras | Helder Magalhães (Nunca estiveste aqui, Edições Húmus, 2020)

Vermelho

Vermelho-sangue, vermelho-vida, vermelho-alma, vermelho-irmandade, vermelho-encontro, vermelho-gente… aqui, lá, em qualquer lugar…

Diálogos narrativos

Colaboração com Paulo Kellerman

“E então senti uma dor tão visceral, tão imensa, tão desconcertante, que a única coisa que consegui fazer para lhe fugir foi esmurrar o meu reflexo no espelho, uma e outra vez, com ambas as mãos, com toda a força que possuía, tentando desesperadamente que a dor física suplantasse por um segundo (bastaria um segundo) a outra dor que se apoderara de mim, tentando desesperadamente que a dor física me distraísse da dor da perda e da impotência, da dor do desespero, da dor do ódio. Fui esmurrando o meu reflexo no espelho, fui esmurrando-me.”

Almas Desligadas | com Paulo Kellerman

Relevos

Auto-retrato 162 1

“O que sentirá o meu corpo com o teu abraço, depois de ter sido tocado pelo teu olhar?”

Texto e foto | Ana Gilbert