
É ao fim do dia que o mar sente mais saudades de casa.

É ao fim do dia que o mar sente mais saudades de casa.

SUTILEZAS DO OLHAR | 9
Nove anos do blog.
Por vezes, pergunto-me se um blog ainda faz sentido. Nesses momentos, é como se fosse apenas uma voz perdida no vazio de um tempo de excessos que me é estranho. Contudo, a resposta que encontro dentro de mim ainda é um sim.
Um sim ao tempo lento da contemplação que parece tão obsoleta. Sim ao amor pelas palavras e pelas imagens. Pelas palavras-imagens. Um sim às pessoas; à crença inabalável de que é e será sempre a relação que nos sustentará a humanidade.
Obrigada às pessoas que por aqui passam e deixam um tanto de si: olhares, comentários, curtidas, silêncios, respiração. Humanidade. Sem vocês, seria mais difícil.
“ Um corpo que não é visto desaparece?”
Georges Didi-Huberman
…..
Nine years of the blog.
Sometimes, I wonder whether a blog still makes sense. In those moments, it feels as though it were merely a voice lost in the void of an age of excesses that feels foreign to me. Yet the answer I find within myself is still yes.
Yes to the slow pace of contemplation, which seems so obsolete. Yes to a love of words and images. Of word-images. Yes to people; to the unshakable belief that it is, and always will be, human connection that sustains our humanity.
Thank you to those who pass through here and leave a little of themselves behind: their gaze, their comments, their likes, their silences, their breath. Humanity. Without you, it would be harder.
“Does a body that is not seen disappear?”
Georges Didi-Huberman


Fugir à solidão é solitário.

Text(o): Paulo Kellerman

Tenho saudades de sonhar. Tenho saudades da leveza. Tenho saudades da banalidade.

o escuro não se aligeira sob o alçapão
a casa é um alvo o meu predador entra
nunca diz
Valter Hugo Mãe (publicação da mortalidade)

Na noturna claridade
me esqueci
que nunca havias nascido.
Mia Couto [poemas escolhidos]

Rede social: onde o peixe é capturado sem perceber que está a ser capturado porque sempre achou que pertencer a um cardume o protegia. Glu glu glu. O peixe devia aprender com a ovelha: fazer parte do rebanho é apenas uma garantia de que será tosquiada; várias vezes. Méééé.
Shearing the Fish
Social network: where the fish is caught without realizing it is being caught, because it always believed that belonging to a school would protect it. Glu glu glu. The fish should learn from the sheep: being part of the flock is merely a guarantee that it will be shorn — repeatedly. Baaaa.


O primeiro dever de uma mulher escritora é matar o anjo do lar.
Virgínia Woolf

E se fossem os sentimentos a escolherem as pessoas, tal como as pessoas escolhem as casas onde querem viver?
E se as pessoas fossem, afinal, simples casas onde os sentimentos podem habitar?
What if feelings chose people, just as people choose the houses they want to live in?
What if people were, after all, simply houses where feelings could dwell?
Portable Link, projeto com Paulo Kellerman. Um diálogo entre literatura e fotografia, entre imagem e palavra.

Respiras devagarinho, não te moves; e o tempo passa por ti, esvai-se, indiferente aos ruídos, aos soluços do mundo. Estamos sós, juntos por um momento que não vai durar o suficiente.
Paulo Kellerman (excerto do conto Morreste: e ainda não sabes)
O livro GASTAR PALAVRAS completa 20 anos de beleza.

What if the body heard everything the imagination thinks and creates? What if the body fulfilled everything that… Ah, what if…
Paulo Kellerman & Ana Gilbert | Portable link

A tua ausência tornou-te mais real, mais autêntica. Percebes isto?
Text(o): Paulo Kellerman

Crescer nos acentos perpétuas cobras d’água e logo a seguir
para que o ciúme não te adelgace
Pela cauda desengomo-te virgulados alguns actos
entre uma mornura de focinhos islandeses
{rafeiras arfadas}
e o inteira me prumares recatada.
Tibar-nos, como se tiba a latina linguagem, julgo branco e impossível.
Texto da Ana Sofia Elias e foto minha
[do nosso baú imaginado de imagens e palavras ardentes]

Texto do Jorge VAz Dias sobre AISHA, no Jornal de Leiria.
Obrigada, poeta, por mais esta vida de Aisha.
AISHA, colaboração com Paulo Kellerman | Portable Link

I look like a Barbie
but feel like a poet.
Ana Sofia Elias (Uca, 2024)
[Uca é viagem demorada, sem volta. Desdobra-nos pelo caminho e já não conseguimos refazer o origami que um dia fomos]

















Exposição VARAL FOTOGRÁFICO, com fotografias dos projetos AISHA (com Paulo Kellerman) e LATITUDES (com Cristina Vicente). Na Casa da Lídia, que tem a esplanada mais verde da cidade | Leiria

The beauty we see day after day acts like dust that accumulates in our eyes and makes our gaze more focused on what really matters. The more we look, the greater the accumulation of dust; and that makes our gaze blind to everything that isn’t beauty.
We unlearn the banal. We unlearn the ugly.
We become blind.
Text: Paulo Kellerman

“O passado é como o mar: nunca sossega.”
José Eduardo Agualusa (Manual Prático de Levitação)







Ontem foi bonito. Obrigada a quem veio à Casa da Lídia, em Leiria, e a quem esteve presente em intenção.
Apresentação de LATITUDES, com a Cristina Vicente e inauguração da exposição Varal / Estendal Fotográfico com fotos dos projetos AISHA, com o Paulo Kellerman, e LATITUDES.
fotos: Silvia Bernardino