Fotografar palavras #3834

Dizes que o teu corpo sonha,
Que os teus dedos sonham
A tua pele,
Os teus lábios.

Dizes que o teu coração sonha.

E os teus olhos.
Dizes que os teus olhos sonham tanto,
Mas tanto,
Mesmo quando estão fechados.
Especialmente quando estão fechados.

Como sangue,
Dizes tu.

Sorris e explicas
Que o teu corpo está repleto de multidões de sonhos
Entranhados nas tuas células.
Do lado de dentro das células.
Na alma de cada uma das células.

Sorris
E explicas que são esses sonhos que te dão vida.
Como se fossem sangue.

Um fluxo permanente e imparável
De sonhos.

Gostava de te fazer uma pergunta:

Se o teu corpo tem em si todos esses sonhos,
Porque não os sinto quando me beijas?

Apenas me dás saliva.
Não sinto sangue
Nem sonhos.


[You say your body dreams,
your fingers dream
Your skin,
Your lips.

You say your heart dreams.

And your eyes.
You say your eyes dream so much.
But so much,
Even when they are closed.
Especially when they are closed.

Like blood,
You say.

You smile and explain
That your body is full of multitudes of dreams
Ingrained in your cells.
Inside the cells.
In the soul of each of the cells.

You smile
And explain that those dreams are what give you life.
As if they were blood.

A permanent and unstoppable flow
Of dreams.
I would like to ask you a question:

If your body has all those dreams in it,
Why can’t I feel them when you kiss me?

You just give me saliva.
I do not feel blood
Nor dreams.]

Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: Ana Gilbert

Fotografar palavras

Cumplicidade bonita entre palavra e imagem, entre literatura e fotografia, entre escritores e fotógrafos. Dose diária de poesia, desde 2016.

Fotografar palavras #3768

É sabido que nas horas incertas os fios da imaginação tecem mantos que embrulham o coração no medo e que o medo, por espiralados enigmas que regem o universo infinito dos pensamentos, ganha voz e fala como gente.”

[It is known that in uncertain hours the threads of imagination weave cloaks that wrap the heart in fear and that fear, through spiraling enigmas that govern the infinite universe of thoughts, gains voice and speaks like people.]

Texto | Text: Joana M. Lopes
Fotografia | Photography: Ana Gilbert

Fotografar palavras, o projeto bonito do Paulo Kellerman. A nossa casa criativa.

Fotografar palavras #3689

E se o tempo for como um corredor?
Estou aqui e olho lá para o fundo. Avanço. Tenho pressa, mas não quero chegar. Hesito. Ou quero chegar, mas não tenho pressa. Hesito. Preocupa-me que o tempo se esgote.
Quando chegar lá ao fundo, terminará a viagem. O tempo.
Porque tudo o que tenho é este corredor. Este tempo.
Mas.
E se quando chegar lá ao fundo, regressar aqui?
Poderia navegar no corredor, daqui para lá e de lá para aqui. Não estaria a ultrapassar os limites do espaço (tempo), mas apenas a gerir o tempo (espaço) que tenho.
E se.

What if time is like a hallway?
I’m here and I’m looking at the end of the hallway. I come forward. I’m in a hurry, but I don’t want to arrive. I hesitate. Or I want to arrive, but I’m in no hurry. I hesitate. I worry that time is running out.
When I reach the end, the journey will be over. Time will be over. Because all I have is this hallway. This time.
But.
What if when I get to the end, I come back here?
I could navigate down the hallway, from here to there and from there to here. I would not be going beyond the limits of space (time), but just managing the time (space) that I have.
What if.

Fotografar palavras

Texto: Paulo Kellerman

Fotografar palavras #3677

“Quantas vezes se pode remendar o amor?”

[How many times can love be mended?]

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photo: Ana Gilbert

Fotografar palavras é um projeto bonito, criado em 2016 e coordenado pelo amigo Paulo Kellerman.

Originalmente em português e agora bilíngue, reúne fotógrafos e escritores de mais de 20 países em torno de uma paixão comum: a cumplicidade entre palavras e imagens.
Espaço de criatividade e afetos, o blog renova-se a cada dia pelo esforço de todos nós, colaboradores e leitores, que precisamos de arte para viver.

Leituras

Duas leituras fotográficas do Frankie Boy para excertos do meu livro de contos A Respiração do Tempo.

Onde se esconde o choro?
A luz rasga a sala em mim.

A RESPIRAÇÃO DO TEMPO, uma publicação Minimalista

XXXIX

XXXIX

Não sei o que prefiro:
Se o beijo
Ou aqueles três segundos que antecedem o beijo.

Aqueles três segundos em que tudo é certeza
E desejo, 
Destino e inevitabilidade.
Os três segundos que parecem explicar e justificar 
A existência do Universo,
E dar sentido à vida.

Preferes o beijo ou os três segundos que o antecedem?

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E QUANDO ACABAREM AS PERGUNTAS?
Edição Sem Editora

[a delicada poesia do Paulo Kellerman]