Farrapos de sensações

“… a mente cheia, completamente cheia: pedaços de imagens irreconhecíveis e farrapos de sensações difusas misturando-se com fragmentos de passado e vislumbres de futuros que nunca se concretizarão (sonhos, acho que é como lhes chamam), memórias demasiado ténues (perenes, tão perenes que poderão ser imaginadas) de sorrisos e orgasmos e dores e toques e sabores e cheiros e carícias e choros e beijos e sons e mais sorrisos. Tudo indefinido e confuso, em constante movimento caleidoscópico; arrebatando-me e distraindo-me, devorando-me.”

Palavras | Paulo Kellerman (Francisco / Ângela, Chega de fado, Deriva , 2010)

Paulo Kellerman: 25 anos de literatura, 25 anos a criar beleza com as palavras

Primeiros azuis do ano…

“Porque não lembramos o que vimos da primeira vez que olhámos, da primeira vez que os nossos olhos se abriram para o mundo e fizeram a sua primeira focagem?”

“Recordamos tantas primeiras coisas. Mas não a primeira vez que olhámos, que cheirámos, que tocámos; que sorrimos. Como podemos esquecer o primeiro sorriso?”

Paulo Kellerman (Aviões de papel)

Uma edição Minimalista

relíquias

“Mulheres são perfumes que se aproximam, param e se esquivam sem lançar raízes nessa treva.”

(Lya Luft, Mulher no palco)

“Lembras-te…”

“Lembras-te dos nossos sonhos? Então
precisávamos (lembras-te?) de uma grande razão.
Agora uma pequena razão chegaria,
um ponto fixo, uma esperança, uma medida.”

Palavras | Manuel António Pina

“Ali…

… até o meu fascínio era azul.”

Palavras | Manoel de Barros (Ensaios fotográficos)