Mapas do Confinamento

O projeto MAPAS DO CONFINAMENTO é “um projeto trilingue que une os falantes de português com o intuito de desenhar uma cartografia do confinamento através da arte e da cultura.
Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé, Timor Leste e Diásporas de expressão portuguesa – Bélgica, França, Países Baixos, Reino Unido – são estes os “Mapas do Confinamento” que quase cem artistas, escritora .es, fotógrafa .os, ilustradora .es, poetas, tradutora .es – de todas as origens e sotaques – estão a construir coletivamente em português (mas traduzidos para francês e inglês porque o mundo também é feito de outros idiomas) como forma de assinalar este momento marcante da nossa História.”

Participo com um CONTO e um ENSAIO FOTOGRÁFICO .

NÓS (conto)

Não sei o teu nome, nunca tive coragem de perguntar. Mas somos vizinhas. De vida. Habitamos a mesma pele, ainda que muitos metros de tecido esgarçado nos separem. Não sei onde estás; passo pelos lugares de costume e vejo somente a tua ausência. Em que calçada te sentas agora?

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A SOMBRA DOS DIAS (ensaio fotográfico)

Fotografo a sombra dos dias para ter a certeza de que eles passam.

A sombra da saudade

ensaio completo disponível aqui (rolar a página até o final)

Luz

A luz da janela
sobe pelas folhas verdes
ao topo das árvores.

Yosa Buson (A borboleta e o sino)

Tradução: Sérgio Medeiros

Fotografar palavras #2663

É sempre um desafio receber um texto (desconhecendo a autoria) e fazer uma leitura fotográfica das palavras. Muitas imagens surgem, mas apenas uma (às vezes, mais de uma) vai se coagular como fotografia. Este é o exercício criativo diário do Fotografar palavras, de Paulo Kellerman, projeto vigoroso e estimulante que reúne fotógrafos e escritores em torno do fascínio por palavras e imagens.

Hoje, mais uma nova parceria:

“Hoje caminhei por entre os teus pés sem que os pisasse. Não deste por mim. Respirei-te no mesmo compasso que faz dos dias noites. Não me sentiste. Fiz-me escura na brancura da tua pele, quando se encheu de luz. Persegui-te. Tentei libertar-me de ti. Não permitiste, continuaste a encher-te de luz, mesmo na podridão do dia acabado, no artificial do teu leito. Fixei-me sobre as palavras que lias, murmurei-as contigo, sem que me ouvisses. Fiz-te cansar sobre o desvanecer das horas e finalmente apagaste a luz. E finalmente fui.”

Texto: Elisabete Neves
Foto: Ana Gilbert

Fotografar palavras #2564

“A minha casa existe em partes de luz e sombra, de ausência e dor. Existe à beira do mundo, das coisas, assim, em pedaços. Como uma flecha que se divide ao ser lançada ao espaço, num gesto autônomo que acontece por si.
Escrevo em busca da casa inteira, das imagens que levantarão as paredes, que completarão a costura, que anteciparão a quebra.”
 
 
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Ana Gilbert
Foto | Francisco Válga

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(obrigada, Francisco, por aceitares o desafio. Obrigada, Paulo, pela acolhida)

Ar

“Um ar que sabia a luz e que rangia a cristal…”

Palavras | Mário de Sá-Carneiro

Brilho

“Vejo o brilho de um sonho tão impossível.”

(José Luís Peixoto, A Casa, a Escuridão)