
uma palavra não é uma flor
uma flor é seu perfume e seu emblema
Geraldo Carneiro

uma palavra não é uma flor
uma flor é seu perfume e seu emblema
Geraldo Carneiro


Todas as pessoas estão num mundo, numa série de mundos.
Susan Sontag (in Contar uma história)
[obrigada, Jorge VAz Dias]


fotografias: Ana Sofia Elias

Os amantes de Lisboa passeiam de mãos dadas pelas ruas
Beijam-se contra as paredes e nas esquinas da cidade
Sofregamente
São jovens e belos com a brisa das manhãs
Soltam bandos de pequenos pardais inquietos
Que moram dentro dos seus corpos perfeitos
E debaixo das suas línguas
Enquanto se despem
A céu aberto
Têm cabelos resplandecentes e luminosos
Claros
Dedos compridos de artista que se entrelaçam
Demoradamente
Escrevem-se um no outro como uma suíte de Bach
Sem prelúdio
Têm vozes profundas que vibram como música
Gemem muito alto
Como cordas vocais
Barrocas.
Ana Paula Jardim








A imaginação explica o mundo.
Tal como o toque explica o amor.
Text(o): Paulo Kellerman | Portable link

É preciso continuar, é preciso não se dissolver na tristeza, é preciso não esquecer a beleza.
Não esquecer.
Nāo.

LATITUDES, este encontro afinado entre texto e imagem, entre hemisférios, entre países, entre estações, entre mulheres e seus afetos.
Cristina Vicente e Ana Gilbert



fotografias: Ana Gilbert
poemas: Jorge VAz Dias
edição limitada e numerada
encomendas (Brasil e Portugal): DM
(prontinhos para entrega)







PELE ADENTRO fala de encontro, aproximação, sedução, realização, afastamento.
Viagem que guia o(a) leitor(a) das coisas do mundo ao centro da intimidade e, depois, de volta a ele, num processo de eterno retorno em que a alma acompanha as formas do corpo e a magnitude da descoberta.
Os poemas carregam em si o desenho que se vai revelando aos poucos. Texto e imagem dialogam, numa dança sinuosa de afetos que atravessam, tensionam e conectam.,
Alimento e falta. Acima de tudo, pulsação.
Que se sente na pele.
……
PELE ADENTRO (Beneath the skin) speaks of encounter, closeness, seduction, fulfilment, and separation.
A journey that guides the reader from the things of the world to the heart of intimacy, and then back to the world again, in a process of eternal return in which the soul follows the contours of the body and the magnitude of discovery.
The poems carry within them a design that gradually reveals itself.
Text and image enter into dialogue, in a sinuous dance of affections that traverse, strain, and connect.
Nourishment and absence. Above all, a pulse.
Felt beneath the skin.
Fotografias: Ana Gilbert
Poemas: Jorge VAz Dias
Design: Licínio Florêncio
Impressão: Arte Ampliada
Encadernação artesanal: Eliana Yukawa | Yume Ateliê
Edição limitada e numerada

…ou os pensamentos da matéria
The secret life of things or the thoughts of matter
(series)


O nosso FOTOGRAFAR PALAVRAS faz hoje 10 anos.
10 anos de criatividade, encontros, descobertas, talentos, afetos, construção conjunta, diversidade, desafios, expansão, olhares, cumplicidades, palavras, leituras, imagens, chegadas, pausas, novos projetos, celebração.
10 anos de casa poética.
E a comemoração vai ser bonita.
No dia 5 de setembro, inaugura a exposição comemorativa, a sétima, no m|i|mo museu, em Leiria, Portugal. E fica até 29 de novembro. Esperamos por vocês!
Obrigada, querida Silvia Bernardino, por fazeres a ponte, em 2017, para que eu chegasse.
Obrigada, querido Paulo Kellerman, pelo tempo e cuidado que dedicas a este projeto; por receberes estes olhos brasileiros (e palavras)… e por tudo o que se seguiu.
Obrigada, m|i|mo museu, pelo acolhimento sempre generoso; por ser casa para esta nossa casa.
Vida longa ao Fotografar palavras!
Esta é, e será sempre, uma declaração de amor ao projeto.

Hoje, na publicação # 5683 do FOTOGRAFAR PALAVRAS, a parceria é com a querida Sandra Francisco
Tu não sabes o que é a dor
Por mais que a cicatriz me dilacere
De cima a baixo
Eu também não
Quis fazer de mim o teu colo
Entrelaçar-me no teu coração
Aninhar-te entre quimeras
E beijar-te os impossíveis
Tão cedo
Tão perto
Tão aqui
Tão fundo
Tu não devias saber o que é a dor
Quero acordar-te devagarinho
Dizer-te que foi só um pesadelo
Levar-te para longe
Ao menos, deixa-me ser eu
A calar-te os gemidos
A varrer-te os dias trágicos
No sal das lágrimas
Quando os sentidos te espancarem
Rasgamo-nos juntos
Retalhos dum só
…..
You do not know what pain is
However deeply the scar tears me open
From top to bottom
Neither do I
I wished to become your shelter
To entwine myself within your heart
To cradle you among chimeras
And kiss your impossibilities
So soon
So close
So here
So deep
You should never have to know what pain is
I want to wake you gently
Tell you it was only a nightmare
Carry you far away
At least let me be the one
To quiet your cries
To sweep away your tragic days
In the salt of tears
When your senses beat you down
We are torn, together
Shreds of one
Texto | Text: Sandra Francisco
Fotografia | Photography: Ana Gilbert
Fotografar palavras, este projeto trabalhosamente simples, criado e coordenado pelo amigo Paulo Kellerman e recriado diariamente por todos nós, faz 10 anos. Há muito o que celebrar!

com Jorge VAz Dias

SUTILEZAS DO OLHAR | 9
Nove anos do blog.
Por vezes, pergunto-me se um blog ainda faz sentido. Nesses momentos, é como se fosse apenas uma voz perdida no vazio de um tempo de excessos que me é estranho. Contudo, a resposta que encontro dentro de mim ainda é um sim.
Um sim ao tempo lento da contemplação que parece tão obsoleta. Sim ao amor pelas palavras e pelas imagens. Pelas palavras-imagens. Um sim às pessoas; à crença inabalável de que é e será sempre a relação que nos sustentará a humanidade.
Obrigada às pessoas que por aqui passam e deixam um tanto de si: olhares, comentários, curtidas, silêncios, respiração. Humanidade. Sem vocês, seria mais difícil.
“ Um corpo que não é visto desaparece?”
Georges Didi-Huberman
…..
Nine years of the blog.
Sometimes, I wonder whether a blog still makes sense. In those moments, it feels as though it were merely a voice lost in the void of an age of excesses that feels foreign to me. Yet the answer I find within myself is still yes.
Yes to the slow pace of contemplation, which seems so obsolete. Yes to a love of words and images. Of word-images. Yes to people; to the unshakable belief that it is, and always will be, human connection that sustains our humanity.
Thank you to those who pass through here and leave a little of themselves behind: their gaze, their comments, their likes, their silences, their breath. Humanity. Without you, it would be harder.
“Does a body that is not seen disappear?”
Georges Didi-Huberman


Fugir à solidão é solitário.