rio

um rio esvai-se
ao fogo do gesto
que inflamo

Mia Couto [poemas escolhidos]

PELE ADENTRO

PELE ADENTRO

Fotografias: Ana Gilbert
Poemas: Jorge VAz Dias

Apresentação: 2 de outubro, 18h, na Arquivo livraria, Leiria, Portugal

Convidados especiais:
Paulo Kellerman
Cátia Ribeiro

Design gráfico Licinio Florêncio
Impressão: Arte Ampliada
Encadernação artesanal: Eliana Yukawa e Yume Ateliê

edição limitada e numerada
encomendas (Brasil e Portugal): DM

pedi que viesses esperei que viesses
mas a alegria que inventei era só um
modo de ir embora

Valter Hugo Mãe (publicação da mortalidade)

PELE ADENTRO

PELE ADENTRO fala de encontro, aproximação, sedução, realização, afastamento.
Viagem que guia o(a) leitor(a) das coisas do mundo ao centro da intimidade e, depois, de volta a ele, num processo de eterno retorno em que a alma acompanha as formas do corpo e a magnitude da descoberta.
Os poemas carregam em si o desenho que se vai revelando aos poucos. Texto e imagem dialogam, numa dança sinuosa de afetos que atravessam, tensionam e conectam.,
Alimento e falta. Acima de tudo, pulsação.
Que se sente na pele.

……

PELE ADENTRO (Beneath the skin) speaks of encounter, closeness, seduction, fulfilment, and separation.

A journey that guides the reader from the things of the world to the heart of intimacy, and then back to the world again, in a process of eternal return in which the soul follows the contours of the body and the magnitude of discovery.

The poems carry within them a design that gradually reveals itself.

Text and image enter into dialogue, in a sinuous dance of affections that traverse, strain, and connect.

Nourishment and absence. Above all, a pulse.

Felt beneath the skin.

Fotografias: Ana Gilbert
Poemas: Jorge VAz Dias

Design: Licínio Florêncio
Impressão: Arte Ampliada
Encadernação artesanal: Eliana Yukawa | Yume Ateliê

Edição limitada e numerada

Fala

Fala

Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.

Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.

Tudo será
capaz de ferir. Será
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.

Não há piedade nos signos
e nem no amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.

(Toda palavra é crueldade.)

Orides Fontela

Pele Adentro

PELE ADENTRO fala de encontro, aproximação, sedução, realização, afastamento.
Viagem que guia o(a) leitor(a) das coisas do mundo ao centro da intimidade e, depois, de volta a ele, num processo de eterno retorno em que a alma acompanha as formas do corpo e a magnitude da descoberta.
Texto e imagem dialogam, numa dança sinuosa de afetos que atravessam, tensionam e conectam.
Alimento e falta. Acima de tudo, pulsação.
Que se sente na pele.

Fotografias: Ana Gilbert
Poemas: Jorge VAz Dias

Design gráfico do querido Licínio Florêncio
A competência na Impressão a cargo da Arte Ampliada
A delicadeza e o cuidado, exemplar a exemplar, da encadernação artesanal da Eliana Yukawa e Yume Ateliê & Design

edição numerada
encomendas (Brasil e Portugal)

Oscila

oscilafulge
única
centrando
na oscilação a
fuga
que a transporta

Orides Fontela

Quinta-feira

Quinta-feira é um dia transparente como asa de inseto na luz.

Clarice Lispector (Água viva)

Vem à quinta-feira.

Filipa Leal

Abraço líquido

no cibercafé e-amantes
aberto vinte e quatro horas
um homem alista-se
defronte do ecră todas as noites
para morrer
não se lembra da última vez
que dormiu ou sonhou
talvez se lembre de ter sonhado
com a própria morte
às vezes a vida é um pedaço
de uma terra imaginária
onde não é preciso passaporte
para se ser livre
o sonho de uma fuga possível
para onde cintila
o abraço líquido das luzes.

Hélder Magalhães (Nunca estiveste aqui)

XII

I wake up and wonder
How many times I have already kissed you.

It is the first thought of the day,
And I dedicate myself to it for a few minutes.

I count kisses.

And you lay by my side.
I could kiss you,
But I do not do it because I prefer to keep thinking
About kissing you.

And this says so much about me.

Poem by Paulo Kellerman

Beijar-te

Beijar-te as costas
Com a pele. As horas
São segundos.
O teu suspiro a minha
Respiração. A espera
É o ponto de partida.
És o tempo em suspenso.

[o belo poema de Jorge VAz Dias]