
escrita feita de sol




Hoje, no FOTOGRAFAR PALAVRAS # 5559, a parceria no texto é com a Vera Fernandes
O processo de criar para o projeto é sempre prazeroso. Receber o texto anônimo, ler nas entrelinhas o estilo da autora (ou autor). Adivinhar-lhe o gesto da escrita. E deixar a imaginação solta para que as imagens surjam, num primeiro momento, aleatórias. E, lentamente, acompanhá-las a ganhar forma, a pedir materialização. Até que uma (por vezes, mais de uma) se coagule em fotografia. Por fim, a publicação, quando as artistas se encontram na sintonia de suas criações.
Fotografar Palavras, 10 anos de publicações diárias, 10 anos a produzir essa magia, graças ao querido Paulo Kellerman, que tanto entende de encontros bonitos.
…
Fui só mais uma playlist — tocada, guardada e riscada.
Adicionada à tua biblioteca: de prazeres juvenis.
Carentes de autocontrolo.
Indisciplinados, pouco razoáveis.
E no calor do momento — tudo foi eterno.
Até ser só mais uma obra inacabada!
E se tudo, de repente, fosse apenas uma nota (des)afinada?
Abençoada queda — fora de tom.
…
I was just another playlist — played, shelved, and scratched.
Filed into your library: of youthful pleasures.
Starved of self-restraint.
Undisciplined, scarcely reasonable.
And in the heat of the moment — everything was eternal.
Until it was just another unfinished piece!
And what if everything, suddenly, were nothing but an (un)tuned note?
A blessed fall — out of key.
Texto | Text: Vera Fernandes
Fotografia | Photography: Ana Gilbert




Direi, algum dia, tudo o que preciso com uma palavra?
Andreia Azevedo Moreira, O QUE FALTOU, uma edição Minimalista Editora
Apresentação em Leiria, Portugal, no dia 11/04/26


Pensei que dançar era sonhar com as mãos
Entre os dedos
Com lágrimas, suor e sangue
Mas dançar é morrer e renascer, é morrer e renascer, é morrer e renascer
É a cada embate levantar-se do chão e voltar a dançar
A cada embate levantar-se do chão e voltar a dançar
As mãos esse tentáculo sensitivo que não nos deixam afogar
Tantos os que nos querem afogados, cancelados
Os medíocres
Mas acabamos sempre por vir à tona
Em espirais dançantes
Eternas, de eterno retorno, de eternidade
E enquanto dançamos, alargamos os horizontes daqueles que se deixam transportar e sonhar
E irritamos e entristecemos as almas daqueles que já morreram
Mas nada nem ninguém nos retira a liberdade de dançar uma e outra vez sempre e até sempre
Por isso a dança é um ofício da Eternidade
Viva, Poderosa, Orgânica e Mágica
Dessa eternidade que nos livra
Da intolerável opressão do sucessivo
Do mesquinho
A dança é uma ave que quando privada de liberdade
Prefere Morrer
Mas hoje e sempre continuaremos a dançar em espirais
Voo astrais
Serpentes emplumadas
Polvos telúricos
Ouroboros
E entre seres mágicos
Como os bailarinos e (com) todos aqueles que dizem sempre que sim a este sonho de Dançar, com D de gente com Dádiva, com as mãos bem abertas e de olhos fechados para o abismo de uma eternidade esplendorosa
Joana von Mayer Trindade (Dançar com D de Gente com Dádiva, in Onde Está O Relâmpago Que Vos Lamberá As Vossas Labaredas, de Hugo Calhim Cristóvão & Joana von Mayer Trindade – Nuisis ZoBoP)

Nem sempre a aparente harmonia entre pessoas que vivem juntas significa intimidade.
The seeming harmony between those who share a life doesn’t always mean intimacy.
Text(o): Paulo Kellerman | Portable link

Existo na sedução que a imaginação provoca.
(Um grito mudo)

NISES (2026), de Sigrid Haikel e Ana Gilbert

Ela me sorri com seu sorriso ausente. E eu me pergunto pela milésima vez o que é o amor.


Inauguração: 21.03.26 | Livraria Arquivo
curadoria: Sandrine Cordeiro e Paulo Kellerman
iniciativa: Livraria Arquivo
testemunhas silenciosas
da nossa efemeridade
eternas, elas
em nós
[Leiria, segunda casa. Obrigada]

Alguém anda pela rua a fazer um questionário às pessoas que encontra. Apenas tem uma pergunta: és feliz?
Someone walks along the street conducting a survey among the people they meet. They have only one question: are you happy?
Text(o): Paulo Kellerman

Diz-me coisas que nunca ouvi.
Raul Brandão (Húmus)


Como se te perdesse, assim te quero.
Hilda Hilst

Text(o): Paulo Kellerman



Beijar-te as costas
Com a pele. As horas
São segundos.
O teu suspiro a minha
Respiração. A espera
É o ponto de partida.
És o tempo em suspenso.
[o belo poema de Jorge VAz Dias]
