Sílabas

mas cada sílaba que nascia
trazia consigo uma maneira diferente e inútil
de te esquecer

Alice Vieira (Os armários da noite)

Escreves-me um abraço

Recebi este abraço do Pedro Leal e do Tiago Martins. E respondi com este abraço escrito:

Abraço-te. As nossas pulsações conversam. Alinham-se. Aquietam-se. Sorrimos. Os olhos também sorriem. Porque mais do que tu e eu, este abraço nos faz ‘nós’. Porque existimos inteiros neste espaço que é o abraço. Porque o abraço é como uma casa onde se pode descansar.

#EscrevesmeUmAbraço, uma iniciativa linda do CRIF – Centro de Reabilitação e Integração de Fátima, Portugal

#28abraços28autores

Abraçar o abraço | obrigada, Pedro e Tiago

sabe a poema inocente

Do encontro e da cumplicidade entre palavras e imagens.

Um enorme obrigada ao Breve Leonardo por esta sintonia espontânea, delicada e bela.

sabe a poema inocente

o murmúrio de luz que
se inclina nas manhãs raras

estas – onde corpo ainda está aberto ao mundo – esta
onde o corpo acorda sereno,
não resiste.

por assim dizer,
a espessa álgebra do dia ainda não se fez sentir na rotina inquieta
da voz – como osso dormente e demais,
no corpo.

por assim dizer,
nesta manhã rara
as diminutas sílabas – soltas da palavra – ainda não ocupam espaço

como a pedra brisa
ou cinza vaga que
suspensos

sabem a poema. sabem
a luz ou poema – tão intacto

inocente.