Auto-retrato 42

“O que fazer se a morte é um eterno estado de consciência, restrito a observar em silêncio essa escuridão?”

Palavras | Haruki Murakami (Sono)

da palavra à imagem, da imagem à palavra

Perdida
no vazio das coisas
no azul dos ladrilhos

em meio ao ruído
abafado da música
desconexo das pessoas.

Palavras | Ana Gilbert

Memória do corpo

“Como fazes quando precisas tocar as tuas próprias memórias? Tocar-lhes mesmo, com a ponta dos dedos?”

Palavras| Paulo Kellerman

da palavra à imagem, da imagem à palavra

quero tocar-me.
a minha pele
onde guardo as memórias,
(quais?)
nela, o que sei de mim
toco-me.
mas a pele é inalcançável,
etérea,
presença feita de luz
toco-me.
mas é superfície fria contra a pele quente
(sinto)
invento lembranças marcas feridas
e flores
toco-me.
no lugar onde não posso estar
(presença fugidia)
para, quem sabe,
existir em mim.

Palavras| Ana Gilbert