
É ao fim do dia que o mar sente mais saudades de casa.

É ao fim do dia que o mar sente mais saudades de casa.

Quantos tipos de felicidade existem?

O que existe na hesitação do teu gesto?

Alguém anda pela rua a fazer um questionário às pessoas que encontra. Apenas tem uma pergunta: és feliz?
Someone walks along the street conducting a survey among the people they meet. They have only one question: are you happy?
Text(o): Paulo Kellerman

Sigrid & Laura


Se fosse aguaceiro
Caía em ti como pena
Como cena de filme.
Como película
Que desvenda
Sopros no peito.
Leitos.

“É sempre por rizoma que o desejo se move e produz.”
Deleuze e Guattari
[intervenção em fotografia]

Crescer nos acentos perpétuas cobras d’água e logo a seguir
para que o ciúme não te adelgace
Pela cauda desengomo-te virgulados alguns actos
entre uma mornura de focinhos islandeses
{rafeiras arfadas}
e o inteira me prumares recatada.
Tibar-nos, como se tiba a latina linguagem, julgo branco e impossível.
Texto da Ana Sofia Elias e foto minha
[do nosso baú imaginado de imagens e palavras ardentes]


[isto também é sobre Gaza]

The beauty we see day after day acts like dust that accumulates in our eyes and makes our gaze more focused on what really matters. The more we look, the greater the accumulation of dust; and that makes our gaze blind to everything that isn’t beauty.
We unlearn the banal. We unlearn the ugly.
We become blind.
Text: Paulo Kellerman

Hoje, na publicação # 5214 do FOTOGRAFAR PALAVRAS, uma cumplicidade bonita com a Ana Sofia Elias.
Catavento de papel para apanhadoras de tulipas nova-iorquinas
Os buses vermelhos na nuca crespa dos arvoredos carapinhudos
Onde os deuses dão umbigadas aos marsupiaizinhos.
Musseques e mussiros.
Paper pinwheel for New York tulip catchers
Red buses on the curly nape of the bushy treetops
Where gods bump bellies with tiny marsupials.
Musseques and mussiros.
Fotografar Palavras, coletivo artístico, criado pelo Paulo Kellerman, que amplifica talentos, promove encontros e parcerias. E, principalmente, alimenta afetos. Diariamente, desde 2016.

Fotografias e textos: Cristina Vicente & Ana Gilbert
LATITUDES é resultado de uma cumplicidade entre mulheres, entre fotografia e literatura, entre norte e sul.
Uma cumplicidade de olhares e afetos que vai além das fronteiras geográficas; aproxima as latitudes e traz a circularidade das estações do ano.
Em costura perfeita das nossas estações, o belo posfácio do amigo Paulo Kellerman.
Design do querido Licínio Florêncio
edição limitada e numerada
[bilingual edition]
No sábado, 31 de maio de 2025, estaremos na Casa da Lídia para conversar sobre LATITUDES. Apareçam!

“não há pureza, todos somos mestiços, todos somos de raça ‘inferior’, como dizia Rimbaud, salvo que não há raça inferior, superior, maior ou menor, só mistura, divina e borbulhante sopa dos seres, ou melhor, dos ‘sendos’. (…) Onde há pureza, há fascismo.”
Andityas Matos (Contra/políticas da alquimia, 2023)

Se repetir a mesma viagem muitas vezes deixarei de distinguir entre a ida e o regresso?
If I repeat the same journey many times, will I no longer be able to discern the departure from the return?”
Text(o): Paulo Kellerman

Prosthetic wings.


Até o silêncio teimava em fugir.
Even silence stubbornly tried to flee.
Texto | Text: Mónia Camacho
Fotografar palavras, a nossa casa poética. Desde 2016. Criação e curadoria: Paulo Kellerman
I


Hoje, no FOTOGRAFAR PALAVRAS # 5133, a minha leitura fotográfica do belo poema de Ana Paula Jardim.
24 MM
É bem melhor fechar um por-do-sol dentro dos olhos
Abrir planícies infinitas dentro da íris
Como uma lente com 24mm de diâmetro
E dez mil cores todas diferentes
Fotografar esse instante dentro da córnea
Para sempre
Ver sobreiros como desenhos irreais espalhados pela paisagem
Mulheres gigantes com ventres volumosos encostadas
No meio postes de alta tensão
Iluminados
A disparar balas de eletricidade como farpas
Que nos atingem o peito
E nos deixam eletrocutadas contra o banco
Ficar quieta como uma gazela amarrada no tejadilho
Depois de um dia de caça
Passar por pastagens e ver rebanhos de animais
Reconhecê-los como iguais
Comendo a mansidão e a erva do chão
Na engorda
À espera de ir para o matadouro
Para serem degolados.
24 MM
It’s much better to close a sunset inside your eyes
Open infinite plains inside the iris
Like a lens with a diameter of 24mm
And ten thousand different colors
Photographing that instant inside the cornea
Forever
Seeing cork oaks as unreal drawings scattered across the landscape
Giant women with bulging bellies leaning against
In the middle of high-voltage poles
Illuminated
Firing bullets of electricity like barbs
That hit us in the chest
And leave us electrocuted against the bench
Standing still like a gazelle tied to the roof
After a day’s hunting
Passing pastures and seeing herds of animals
Recognizing them as equals
Eating the gentleness and the grass on the ground
Fattening up
Waiting to go to the slaughterhouse
To be beheaded.
Fotografar palavras, uma casa poética onde habitam múltiplas vozes que podem se expressar com liberdade. Criada pelo Paulo Kellerman e cuidada por todos nós. Diariamente, desde 2016.