
Poema visual



Onde a sombra engole a luz.


XXIV
Finalmente entendi
Por que motivo algumas pessoas se suicidam.
Foi ontem:
Acordei abruptamente e soube que não conseguiria voltar a dormir.
Soube que tudo o que havia a fazer era deixar-me estar quieto.
Esperar.
Sentir o tempo passar
E remoer os pensamentos.
Os mesmos pensamentos de sempre,
Um após outro.
O desfile completo,
Previsível,
Imparável.
Remoê-los devagarinho uma vez mais.
E uma vez mais,
Chegar a lado nenhum.
Será que algum pensamento pode
Algum dia
Conduzir a algum lado?
O meu sonho maior é conseguir dormir
E durante o sono sonhar que estou acordado e livre de pensamentos.
Mas o desfile nunca pára.
E há momentos,
Como ontem,
Quando acordei abruptamente e percebi que não conseguiria voltar a dormir,
Há momentos
Em que fico um pouco desesperado.
Só um pouco.
Mas e se um dia ficar muito?
Foi então que telefonei para te dizer:
Finalmente entendi
Por que motivo algumas pessoas se suicidam.
É quando o pouco se transforma em muito.
Sim,
Eram quatro da manhã e estavas a dormir.
Mas a pergunta não me saía da cabeça,
Precisava de verbalizá-la:
E se um dia ficar muito desesperado?
Desligaste o telefone,
Voltaste a dormir.
O que sonhaste?
E QUANDO ACABAREM AS PERGUNTAS?
Edição Sem Editora
[a poesia inquietante de Paulo Kellerman]

“As nuvens mudam de forma, os ventos levam grãos de areia e quando olhamos para a praia… parece igual a ontem!”
Projeto: Paulo Kellerman
Texto: Sara Viscondessa
Fotografia: Ana Gilbert




“Nas luzes perdidas da cidade que começa a adormecer
Encontrei-me, subitamente, a despertar.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Mariana Costa
Foto | Ana Gilbert

“Palavras numa língua de céus impossíveis.”
José Luís Peixoto (A Casa, a Escuridão)

“A montanha é um local rigoroso. E toda a sua beleza está assente nessa premissa.”
Excerto de DOEM-ME AS ASAS, de Mónia Camacho
Uma publicação Minimalista
