










A imaginação explica o mundo.
Tal como o toque explica o amor.
Text(o): Paulo Kellerman | Portable link

Foi a partir de uma perda que a poesia ganhou outro lugar na vida de Jorge Dias.
O encontro com um dos últimos poemas manuscritos da mãe, escrito quando a doença já lhe limitava os movimentos, levou-o a olhar de outra forma para as palavras e para a possibilidade de estas sobreviverem a quem as escreve. É dessa relação com a poesia, mas também com a intimidade, o desejo, a memória e a efemeridade, que nasce Pele Adentro, o primeiro livro de Jorge Dias enquanto Livre no Vento das Palavras, projecto que tem vindo a desenvolver no Instagram.
A obra, de edição limitada e numerada, é apresentada sexta-feira, 2 de Outubro, às 18 horas, na Livraria Arquivo, em Leiria, num encontro que contará também com Paulo Kellerman e Read The Cat [Cátia Ribeiro].
Os poemas não foram escritos com a intenção inicial de formar um livro. Foram surgindo ao longo do tempo, num processo que o autor descreve como “um fenómeno do acaso, previsto pelas estrelas”.
Alguns já existiam, outros nasceram em diálogo com o trabalho fotográfico de Ana Gilbert. Só mais tarde se percebeu que havia ali uma identidade comum.
Entrar “pele adentro”, explica Jorge Dias, é entrar no próprio desejo. “Espelha a intimidade, a cumplicidade e a complexidade das emoções”, afirma, esclarecendo que o “adentro” não se reduz ao corpo. É uma procura de algo mais profundo “iunto à alma (se ela existe)”.
A morte da mãe foi determinante nesse caminho. O poema que encontrou, escrito apesar das limitações físicas provocadas pela doença, fez cair a distância que mantinha em relação à poesia. “Essa experiência rasgou qualquer vergonha que eu teria da poesia ou distância que tinha dela como poeta”, conta. “A vida passou a fazer mais sentido para mim, com poesia.”
É também nessa ideia de permanência através da palavra que Pele Adentro encontra uma das suas linhas fundamentais. Escrever pode ser uma forma de fazer sobreviver uma voz e uma memória. “Não conheço maior milagre na nossa existência”, diz o autor.
Ana Gilbert: o diálogo entre palavras e imagens
Se a poesia é o ponto de partida, a fotografia de Ana Gilbert não surge como simples ilustração. As duas linguagens encontram-se, dialogam e, por vezes, afastam-se deliberadamente da leitura mais óbvia dos poemas.
A fotógrafa, brasileira, já acompanhava o trabalho de Jorge antes de os dois se conhecerem pessoalmente. A corporeidade e a presença recorrente da intimidade nos seus poemas, os encontros e desencontros, as descobertas e a intensidade das relações, despertaram-lhe a atenção.
A colaboração começou antes de existir a ideia de um livro. Ana fotografou alguns poemas de Jorge e, noutras ocasiões, foi o poeta quem escreveu a partir das suas imagens. Dessa afinidade entre texto e fotografia nasceu primeiro uma amizade e, depois, o desafio de construir Pele Adentro.
O processo não procurou uma correspondência literal entre palavra e imagem. “Texto e imagem são substâncias diferentes que não se amalgamam” explica Ana. A intenção foi criar narrativas fotográficas que dialogassem com os poemas e os abrissem a outras leituras.
Por isso, alguns textos mais explícitos encontram fotografias quase abstractas.
Na construção do livro, poemas e imagens foram seleccionados e reorganizados até encontrarem um ritmo próprio. Ana recorreu a pequenos rectângulos de papel para experimentar diferentes combinações, até perceber uma narrativa: encontro, aproximação, sedução, realização, afastamento e a promessa de voltar a acontecer.
O resultado é também uma tentativa de retirar a poesia da volatilidade das redes sociais e transformá-la num objecto para tocar, cheirar e guardar. Para Ana, o livro físico permite uma experiência sensorial e uma “suspensão do tempo” que contrasta com a rapidez do universo digital. Entre páginas, fotografias e poemas, Pele Adentro aproxima assim a efemeridade da vida da possibilidade de permanecer. “No livro físico, convivem efemeridade e eternidade”, resume a fotógrafa.
No Jornal de Leiria, no dia 01 de outubro de 2026.
Texto: Paula Lagoa | Fotografia: Ricardo Graça


no Jornal de Leiria
Texto: Paula Lagoa
Fotografia: Ricardo Graça

com Jorge VAz Dias

LATITUDES, este encontro afinado entre texto e imagem, entre hemisférios, entre países, entre estações, entre mulheres e seus afetos.
Cristina Vicente e Ana Gilbert




um rio esvai-se
ao fogo do gesto
que inflamo
Mia Couto [poemas escolhidos]




PELE ADENTRO
Fotografias: Ana Gilbert
Poemas: Jorge VAz Dias
Apresentação: 2 de outubro, 18h, na Arquivo livraria, Leiria, Portugal
Convidados especiais:
Paulo Kellerman
Cátia Ribeiro
Design gráfico Licinio Florêncio
Impressão: Arte Ampliada
Encadernação artesanal: Eliana Yukawa e Yume Ateliê
edição limitada e numerada
encomendas (Brasil e Portugal): DM

“Os segundos passavam, conduzindo a nada; como sempre”.
Paulo Kellerman (Serviços mínimos de felicidade)

Um dia, serei bebido pelo céu.
Mia Couto [poemas escolhidos]


Espero-te antes de haver vida
e és tu quem faz nascer os dias.
Quando chegas
já não sou senão saudade
e as flores
tombam-me dos braços
para dar cor ao chão em que te ergues.
Mia Couto [poemas escolhidos]



fotografias: Ana Gilbert
poemas: Jorge VAz Dias
edição limitada e numerada
encomendas (Brasil e Portugal): DM
(prontinhos para entrega)







PELE ADENTRO fala de encontro, aproximação, sedução, realização, afastamento.
Viagem que guia o(a) leitor(a) das coisas do mundo ao centro da intimidade e, depois, de volta a ele, num processo de eterno retorno em que a alma acompanha as formas do corpo e a magnitude da descoberta.
Os poemas carregam em si o desenho que se vai revelando aos poucos. Texto e imagem dialogam, numa dança sinuosa de afetos que atravessam, tensionam e conectam.,
Alimento e falta. Acima de tudo, pulsação.
Que se sente na pele.
……
PELE ADENTRO (Beneath the skin) speaks of encounter, closeness, seduction, fulfilment, and separation.
A journey that guides the reader from the things of the world to the heart of intimacy, and then back to the world again, in a process of eternal return in which the soul follows the contours of the body and the magnitude of discovery.
The poems carry within them a design that gradually reveals itself.
Text and image enter into dialogue, in a sinuous dance of affections that traverse, strain, and connect.
Nourishment and absence. Above all, a pulse.
Felt beneath the skin.
Fotografias: Ana Gilbert
Poemas: Jorge VAz Dias
Design: Licínio Florêncio
Impressão: Arte Ampliada
Encadernação artesanal: Eliana Yukawa | Yume Ateliê
Edição limitada e numerada


O nosso FOTOGRAFAR PALAVRAS faz hoje 10 anos.
10 anos de criatividade, encontros, descobertas, talentos, afetos, construção conjunta, diversidade, desafios, expansão, olhares, cumplicidades, palavras, leituras, imagens, chegadas, pausas, novos projetos, celebração.
10 anos de casa poética.
E a comemoração vai ser bonita.
No dia 5 de setembro, inaugura a exposição comemorativa, a sétima, no m|i|mo museu, em Leiria, Portugal. E fica até 29 de novembro. Esperamos por vocês!
Obrigada, querida Silvia Bernardino, por fazeres a ponte, em 2017, para que eu chegasse.
Obrigada, querido Paulo Kellerman, pelo tempo e cuidado que dedicas a este projeto; por receberes estes olhos brasileiros (e palavras)… e por tudo o que se seguiu.
Obrigada, m|i|mo museu, pelo acolhimento sempre generoso; por ser casa para esta nossa casa.
Vida longa ao Fotografar palavras!
Esta é, e será sempre, uma declaração de amor ao projeto.