Fósforo

“Quando fiz seis anos, fui à escola. Dezassete anos depois, saí.

Sentia-me preparado. E, mais que isso, sentia-me ansioso. Passava os dias à espera que me chamassem, aguardando a minha vez.

Quando já desesperava, convocaram-me.

Nem quis acreditar. Verdadeiramente excitado, cheguei à fábrica e apresentei-me. Depois, tudo se precipitou. Mandaram-me para uma sala onde dezenas de outros aguardavam; começaram a chamar e fomos entrando nas caixas, escuras e apertadas.

Passaram meses. Então, alguém abriu a caixa, pegaram em mim e riscaram-me. Criei fogo. Sopraram-me e morri.

(O meu último pensamento: “Uma vida de preparação para isto!? Acabou tudo? Tão depressa?”).

Palavras | Paulo Kellerman (Miniaturas, Edições Colibri, 2001)

Paulo Kellerman: 25 anos de escritas

Instante ficcional

Espreguicei as pestanas… e lá estavas tu…

(instantes ficcionais: expressão de João Gilberto Noll que se refere a narrativas mínimas, instantes coagulados que privilegiam a imagem e que capturam o mundo por meio de uma linguagem poética que se aproxima da fotografia)

Embodied narratives

Foto-colagem I: Pulsar Companhia de Dança
Foto-colagem II: Pulsar Companhia de Dança
Foto-colagem III: Te Encontro Lá no Cacilda
Foto-colagem IV: Te Encontro Lá no Cacilda

LIVRO: Art and Activism in the Age of Systemic Crisis: Aesthetic Resilience

Em 2018, recebi um convite da pesquisadora Marijke de Valck, da Utrecht University, para participar de uma publicação acadêmica sobre arte, ativismo e estética de resiliência em tempos de crise sistêmica, com um texto sobre deficiência.
Assim nasceu o projeto fotográfico Geografias Corporais, realizado com a Pulsar Companhia de Dança e o grupo de pesquisa sobre movimento Te Encontro Lá no Cacilda.
O projeto, desafiador e fascinante, desenvolveu-se em dois caminhos complementares entre si: um ensaio fotográfico-literário, com textos inéditos de Paulo Kellerman, publicado (apenas parte do material) no periódico brasileiro Interface – Comunicação, Saúde e Educação; e um ensaio teórico-fotográfico, o capítulo 14 desta publicação: Embodied narratives: dance, corporeality, and creative processes.

O livro Art and Activism in the Age of Systemic Crisis: Aesthetic Resilience já está disponível para venda, nos formatos Kindle e hardcover aqui:

“This book will be of interest to scholars in contemporary art, history of art, film and literary studies, protest movements, and social movements.”

Sobre o capítulo:
“The focus of this chapter is to discuss an artistic experience with disability in the realm of dance. To do so, I made a photo essay with Pulsar, a Brazilian dance company, composed of dancers with normative and non-normative bodies, whose artistic proposal is to create a dialogue between spectators and different corporealities, and a research group on movement based on dance as an extension of Pulsar, named Te encontro lá no Cacilda, composed of participants with different disabilities. This chapter and its photo collages are based on the collaborative exhibition “Corporeal Geographies” which involves photography, literature and dance. Using the images as a material basis for the discussion, I explored some ideas concerning the embodied narratives performed by the dancers and captured by my camera, and the role of art in considering disability as part of human variability and as a form of resistance to understand disability within a normality frame. The embodied narratives point to creative processes that evoke an aesthetic resilience to politically reaffirm difference and multiplicity in contemporary artistic scenario.”

Florbela

“Pediu perdão: «Meu Deus, porque sois tão bom? Tenho muita pena de vos ter ofendido, ajudai-me a não tornar a pecar.» Um pedido humanamente impossível, é certo. Talvez, por isso, a necessidade de o repetir em tantos momentos da sua vida.”

Excerto de FLORBELA, romance de Sandrine Cordeiro

Uma edição Minimalista