Finalmente entendi Por que motivo algumas pessoas se suicidam.
Foi ontem: Acordei abruptamente e soube que não conseguiria voltar a dormir. Soube que tudo o que havia a fazer era deixar-me estar quieto. Esperar. Sentir o tempo passar E remoer os pensamentos. Os mesmos pensamentos de sempre, Um após outro. O desfile completo, Previsível, Imparável.
Remoê-los devagarinho uma vez mais. E uma vez mais, Chegar a lado nenhum.
Será que algum pensamento pode Algum dia Conduzir a algum lado?
O meu sonho maior é conseguir dormir E durante o sono sonhar que estou acordado e livre de pensamentos.
Mas o desfile nunca pára. E há momentos, Como ontem, Quando acordei abruptamente e percebi que não conseguiria voltar a dormir, Há momentos Em que fico um pouco desesperado.
Só um pouco. Mas e se um dia ficar muito?
Foi então que telefonei para te dizer: Finalmente entendi Por que motivo algumas pessoas se suicidam.
É quando o pouco se transforma em muito.
Sim, Eram quatro da manhã e estavas a dormir. Mas a pergunta não me saía da cabeça, Precisava de verbalizá-la: E se um dia ficar muito desesperado?
Desligaste o telefone, Voltaste a dormir. O que sonhaste?
E QUANDO ACABAREM AS PERGUNTAS? Edição Sem Editora
O Paulo tem a poesia no olhar, e tem a capacidade de criar inúmeras imagens com as palavras: imagens belas, todas, algumas terríveis em sua beleza. Gosto de como fala das relações humanas (e nos poemas não é diferente); de como o relacionar-se com o outro envolve o relacionar-se consigo mesmo. E do tom melancólico que os poemas carregam, mesmo que de forma muito sutil (junto com a sedução, a paixão, a curiosidade, a leveza). No livro, há uma busca interna profunda, desesperançada até, mas há também a vontade de seguir… porque não se pode abandonar a morte (das coisas, das relações, dos momentos, a nossa), porque isso seria abandonar a vida (com tudo o que ela provoca e permite). Vida e morte, sempre juntas; a angústia disso, a plenitude disso.
Não sei o que prefiro: Se o beijo Ou aqueles três segundos que antecedem o beijo.
Aqueles três segundos em que tudo é certeza E desejo, Destino e inevitabilidade. Os três segundos que parecem explicar e justificar A existência do Universo, E dar sentido à vida.
Preferes o beijo ou os três segundos que o antecedem?
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E QUANDO ACABAREM AS PERGUNTAS? Edição Sem Editora
“Agora, sente o toque da liberdade: no espírito, no pensamento, no corpo. Nunca lhe ocorrera antes que a liberdade pudesse ser apenas isso: leveza. Mas agora sabe.”
Porque vivemos entre palavras e imagens. Porque precisamos de estórias/histórias que alimentem a nossa imaginação. Porque precisamos de afeto. Precisamos de sorrisos, sorrisos que brotam, espontâneos, a cada postal. Precisamos dos abraços (imaginados ou concretos) que trocamos e sentimos quando lemos as estórias/histórias feitas de palavras-imagens, imagens-palavras. Que dizem muito, que dizem tanto.
Porque enviar postais é tudo isso.
Serviço Postal – Postal com Estória é o novo projeto do amigo Paulo Kellerman. E que se torna também nosso.
Obrigada, Paulo, por mais esta aventura na companhia de tantos talentos.
“Um raio de sol espreita pela janela, fere-me a pele. Acordei há muito tempo mas ainda não fui capaz de abrir os olhos; porque quando o fizer, terei que enfrentar o mundo.”
Paulo Kellerman (Diz-me o teu nome, pergunta-me o meu, Gastar palavras, Deriva, 2005)
“Como se a minha vida, a minha presença naquela casa, apenas fizesse verdadeiro sentido enquanto falasse e o silêncio pudesse ser sinónimo de uma espécie de não existência. Percebes?”
Palavras | Paulo Kellerman (Coleccionador de eventos, Mente-me e seremos mais felizes, Escrytos, 2013)