Amantes de Lisboa

Os amantes de Lisboa passeiam de mãos dadas pelas ruas
Beijam-se contra as paredes e nas esquinas da cidade
Sofregamente
São jovens e belos com a brisa das manhãs
Soltam bandos de pequenos pardais inquietos
Que moram dentro dos seus corpos perfeitos
E debaixo das suas línguas
Enquanto se despem
A céu aberto
Têm cabelos resplandecentes e luminosos
Claros
Dedos compridos de artista que se entrelaçam
Demoradamente
Escrevem-se um no outro como uma suíte de Bach
Sem prelúdio
Têm vozes profundas que vibram como música
Gemem muito alto
Como cordas vocais
Barrocas.

Ana Paula Jardim

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