Cigarros | A chama de Adrião Blávio

Ainda não tenho o novo romance da Joana Lopes comigo, mas pelo que fui lendo aqui e ali, entre excertos, resenhas e comentários, sinto que “A chama de Adrião Blávio” é profundamente poético e transbordante de imagens. Mesmo sabendo que a imagem fotográfica não dará conta das belíssimas imagens construídas pelas palavras, atrevi-me a fotografar o excerto abaixo…

“Cigarros

Sinto vontade de fumar. Imagino que fumo um SG Filtro enquanto pinto um quadro para ti. O tecto é a grande tela onde nos recrio. Pinto-nos corpos porosos, cubro-os com musgos mornos e húmidos. Depois, das nossas cabeças, faço voar uma rajada de pombas. Pombas límpidas feitas de cristais e da luz que chega ao quarto através da janela. Pombas levantadas das nossas ideias para voar em círculos no espaço. Aves alabastrinas que de súbito afundam os bicos e as garras nos nossos peitos. Lázara, há pássaros brancos ensanguentados; criaturas magnânimas que nos libertam da doença e, ao desaparecerem pela janela, levam-nos as almas nas asas.”

A chama de Adrião Blávio | Joana M. Lopes
Alêtheia Editores

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