“I said to my soul, be still, and wait without hope For hope would be hope for the wrong thing; wait without love For love would be love of the wrong thing; there is yet faith But the faith and the love and the hope are all in the waiting.”
A imortalidade da alma? Só penso nisso quando estou distraída E nunca ao amanhecer e antes de tomar café Que ainda carrego as ideias doentes de noites mal dormidas A minha noção de alma é mais homérica Tipo fumaça ou sombra que se desprende do corpo Ou então um sopro em vão à maneira de Anaxímenes Também tenho almas místicas, órficas e pitagóricas Depende dos dias Nunca platónicas de forma imortal Não vá a reminiscência de algum marginal Criminoso ou esquizofrénico fazer ninho dentro de mim para sempre Não sei nada sobre estas questões Nem tenho paciência para as discutir em dias que tenho a mente do avesso Só sentir a alma em quedas verticais dentro de mim.
Questioning
The immortality of the soul? I only think about it when I’m distracted And never at dawn and before drinking coffee Because I’m still carrying the sick ideas of bad nights My notion of the soul is more homeric Like smoke or a shadow that detaches itself from the body Or a breath in vain in the manner of Anaximenes I also have mystical, Orphic and Pythagorean souls It depends on the day Never platonic in an immortal way Don’t go reminiscing about some outcast Criminal or schizophrenic nest inside me forever I don’t know anything about these issues Nor do I have the patience to discuss them on days when my mind is inside out I can only feel my soul falling vertically inside me.
Texto | Text: Ana Paula Jardim Fotografia | Photography: Ana Gilbert
Vem lentamente o sono Premeditando o sonho. O sonho que filma O desejo. O desejo que alimenta O futuro. A vida que é o teu fruto E o mundo ser A terra onde a árvore Cresce, sendo esse futuro. Lentamente nos encontramos Na natureza de assim sermos. Basta tornares-te Para a luz. Eu estarei no beijo, Essa brisa que faz Tilintar os ramos As folhas e as raízes. Amaciar também a pele Do fruto. Enquanto teço Este desejo me pergunto:
E não basta isto tudo Para nos termos Para sempre?
Desvelar-te o caminho. Chover em terra árida E sermos mar Por vir. Semear o mundo Com prazer. Tomar-lhe o peito Pulsar E vir-nos. Sermos a tempestade E a quimera. O leito E o assunto. O silêncio E os beijos À chuva. Entranhar-nos E humedecer Nas dobras do calor A que chamo Teu corpo.
They don’t understand They don’t understand They don’t understand They don’t understand
And all I need is you Just all I need is you
They don’t understand ‘Cause they don’t talk for me There ain’t no master plan I came here to make peace I’m only made to suffer I’m only made to care And all the time in the world Gonna wish until it hurts ‘Cause they don’t understand
And all I need is you But you don’t know it’s true And all I need is you But you don’t know it’s true It’s impossible Unbelievable Do you see it now? Do you see it now? And our lives coming back to the start
Back to the start Back to the start Back to the start Back to the start
Mais um ano… mais pessoas que se aproximam… e isso faz todo o trabalho valer a pena.
Um obrigada gigante a quem se mantém por perto e frequenta regularmente esta minha casa… mas também a quem se aventura e chega aqui por acaso ou acidente, mesmo que não se demore. Porque este espaço só se completa com a sua presença e o seu olhar. Espero que faça sentido…
“Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa. Fotografei o sobre. Foi difícil fotografar o sobre.” (Manoel de Barros)
Meu ensaio fotográfico CLARICEANA está na Revista Tangerine # 10, na companhia de outros trabalhos lindos.
Este ensaio foi inspirado no livro Água Viva, de Clarice Lispector. Nele, autorretratos dialogam com paisagens aquáticas, oníricas em sua fluidez e atemporalidade, onde o dentro e o fora se confundem e se complementam. Juntos, formam paisagens internas, imagens-palavras que convidam à experiência sensorial, ao mergulho em águas profundas, onde luz e sombra se fazem presentes e explicitam tensões. O fascínio exercido por essa zona limítrofe, a superfície da água, demarca a fronteira entre a vigília e o sono, entre as instâncias da psique (consciência e inconsciente). As imagens nos levam a percorrer trilhas fragmentadas e poéticas, marcadas pela alternância entre movimento e quietude. Experienciamos a relação com o espaço que nos circunda. Um espaço que é ao mesmo tempo externo e interno, Cheio e vazio. Um espaço que se descortina estranho e ampliado quando vislumbrado na superfície refletora da água ou do espelho. Múltiplos espelhos, múltiplas imagens: de nós e do mundo que habitamos e que nos habita. Instantes- já da relação “eu-tu”, coagulados como fotografias. Cenas e o seu avesso. A realidade enviesada. O ensaio oferece a experiência pura do fluxo de vida, do instante que é como o silêncio que está no silêncio das coisas e não pode ser ouvido, a não ser com o corpo inteiro; como uma realidade que se cria a partir da escuridão e do sonho. A partir da imaginação. Água, ar, planta, corpo. A alternância entre a sensação de dissolução e a aventura arriscada de fixar a delicadeza do encontro eu-outro, eu-mundo. Clariceana é uma tentativa de capturar o incapturável: a respiração que rege a ordem do mundo, do meu mundo. O ritmo da pulsação. A liberdade de vida e morte. O seu mistério. Efemeridade e eternidade em mim.
observo a lentidão do teu gesto. [o toque suave da renda] a mão pequena [onde cabe o mundo] o corpo desnudo [o desejo a descoberto] observo as articulações que se movem [hipnótico] dedilham memórias que espreitam inocentes [indecentes] feitas de luz [sombra] deixam a pele marcada [cicatrizes inexistentes] pela eternidade [dolorosa] dos encontros imprecisos [improváveis]
o jeito que o vento agita os cabelos o brotar de um sorriso no canto da boca o olhar de espanto de uma criança quando descobre o ir e vir do mar o toque dos lábios noutros lábios pela primeira vez e a pele que arrepia
o encontro do abraço e as pulsações que se alinham
o sussurro do medo no meio da noite a leitura daquele poema que me faz chorar o raio do início dos tempos, do tempo do amor e o teu rastro em mim
o pânico antes da queda a dor da despedida e a excitação da chegada
quando o dedo aciona o disparador da câmera porque sabe que é o momento quando fecho os olhos e vejo a luz que atravessa o tecido no varal a palavra coagulada no papel o exato instante em que sei que me chamas do outro lado do mundo e o estalo de uma folha seca que se desprende do galho
o som da respiração do tempo o último suspiro da minha mãe e a primeira inspiração da minha menina
tudo o que me atravessa a alma é efemeramente eterno. a alma é onde (im)permaneço.
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(im)permanence
the way the wind ruffles someone’s hair the sprout of a smile in the corner of the mouth the look of amazement on a child when she discovers the coming and going of the sea the touch of lips to other lips for the first time and the skin that shivers
the encounter of a hug and the pulses that align
the whisper of fear in the middle of the night the reading of that poem that makes me cry the ray of the beginning of time, the time of love and your trace in me
the panic before the fall the pain of parting and the excitement of arrival
when the finger triggers the camera shutter because it knows it is time when I close my eyes and see the light that passes through the fabric on the clothesline words coagulated on paper the exact moment when I know you call me from the other side of the world and the snapping of a dry leaf as it detaches itself from the branch
the sound of the breathing of time my mother’s last breath and my little girl’s first inspiration
everything that crosses my soul is ephemerally eternal. the soul is where I am (im)permanent.