
more distant than stars
and nearer than the eye
T.S.Eliot

more distant than stars
and nearer than the eye
T.S.Eliot

O corpo marcado pelo azul da cidade

“As for me I am neither happy nor unhappy; I lie suspended like a hair or a feather in the cloudy mixtures of memory.”
Lawrence Durrell (The Alexandria Quartet)

So here is one of my invisible flaws: using thinking to escape.
Portable link , a dialogue between photography and literature
[a collaborative project with Paulo Kellerman]

“I stand up and look in the mirror and think: There she is. She’s looking at you.”
Lydia Davis (Examples of confusion)

Portable Link, a collaborative account with Paulo Kellerman.

Aguardo a hora do dia em que a luz explode sobre a tua pele e me atinge o olhar com os seus estilhaços. O desejo cega-me.




CLARICEANA, ensaio fotográfico inspirado no livro Água Viva, de Clarice Lispector.
Agora, ensaio-objeto, materializado pelas mãos talentosas e cuidadosas de Ângela Paes (photobook) e Marco Araújo (impressão fine art)

certas memórias existem apenas no corpo.
some memories exist only in the body.

PORTABLE LINK é um projeto com o escritor Paulo Kellerman, que nasceu da afinidade entre os nossos trabalhos e se constituiu como um diálogo entre palavra e imagem. Criado há mais de um ano na plataforma Ello, o projeto agora passa a existir também no instagram.

liberdade. a luz que nos separa.



Ontem, no m[i]mo – museu da imagem em movimento, aconteceu a apresentação do livro GEOGRAFIAS CORPORAIS, com o Paulo Kellerman. Não poderia ser mais significativo: apresentar este livro na sala onde decorre a exposição do Fotografar Palavras, projeto que deu início a esta parceria e amizade.
Obrigada a quem participou!

O livro A chama de Adrião Blávio (2020), de Joana M. Lopes, é hipnótico em sua beleza poética e cortante. É inesgotável na capacidade de suscitar imagens em mim. A cada leitura, uma torrente de possibilidades imagéticas se apresenta e, eventualmente, sinto vontade de coagular uma delas em fotografia. Como agora. Mesmo sabendo que é apenas uma leitura parcial e imprecisa de algo muito maior.
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“Sonhando rajadas
Dissolução e êxtase. Verdade ancestral, antes do pensamento. Pássaros com olhos feitos de vento. Asas sou e nuvens e um bico flamejante atravessando um tecto em absoluta expansão. É o perfume da Tília que se espalha, é o pólen que em ti dança e explode, Lázara, hipnótica brisa na seara. Toco-te em toda parte, pois és em todo o lado. Orgia intocável do tudo. Pulmões como grutas insufladas do teu nome. Vento inaugurando o mundo. Respiro-te, Lázara: hálito quente, palpitação carnívora, eco cardíaco repercutido no ar. Rajada absoluta onde me desagrego.”

“Acho que a tristeza está dentro das pessoas, faz parte delas.“
[I think sadness is inside people, it is part of them.]
Palavras | Paulo Kellerman

15/03/2023 | 17 horas (Brasil)
A convite da Associazione Culturale Focus, conversarei sobre fotografia e o livro Geografias Corporais, com Fabiana Mingoni e Paulo Kellerman.
(acesso livre – o link será disponibilizado próximo à hora do evento)

what do you see of yourself when you look in the mirror?

some words I cannot grasp.


Dizes que o teu corpo sonha,
Que os teus dedos sonham
A tua pele,
Os teus lábios.
Dizes que o teu coração sonha.
E os teus olhos.
Dizes que os teus olhos sonham tanto,
Mas tanto,
Mesmo quando estão fechados.
Especialmente quando estão fechados.
Como sangue,
Dizes tu.
Sorris e explicas
Que o teu corpo está repleto de multidões de sonhos
Entranhados nas tuas células.
Do lado de dentro das células.
Na alma de cada uma das células.
Sorris
E explicas que são esses sonhos que te dão vida.
Como se fossem sangue.
Um fluxo permanente e imparável
De sonhos.
Gostava de te fazer uma pergunta:
Se o teu corpo tem em si todos esses sonhos,
Porque não os sinto quando me beijas?
Apenas me dás saliva.
Não sinto sangue
Nem sonhos.
[You say your body dreams,
your fingers dream
Your skin,
Your lips.
You say your heart dreams.
And your eyes.
You say your eyes dream so much.
But so much,
Even when they are closed.
Especially when they are closed.
Like blood,
You say.
You smile and explain
That your body is full of multitudes of dreams
Ingrained in your cells.
Inside the cells.
In the soul of each of the cells.
You smile
And explain that those dreams are what give you life.
As if they were blood.
A permanent and unstoppable flow
Of dreams.
I would like to ask you a question:
If your body has all those dreams in it,
Why can’t I feel them when you kiss me?
You just give me saliva.
I do not feel blood
Nor dreams.]
Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: Ana Gilbert
Cumplicidade bonita entre palavra e imagem, entre literatura e fotografia, entre escritores e fotógrafos. Dose diária de poesia, desde 2016.