
realidade. a linha que nos separa

realidade. a linha que nos separa

“… a mente cheia, completamente cheia: pedaços de imagens irreconhecíveis e farrapos de sensações difusas misturando-se com fragmentos de passado e vislumbres de futuros que nunca se concretizarão (sonhos, acho que é como lhes chamam), memórias demasiado ténues (perenes, tão perenes que poderão ser imaginadas) de sorrisos e orgasmos e dores e toques e sabores e cheiros e carícias e choros e beijos e sons e mais sorrisos. Tudo indefinido e confuso, em constante movimento caleidoscópico; arrebatando-me e distraindo-me, devorando-me.”
Palavras | Paulo Kellerman (Francisco / Ângela, Chega de fado, Deriva , 2010)


Nova parceria :
A cada 15 dias, contos dos autores da Minimalista, na Til Magazine (Portugal)
Espiem só!

“Quando fiz seis anos, fui à escola. Dezassete anos depois, saí.
Sentia-me preparado. E, mais que isso, sentia-me ansioso. Passava os dias à espera que me chamassem, aguardando a minha vez.
Quando já desesperava, convocaram-me.
Nem quis acreditar. Verdadeiramente excitado, cheguei à fábrica e apresentei-me. Depois, tudo se precipitou. Mandaram-me para uma sala onde dezenas de outros aguardavam; começaram a chamar e fomos entrando nas caixas, escuras e apertadas.
Passaram meses. Então, alguém abriu a caixa, pegaram em mim e riscaram-me. Criei fogo. Sopraram-me e morri.
(O meu último pensamento: “Uma vida de preparação para isto!? Acabou tudo? Tão depressa?”).
Palavras | Paulo Kellerman (Miniaturas, Edições Colibri, 2001)


“Não há abraço que me doa mais do que o silencioso que me amordaça as palavras. Um vilão obscuro das minhas noites. Conheci-o em tempos. Apaixonou-se por mim. Mas eu não correspondo. Visita-me de noite. Peço que não o faça. Ele resiste. Tem um pacto com a noite. A noite tem um preço. O preço de a dormir sem a sentir. Não o consigo pagar. A dívida acumula-se. A minha incapacidade de saldar a dívida tem sido a maior declaração de amor daquele abraço. O abraço silencioso que me amordaça as palavras.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Rita Rosa
Foto | Ana Gilbert




E mais um caminho… ÁGUA COM AÇÚCAR, de Ana Miguel Socorro
encomendas pelo e-mail: minimalista.editora@gmail.com

“não servia mais para as inutilidades do mundo.”
Palavras: Lorena Richter (Isidoro e os barcos)

“As coisas que guardei e as coisas que esqueci; no fundo é assim que construí aquilo que sou, a minha identidade; aquilo que guardo na memória acaba por ser aquilo que me define.”
Paulo Kellerman (Aviões de papel)
Uma edição Minimalista

“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada.”
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Clarice Lispector (Água viva)



A Minimalista alçou voo… um voo bonito… o nosso terceiro livro está quase pronto… em breve, partilho com vocês.

“Que valor teria para mim a vida sem o sonho?”
Palavras | Raul Brandão (O Pobre de Pedir)

[só]
Poeta só.
Porque só é a solidão de um poema.
Nevoeiro é o que vejo dentro do peito.
Rarefeito o racional, banal o carnal.
Bacanal de emoções vãs.
Só está a solitude de uma prosa.
Nua de versos ou ritmos.
Crua e incerta
inserta a solidão no poeta.
Fico só com estas letras.
Chove do lado de fora da janela,
dentro do peito só nevoeiro,
orvalho e melancolia.
Só.
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Andreia Marques
Foto | Ana Gilbert

Ainda não tenho o novo romance da Joana Lopes comigo, mas pelo que fui lendo aqui e ali, entre excertos, resenhas e comentários, sinto que “A chama de Adrião Blávio” é profundamente poético e transbordante de imagens. Mesmo sabendo que a imagem fotográfica não dará conta das belíssimas imagens construídas pelas palavras, atrevi-me a fotografar o excerto abaixo…
“Cigarros
Sinto vontade de fumar. Imagino que fumo um SG Filtro enquanto pinto um quadro para ti. O tecto é a grande tela onde nos recrio. Pinto-nos corpos porosos, cubro-os com musgos mornos e húmidos. Depois, das nossas cabeças, faço voar uma rajada de pombas. Pombas límpidas feitas de cristais e da luz que chega ao quarto através da janela. Pombas levantadas das nossas ideias para voar em círculos no espaço. Aves alabastrinas que de súbito afundam os bicos e as garras nos nossos peitos. Lázara, há pássaros brancos ensanguentados; criaturas magnânimas que nos libertam da doença e, ao desaparecerem pela janela, levam-nos as almas nas asas.”
A chama de Adrião Blávio | Joana M. Lopes
Alêtheia Editores




Um sonho, uma ideia, um grupo de amigos. Criatividade e cooperação. Talentos. Desafios.
Assim surgiu a Minimalista, uma editora independente e informal. Somos doze escritores e três profissionais do design e das artes plásticas de Portugal e do Brasil. Juntos, estamos realizando o sonho. Contribuímos com o que sabemos e gostamos de fazer para levar adiante uma proposta ousada.
Na contramão da crise e do desalento em que vivemos, a Minimalista encara o desafio e avança com vigor. É com grande alegria e orgulho que recebo no Brasil a nossa primeira publicação: o romance Aviões de papel, do Minimalista Paulo Kellerman, um livro que inquieta com a beleza.
A segunda publicação já está a caminho: o romance Florbela, da Minimalista Sandrine Cordeiro. Mais detalhes, em breve.
Encomendas pelo email: minimalista.editora@gmail.com
(distribuição no Brasil)

“Terá de haver alguém (…) alguém que entenda o meu vazio porque tem em si um vazio idêntico.”
Palavras | Paulo Kellerman (A cadeira da Cinderela, Best of)
*****
Paulo Kellerman escreve sobre a alma humana, no que ela tem de belo e sombrio. Com sua escrita poética e incisiva, percorre paisagens de silêncio e dor, de dúvida e inquietude; delineia a sutileza do sonho e a melancolia do cotidiano sem sentido, numa multiplicidade de vozes que reverberam em nós como um labirinto de espelhos a devolver-nos inúmeras e perturbadoras imagens do eu.
*****
Em breve, o seu novo romance, Aviões de papel. Uma edição Minimalista.

MINIMALISTA, a editora informal que uniu doze pessoas, mapeando o seu território entre dois continentes separados pelo atlântico.
Ilustração | Maraia

O romance Aviões de papel. de Paulo Kellerman, está chegando ao Brasil | uma edição da nossa Minimalista.
Já encomendou o seu?
(encomendas pelo e-mail: minimalista.editora@gmail.com | vendas no Brasil)
Abaixo, uma bela vídeo-sinopse por Sandrine Cordeiro e Fabrício Cordeiro
gostamos de livros | escrevemos livros | publicamos livros | lemos livros
somos uma equipe de criadores das áreas de literatura, ilustração e design
Um excerto de Aviões de papel por Sandrine Cordeiro.
Novo romance de Paulo Kellerman | Minimalista editora
Encomendas: minimalista.editora@gmail.com
(distribuição no Brasil)

Volto a falar do nosso projeto Fotografar palavras, não apenas porque a primeira de quatro exposições está a acontecer no m|i|mo – museu da imagem em movimento, em Leiria, Portugal; mas, em especial, pelo gosto e pelo orgulho que sinto em fazer parte dele, desde quando comecei a colaborar, em junho de 2017.
Fotografar palavras é um projeto criado e dinamizado pelo escritor Paulo Kellerman. Reúne fotógrafos e escritores num desafio diário: o exercício criativo de transformar palavras em fotografias. Já conta com 2394 publicações, ao longo de quatro anos, que podem ser apreciadas no blog de mesmo nome, em sequência temporal ou nas galerias dos diferentes fotógrafos e escritores.
Apesar de ser um projeto desenvolvido em plataforma virtual, promove e alimenta relações de amizade e colaboração artística que existem para além das telas dos dispositivos tecnológicos, habitando a dimensão essencial do contato humano e ultrapassando as distâncias geográficas entre os participantes.
Acontece assim: os fotógrafos recebem excertos (anônimos) dos escritores, por intermédio do Paulo Kellerman, e encontram uma (ou mais de uma) imagem para essas palavras. Mas, como o projeto é saudavelmente transgressor de si mesmo, acontece do ponto de partida ser a fotografia e o desafio é feito a um escritor para que encontre palavras para essa imagem. Ou ainda, podem acontecer publicações em que um artista é autor tanto do texto quanto da foto. Porque os caminhos da criação são inesgotáveis e vão despertando novos entrelaçamentos e possibilidades em cada participante.
A relação entre as imagens e as palavras reunidas numa publicação não é de submissão, isto é, uma forma de expressão não é mais importante do que outra; e muito menos de dependência ou fusão: ao serem alinhadas, imagens e palavras não se perdem, não se fusionam, mantêm a sua autonomia. O que existe é uma profunda cumplicidade entre elas, mesmo quando os artistas não se conhecem, permitindo a abertura de caminhos de leitura, de desenvolvimentos narrativos, de amplificação de afetos.
O projeto reúne perspectivas diversas e alinha diferentes estilos e subjetividades artísticas, num ambiente experimental de total respeito e liberdade cujo vigor se mantém intacto. Convida o leitor a ir além do que é apresentado, a explorar novos horizontes movido pelo desassossego, pela emoção e pela reflexão que o material suscita.
Dose diária de arte.