
“Eu sou eu e minha circunstância.”
Palavras | Ortega y Gasset

“Eu sou eu e minha circunstância.”
Palavras | Ortega y Gasset



“there is only the dance”
T. S. Eliot (Burnt Norton, Four Quartets)

“O meu corpo tem saudades do teu olhar.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Ana Gilbert
Foto | João Oliveira

yoshitaka amano series




A profunda consciência do corpo.

“Imagens de mim na caminhada.”
Palavras | Hilda Hilst (Cantares de perda e predileção, XVII)





“Tenho tido um sonho. Já dura há dois anos.Um pensamento estranho. Isolamento. No meu sonho, pensamento vou até uma ilha. Vou carregada de peso, em mim. Chego quase por magia. Ou por magia. Num barco pequeno. Sei exatamente para onde tenho de ir. Mas não quero ir. Arriscar. Mentalmente sei exatamente o caminho. Mas nunca ali estive. Abandono o barco a custo. Salto. Água até aos joelhos. Molho as calças. Sinto ainda mais peso. Caminho na areia. Pesadamente. Com pressa mas sem resultado. Há peso nos ombros, como um casaco de peles. Caminho até uma espécie de casa. É só uma cabana. Simples. Há coisas a esvoaçar. São panos brancos. Subo uma rampa de madeira comida pelo sol. Sei que tenho de entrar. Foi algo que prometi. Entro mas não há porta. Há uma cama grande. Tem um tecido branco como colcha ou lençol. Ao lado um banco. Uma espécie de mocho. Em cima duas velas virgens. Um caixa de fósforos velha. Acendo-as. Agora é de noite. Mas era tão de dia. Talvez. Dispo-me. Parece-me passar uma hora. Nada saí do corpo. Penso tomar banho no mar. Mas o medo da falta de pé. Acobardo-me. Tenho medo de arriscar. Deito-me na cama. Em frente há um chuveiro, no meio do nada, ao fundo do quarto. Ou cabana. Levanto-me concentrada. Tomo banho. Água gelada. Choro. Volto à cama. Cheira bem. Não há toalhas. Cola-se o tecido branco ao corpo. Obrigo os olhos a ver-me. Nua. Não quero ver. Fecho os olhos o mais rápido que consigo. Ardem. Acordo. Não sei se dormi. O sol ilumina o quarto. A cabana. As velas quase intactas. Apagaram-se a meio do sonho. Fixo o olhar nelas. Acordo. Queria voltar lá. Não posso, tenho de esperar todo o dia, até dormir. Toda a monotonia de um dia inútil. Já na noite tenho de esperar o sono. Já no sono espero a tristeza. Já triste sonho. Com sorte volto à ilha. À cabana. À conclusão de tudo isto.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Andreia Monteiro
Fotos| Ana Gilbert

“A memória regressa ao que na casa – e no corpo – viveu e morreu.”
Palavras | Al Berto (O anjo mudo)

Pele.

“O que eu desejo ainda não tem nome.”
Palavras | Clarice Lispector

“Mulheres são perfumes que se aproximam, param e se esquivam sem lançar raízes nessa treva.”
(Lya Luft, Mulher no palco)



“Não é a tua ausência que temo, mas sim a tua presença vazia.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Liliana Silva
Foto| Ana Gilbert

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“Quem não pensa, não sente.
Quem sente, não pensa.”
Palavras | Paulo Kellerman (Serviços mínimos de felicidade)

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“Sorri. Um sorriso que é um convite. Repete o convite, verbalizando-o: Queres dançar comigo?”
Palavras: Paulo Kellerman

yoshitaka amano series
Academia e arte. Brasil e Portugal. Dança, fotografia e literatura. Diálogos em torno de múltiplas corporeidades.
Projeto com o grupo de pesquisa sobre movimento Te encontro lá no Cacilda / Pulsar Cia. de Dança | Teatro Cacilda Becker, Rio de Janeiro, Brasil.
Geografias corporais: dança, corpo e deficiência | Ana Gilbert e Paulo Kellerman
Revista Interface – Comunicação, Saúde, Educação | Seção Criação
Biblioteca SciELO Brasil e SciELO Saúde Pública
(Foto: Ana Gilbert)
“Entro na sala e sorrio. Digo: Oi. Depois digo: Tudo bem? E continuo a sorrir.
(Penso: Sorrir será a melhor forma de espera, de adiamento, de suspensão?)
Olha-me e sorri. Levanta-se, aproxima-se lentamente. Depois, abraça-me.
Sinto estranheza. Não é fácil receber o abraço de uma pessoa desconhecida. Não é fácil abraçar uma pessoa desconhecida. Mas correspondo.
Foi assim que nos conhecemos. Apenas mais tarde percebi que abraçar é uma forma de comunicar; como se o abraço fosse voz, e cada abraço tivesse uma tonalidade específica. Tal como cada palavra pode ser dita com um timbre diferente.
Não o ouvi falar. Mas conheço a sua voz.”
(Paulo Kellerman)