
“De onde surgem os gritos, como nascem?”
Exposição Almas Desligadas
Textos | Paulo Kellerman
Fotos | Ana Gilbert
Moinho do Papel | Leiria, Portugal
Até 13 de junho de 2019


“De onde surgem os gritos, como nascem?”
Exposição Almas Desligadas
Textos | Paulo Kellerman
Fotos | Ana Gilbert
Moinho do Papel | Leiria, Portugal
Até 13 de junho de 2019
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Best of é o novo livro de Paulo Kellerman em parceria com a ilustradora Lisa Teles (Edição Escaravelho). São seis contos, seis gravuras, seis objetos. Palavras, texturas, traços, formas, cores. Materialidade que aguça os sentidos e a imaginação e provoca outras imagens, inúmeras, que se desdobram e convidam o leitor a continuar nelas (sim, porque os textos carreiam imagens), a explorá-las e a ir além.
O fio que une os textos e as imagens refere-se à busca de si, à consciência de si, ao susto da descoberta e à solidão intrínseca a esse processo. Os diálogos que acontecem entre o eu e o outro, um outro ao mesmo tempo externo e interno, revelam mundos separados, desencontros dolorosos, encontros às avessas, ânsia por intimidade e o medo dela. A angústia de ser quem se é convive com a busca pela liberdade de ser, de viver. As imagens e os textos nos fazem pensar em como nos percebemos ao sermos vistos por alguém, como nos mostramos, ou não, ao outro, como nos escondemos de nós; expectativas e decepções; anseios, vazios e obsessões; prazer. Tudo reunido e pensado num corpo, por vezes quase ausente (como se fosse possível), por vezes insuportavelmente presente.
Vazios (cheios de tanto!) que se disfarçam sob a forma de pensamentos, emoções, desejos, sonhos, fantasias; voláteis e impalpáveis como o ar, materiais e concretos como o ar. Silêncios que pesam e gritam para nós, sobre nós, que nos espantam com as suas vozes assustadoramente familiares. Olhares que preenchem, que atravessam, que pedem, que tocam. Que veem.
Sabemos que texto e imagem compõem ‘substâncias’ diferentes, e não são mera reprodução um do outro. As belas ilustrações criam narrativas autônomas que, se por um lado oferecem novos sentidos aos textos, por outro, comportam, elas próprias, outros fios narrativos possíveis. Somos delicadamente capturados e surpreendemo-nos a perguntar, a imaginar, a olhar por cada uma dessas janelas.
Textos e imagens instigam, questionam, desassossegam. Enchem os olhos de poesia. E de algo mais.
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“Deslizo lentes como dedos; percorro sinuosidades, afago fronteiras, decifro-te. E me entrego. Inteiro.”
Projeto | Paulo Kellerman
Texto e foto: Ana Gilbert

Junto palavras como cacos, pedaços de mim que se perderam no tempo, que esvoaçam levados pela brisa, que se perpetuam nos ecos do mundo.



“E então senti uma dor tão visceral, tão imensa, tão desconcertante, que a única coisa que consegui fazer para lhe fugir foi esmurrar o meu reflexo no espelho, uma e outra vez, com ambas as mãos, com toda a força que possuía, tentando desesperadamente que a dor física suplantasse por um segundo (bastaria um segundo) a outra dor que se apoderara de mim, tentando desesperadamente que a dor física me distraísse da dor da perda e da impotência, da dor do desespero, da dor do ódio. Fui esmurrando o meu reflexo no espelho, fui esmurrando-me.”
Almas Desligadas | com Paulo Kellerman



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Com Paulo Kellerman
Moinho do Papel | Leiria, Portugal
Até 31 de maio de 2019
Curadoria (improvisada) | Silvia Bernardino

“A luz mágica e serena do sol a entrar pelas janelas, iluminando as paredes, dando-lhes vida (mas para que precisavam as paredes de vida?).”
Texto | Paulo Kellerman
Até 31 de maio de 2019


“Chegará o instante em que a alma abandona o corpo, em que regressarei sozinha de ti mas mais comigo do que nunca.”
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Catarina Vale
Foto | Ana Gilbert

Com Paulo Kellerman
Moinho do Papel | Leiria, Portugal
Curadoria e improvisação | Silvia Bernardino
8 a 31 de maio de 2019
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Galeria Indoor | Rio de Janeiro, Brasil
Curadoria | Rococó Clean
12 de abril a 24 de maio de 2019

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Almas Desligadas e Outras Histórias | Exposição

“Hoje convidei-te para tomar um café, ou um chocolate quente, algo que nos aqueça o olhar ou nos aqueça por dentro e é um bom começo. Ha-de haver sempre um bom começo e sempre dá para te olhar mais de perto e quando te olho mais de perto apaixono-me mais. Quando te olho mais de perto por apenas aqueles segundos em que bebes o café, sou feliz para sempre, juro, se tu soubesses que te pago o café para me apaixonar todos os dias por ti, ficavas ali de chávena na mão a vida inteira. E eu apaixonava-me, sempre, vestia-me de ti, todas as vezes. Sim porque estar apaixonado é estar vestido de alguém. E nunca se está mal vestido quando se está apaixonado.”
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Jorge Gomes Pereira
Foto | Ana Gilbert

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Projeto Geografias corporais
Pulsar Companhia de Dança | Te encontro lá no Cacilda
Teatro Cacilda Becker | Rio de Janeiro

“O que sentirá o meu corpo com o teu abraço, depois de ter sido tocado pelo teu olhar?”
Texto e foto | Ana Gilbert

Almas Desligadas e Outras Histórias | Exposição
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“Existo no entre, nos intervalos da vida.”
