
15/03/2023 | 17 horas (Brasil)
A convite da Associazione Culturale Focus, conversarei sobre fotografia e o livro Geografias Corporais, com Fabiana Mingoni e Paulo Kellerman.
(acesso livre – o link será disponibilizado próximo à hora do evento)

15/03/2023 | 17 horas (Brasil)
A convite da Associazione Culturale Focus, conversarei sobre fotografia e o livro Geografias Corporais, com Fabiana Mingoni e Paulo Kellerman.
(acesso livre – o link será disponibilizado próximo à hora do evento)


“Todos os momentos são efémeros. (Regra geral.) Alguns momentos parecem durar uma vida inteira. (Beijo.)”
All moments are ephemeral. (General rule.)
Certain moments can last a lifetime. (Kiss.)
Paulo Kellerman (Dicionário improvisado)


Dizes que o teu corpo sonha,
Que os teus dedos sonham
A tua pele,
Os teus lábios.
Dizes que o teu coração sonha.
E os teus olhos.
Dizes que os teus olhos sonham tanto,
Mas tanto,
Mesmo quando estão fechados.
Especialmente quando estão fechados.
Como sangue,
Dizes tu.
Sorris e explicas
Que o teu corpo está repleto de multidões de sonhos
Entranhados nas tuas células.
Do lado de dentro das células.
Na alma de cada uma das células.
Sorris
E explicas que são esses sonhos que te dão vida.
Como se fossem sangue.
Um fluxo permanente e imparável
De sonhos.
Gostava de te fazer uma pergunta:
Se o teu corpo tem em si todos esses sonhos,
Porque não os sinto quando me beijas?
Apenas me dás saliva.
Não sinto sangue
Nem sonhos.
[You say your body dreams,
your fingers dream
Your skin,
Your lips.
You say your heart dreams.
And your eyes.
You say your eyes dream so much.
But so much,
Even when they are closed.
Especially when they are closed.
Like blood,
You say.
You smile and explain
That your body is full of multitudes of dreams
Ingrained in your cells.
Inside the cells.
In the soul of each of the cells.
You smile
And explain that those dreams are what give you life.
As if they were blood.
A permanent and unstoppable flow
Of dreams.
I would like to ask you a question:
If your body has all those dreams in it,
Why can’t I feel them when you kiss me?
You just give me saliva.
I do not feel blood
Nor dreams.]
Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: Ana Gilbert
Cumplicidade bonita entre palavra e imagem, entre literatura e fotografia, entre escritores e fotógrafos. Dose diária de poesia, desde 2016.


A cortina abre… o espetáculo vai começar…
Sou o primeiro a chegar à sala de
espectáculos. Enquanto espero vou
pensando em coisas sem importância.
Pergunto-me se as árvores terão frio à noite ou se os livros que estão nas livrarias ficarão muito nervosos por não saberem quem os levará para casa ou se no falar dos cães haverá um ladrar para dizer a palavra “borboleta” ou se será possível os pássaros darem abraços ou porque nunca se escuta o som das nuvens quando passam pelo céu.
A minha cabeça é o único sítio onde sou realmente livre, e lá posso pensar coisas palermas sem que ninguém me chateie ou ria. Posso pensar em pássaros ou livros, posso pensar na angústia que as canetas sentirão quando se lhes acaba a tinta; ou em cadeiras. Porque enquanto espero outra coisa que me pergunto é se haverá um motivo para me ter sentado na cadeira onde estou, quando todas as outras estavam livres e poderiam ser uma opção. O que terão pensado de mim as cadeiras que não escolhi?
É nisto que estou a pensar quando ela entra e olha a sala. Depois de uma breve hesitação, avança rapidamente entre as cadeiras e senta-se. Poderia escolher qualquer outro lugar mas senta-se mesmo ao meu lado, ignorando todas as outras cadeiras livres.
Fico quieto, à espera. É bom esperar, mesmo quando se sabe que não irá acontecer nada.
Na liberdade da minha cabeça penso: cheira tão bem, que perfume usará?
Mas tudo o que a minha voz é capaz de dizer é:
– Boa noite.
GEOGRAFIAS CORPORAIS
Fotografia: Ana Gilbert | Texto: Paulo Kellerman
Alter Edições, 2022.
Design Gráfico: Licínio Florêncio | Coordenação Editorial: Eder Ribeiro
encomendas: geografiascorporais@gmail.com
[ENGLISH VERSION AVAILABLE]


“Talvez o futuro seja feito de esperas. Talvez o futuro seja feito de esquecimentos.”
Paulo Kellerman (excerto do conto O alívio, em O osso da vida, 2022)

“Há sempre um momento em que sente no seu corpo: vão cantar; e nesse instante, os pássaros cantam. Serão eles que mantêm o mundo em movimento com o seu canto?”
[There is always a moment when she feels in her body: they are going to sing; and in that instant, the birds sing. Are they the ones who keep the world moving with their singing?]
Lançamento do livro GEOGRAFIAS CORPORAIS, Casa das Palmeiras (3 Dez 2022)
com a Pulsar Companhia de Dança
Ana Gilbert & Paulo Kellerman
Alter Edições, 2022.
Projeto Gráfico: Licínio Florêncio | Coordenação Editorial : Eder Ribeiro


—Lembras da primeira vez que nos vimos? (Paulo Kellerman)
Fotografia: Ana Gilbert
Texto: Paulo Kellerman
GEOGRAFIAS CORPORAIS
Alter Edições, 2022
geografiascorporais@gmail.com
[ENGLISH VERSION AVAILABLE]
GEOGRAFIAS CORPORAIS
Uma colaboração Brasil-Portugal
Fotografia: Ana Gilbert
Texto: Paulo Kellerman
Alter Edições, 2022
Projeto Gráfico: Licínio Florêncio
Coordenação Editorial: Eder Ribeiro
encomendas / orders:
geografiascorporais@gmail.com
[ENGLISH VERSION AVAILABLE]






“O tempo sabe que um livro é um princípio.” (Paulo Kellerman)
GEOGRAFIAS CORPORAIS
Fotografia: Ana Gilbert
Texto: Paulo Kellerman
Alter Edições, 2022
Projeto Gráfico: Licínio Florêncio
Coordenação Editorial: Eder Ribeiro
encomendas a/ orders:
geografiascorporais@gmail.com
[ENGLISH VERSION AVAILABLE]

E se o tempo for como um corredor?
Estou aqui e olho lá para o fundo. Avanço. Tenho pressa, mas não quero chegar. Hesito. Ou quero chegar, mas não tenho pressa. Hesito. Preocupa-me que o tempo se esgote.
Quando chegar lá ao fundo, terminará a viagem. O tempo.
Porque tudo o que tenho é este corredor. Este tempo.
Mas.
E se quando chegar lá ao fundo, regressar aqui?
Poderia navegar no corredor, daqui para lá e de lá para aqui. Não estaria a ultrapassar os limites do espaço (tempo), mas apenas a gerir o tempo (espaço) que tenho.
E se.
What if time is like a hallway?
I’m here and I’m looking at the end of the hallway. I come forward. I’m in a hurry, but I don’t want to arrive. I hesitate. Or I want to arrive, but I’m in no hurry. I hesitate. I worry that time is running out.
When I reach the end, the journey will be over. Time will be over. Because all I have is this hallway. This time.
But.
What if when I get to the end, I come back here?
I could navigate down the hallway, from here to there and from there to here. I would not be going beyond the limits of space (time), but just managing the time (space) that I have.
What if.
Texto: Paulo Kellerman


VII
Consegues explicar o amor?
Pergunta ela,
Com um sorriso esperançoso.
Fecho os olhos e abano a cabeça,
Porque há respostas que não podem ser verbalizadas.
Apenas os loucos conseguem explicar o amor,
Porque apenas os loucos compreendem a vida.
Apenas os loucos encontram sentido
No que não tem lógica.
Diz ela,
Com um sorriso decepcionado.
Ou talvez nem chegue a ser um sorriso.
————————
Can you explain love?
She asks,
With a hopeful smile.
I close my eyes and shake my head,
Because there are answers that cannot be verbalized.
Only mad people can explain love,
Because only mad people understand life.
Only mad people find meaning
In what has no logic.
She says,
With a disappointed smile.
Or maybe it is not even a smile.
Paulo Kellerman (E quando acabarem as perguntas?)

“Despiu-se de tudo, lentamente. Muito lentamente. Até ficar apenas o amor.”
Palavras | Paulo Kellerman

“One does not run away: one imagines or dreams that runs away. And sometimes what one imagines or dreams almost seems like reality.”
Words | Paulo Kellerman



Será que o tempo apenas existe para que possamos ordenar a memória dos prazeres?
[Could it be that time only exists for organizing the memories of pleasure?]
fotos minhas para o texto do Paulo Kellerman
O projeto FOTOGRAFAR PALAVRAS completou seis anos de vida, graças ao esforço bonito e generoso do Paulo Kellerman para juntar pessoas, talentos e afetos.
Como funciona o projeto?
Os escritores enviam excertos dos seus textos e os fotógrafos desdobram as palavras para encontrar uma (ou mais de uma) imagem. Coagulam a imagem em fotografia. A cumplicidade palavra/imagem é publicada aqui:
Todos nós, fotógrafos e escritores, formamos uma rede com o compromisso de manter acesa a chama do projeto, para levar uma dose diária de arte a quem estiver disponível para ser tocado pelas imagens e pelas palavras.
São 3469 publicações até hoje. E a partir da publicação #3462, o blog se tornou bilíngue (português/inglês).
Visitem, deixem-se afetar!

XX
Quando olho,
Vejo o que sinto.
E tu?
Sentes o que vês
Ou apenas olhas?
Como um espelho que se limita a reflectir a luz que recebe.
Paulo Kellerman (E quando acabarem as perguntas? Edição Sem Editora, 2022)

II
Talvez o amor
Seja feito de tempo.
Tal como de tempo são feitas algumas árvores, Daquelas que vivem duzentos anos
Ou mais.
Será que o amor também morre de pé?
Paulo Kellerman (E quando acabarem as perguntas?)