Novo…

Primeiro azul do ano…

“Para compor um tratado sobre passarinhos
É preciso por primeiro que haja um rio com árvores e palmeiras nas margens.
E dentro dos quintais das casas que haja pelo menos goiabeiras.
E que haja por perto brejos e iguarias de brejos.
É preciso que haja insetos para os passarinhos.
Insetos de pau sobretudo que são os mais palatáveis.
A presença de libélulas seria uma boa.
O azul é muito importante na vida dos passarinhos
Porque os passarinhos precisam antes de belos ser eternos.
Eternos que nem uma fuga de Bach.”

Palavras | Manoel de Barros (Tratado geral das grandezas do ínfimo)

Another intensity

“Here and there does not matter
We must be still and still moving
Into another intensity
For a further union, a deeper communion
Through the dark cold and the empty desolation,
The wave cry, the wind cry, the vast waters
Of the petrel and the porpoise. In my end is my beginning.”

Words | T.S.Eliot (Four Quartets, East Coker)

Ainda assim

“… nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
ainda assim,
escrevo.”

Palavras | Mia Couto [poemas escolhidos]

clareza

se eu tivesse que escolher uma cor para as tuas palavras seria o cinza.
não pelo negrume da tristeza. bonito esse teu negrume. seria pela calma. é isso. pela calma que me trazes às margens das manhãs ou das tardes.
conforme a inclinação do sol.

as tuas palavras só não têm a cor branca porque não as descobriria nesta folha.
mas são brancos, esses bordados de luz que te escorrem entre os dedos.

Palavras | Isabel Pires (a permanência da memória dos dias de sal)

Sorrisos pelo correio

Porque são as relações humanas que sustentam o mundo…

“Nós somos do tempo dos postais. Deste tempo.”

Sorriso postal é mais um projeto do Paulo Kellerman que sabe, como ninguém, juntar arte e pessoas e afetos e sorrisos. Vamos enviar postais a residentes de lares de idosos em Portugal.

Como? Descubram aqui:

Sorriso postal

(um dia, quem sabe, o projeto ganha asas e atravessa o oceano…)

A borra

“Prefiro as palavras obscuras que moram nos 
fundos de uma cozinha – tipo borra, latas, cisco 
Do que as palavras que moram nos sodalícios – 
tipo excelência, conspícuo, majestade. 
Também os meus alter egos são todos borra, 
ciscos, pobres-diabos 
Que poderiam morar nos fundos de uma cozinha – tipo Bola Sete, Mário Pega Sapo, Maria Pelego Preto etc. 
Todos bêbedos ou bocós. 
E todos condizentes com andrajos. 
Um dia alguém me sugeriu que adotasse um 
alter ego respeitável – tipo um príncipe, um 
almirante, um senador. 
Eu perguntei: 
Mas quem ficará com os meus abismos se os 
pobres-diabos não ficarem?”

Palavras | Manoel de Barros (Ensaios fotográficos)

Em mim

“Continuo cheia das coisas que não foram feitas para serem ditas à luz do dia.”

 Palavras | Clarice Lispector

Pedi…

“preparei uma festa no coração
as veias penduradas como
gambiarras corpo fora
 
pedi que viesses esperei que viesses
mas a alegria que inventei era só um
modo de ir embora”

Palavras | Valter Hugo Mãe (Publicação da mortalidade)