Sempre

A vida será sempre sonho.

[Life will always be a dream]

A respiração do tempo (Minimalista, 2022)

Clariceana

Meu ensaio fotográfico CLARICEANA está na Revista Tangerine # 10, na companhia de outros trabalhos lindos.

Este ensaio foi inspirado no livro Água Viva, de Clarice Lispector. Nele, autorretratos dialogam com paisagens aquáticas, oníricas em sua fluidez e atemporalidade, onde o dentro e o fora se confundem e se complementam. Juntos, formam paisagens internas, imagens-palavras que convidam à experiência sensorial, ao mergulho em águas profundas, onde luz e sombra se fazem presentes e explicitam tensões.
O fascínio exercido por essa zona limítrofe, a superfície da água, demarca a fronteira entre a vigília e o sono, entre as instâncias da psique (consciência e inconsciente). As imagens nos levam a percorrer trilhas fragmentadas e poéticas, marcadas pela alternância entre movimento e quietude. Experienciamos a relação com o espaço que nos circunda. Um espaço que é ao mesmo tempo externo e interno, Cheio e vazio. Um espaço que se descortina estranho e ampliado quando vislumbrado na superfície refletora da água ou do espelho. Múltiplos espelhos, múltiplas imagens: de nós e do mundo que habitamos e que nos habita. Instantes- já da relação “eu-tu”, coagulados como fotografias. Cenas e o seu avesso. A realidade enviesada.
O ensaio oferece a experiência pura do fluxo de vida, do instante que é como o silêncio que está no silêncio das coisas e não pode ser ouvido, a não ser com o corpo inteiro; como uma realidade que se cria a partir da escuridão e do sonho. A partir da imaginação.
Água, ar, planta, corpo. A alternância entre a sensação de dissolução e a aventura arriscada de fixar a delicadeza do encontro eu-outro, eu-mundo. Clariceana é uma tentativa de capturar o incapturável: a respiração que rege a ordem do mundo, do meu mundo. O ritmo da pulsação. A liberdade de vida e morte. O seu mistério. Efemeridade e eternidade em mim.

Luz

o que sentirá a luz ao deslizar pela aspereza do solo?

[what will light feel as it glides across the roughness of the ground?]

observação

observo a lentidão do teu gesto.
[o toque suave da renda]
a mão pequena
[onde cabe o mundo]
o corpo desnudo
[o desejo a descoberto]
observo as articulações que se movem
[hipnótico]
dedilham memórias que espreitam inocentes
[indecentes]
feitas de luz
[sombra]
deixam a pele marcada
[cicatrizes inexistentes]
pela eternidade
[dolorosa]
dos encontros imprecisos
[improváveis]

Esperança

“Todos os momentos são efémeros. (Regra geral.) Alguns momentos parecem durar uma vida inteira. (Beijo.)”

All moments are ephemeral. (General rule.)
Certain moments can last a lifetime. (Kiss.)

Paulo Kellerman (Dicionário improvisado)

Fotografar palavras #3888

“saí para ver o mundo
mas a cada passo
descubro universos dentro de mim.”

[I went out to see the world
but with every step
I discover universes within myself.]

Texto | Text: Andreia Peixoto
Fotografia | Photography: Ana Gilbert

Fotografar palavras

Projeto criado pelo Paulo Kellerman em 2016.
Diferentes estilos, diferentes países, diferentes processos criativos. Dose diária de arte.

Diferentes estilos, diferentes países, diferentes processos criativos. Dose diária de arte.