
ecoo-me para chegar a ti



o medo que nos separa


as paredes pulsam histórias.
(A sonhadora, 2022)
[por seres tão inventivo | e pareceres contínuo | tempo, tempo, tempo, tempo | és um dos deuses mais lindos – Caetano Veloso]

Texto do Jorge VAz Dias sobre AISHA, no Jornal de Leiria.
Obrigada, poeta, por mais esta vida de Aisha.
AISHA, colaboração com Paulo Kellerman | Portable Link

















Exposição VARAL FOTOGRÁFICO, com fotografias dos projetos AISHA (com Paulo Kellerman) e LATITUDES (com Cristina Vicente). Na Casa da Lídia, que tem a esplanada mais verde da cidade | Leiria

com Ana Sofia Elias

O corpo marcado pelo azul da cidade.
(ir embora antes que as memórias me sufoquem com o azul]

a vida arranha menos num abraço.
[isto também é sobre Gaza]




Aisha
Uma pequena caixa contendo memórias de uma menina e seu pai.
Aisha
Uma pequena caixa que poderia ter sido encontrada entre os escombros de um edifício bombardeado durante uma guerra.
Aisha
Um grito mudo diante do horror da guerra.
——-
Aisha
A small box containing memories of a girl and her father.
Aisha
A small box that could have been found among the rubble of a bombed building during a war.
Aisha
A silent cry in the face of the horrors of war.
(Bilingual edition)
23 textos | texts, 23 fotografias | photographs
Paulo Kellerman & Ana Gilbert | Portable link
ilustração flor | flower illustration: Maraia
design: Licinio Florêncio
caixa artesanal | handmade box: Yume Ateliê & Design
Exemplares prontos para cruzar o Atlântico.
Copies ready to cross the Atlantic.




a construção das delicadezas.
a ilustração da flor é da Maraia
a materialização da caixa é da Eliana do Yume Ateliê & Design
o design é do Licínio Florêncio
os textos e as fotos são nossos
Paulo Kellerman e Ana Gilbert
as encomendas são pelo email: ana.cbgilbert@yahoo.com
tiragem limitada, exemplares numerados
edição bilíngue [bilingual edition]

Esta poesia que legas
Como sobreviver a toda a solidão?
Alguém amou o que pressentiu
ou alguém pressentiu o que amou?
Nos seus tentáculos rubros, a derrota
aguenta todo o volátil movimento.
Para que servem estes versos se são
como todos os outros, insondáveis
no corpo solar de um Portugal de mar?
Os dias, em sua ferocidade, iludiram-me;
as noites, em sua violência, acusaram-me.
Esta derrota que distribuis, esta poesia
que legas, sabes, criar a ilusão no mundo
foi profundo e imundo por entre açucenas.
__________
This poetry you bequeath
How to survive all loneliness?
Did someone love what they sensed
or did someone sense what they loved?
In its crimson tentacles, defeat
endures all volatile motion.
What use are these verses if they are
like all others, unfathomable
in the solar body of a Portugal of sea?
The days, in their ferocity, deceived me;
the nights, in their violence, accused me.
This defeat you disseminate, this poetry
you bequeath, you already know, to create an illusion in the world
was profound and filthy among lilies.
Fotografar palavras, desde 2016 a espalhar beleza. Projeto do Paulo Kellerman e de toda(o)s nós.
Text|o: João Rasteiro










Quando Gaza foi invadida e as crianças começaram a morrer, foi impossível não reagir. E reagimos como sabemos: escrevendo, fotografando. Talvez pareça uma reacção simbólica, mas é a nossa. E é visceral.
Aisha é uma criança. Aisha representa a incompreensão, a incredulidade, a revolta que ainda contém alguma esperança.
Aisha já morreu mais de quinze mil vezes.
Aisha é um livro que representa a nossa incompreensão, a nossa incredulidade, a nossa revolta que já não contém esperança.
23 textos de Paulo Kellerman
23 fotografias de Ana Gilbert
Ilustração flor | Maraia
Design | Licínio Florêncio
Caixa artesanal | Yume Ateliê & Design
edição limitada e numerada (50 exemplares)
encomendas por mensagem.
When Gaza was invaded and children began to die, it was impossible not to react. And we reacted as we know how: by writing, by photographing. It may seem like a symbolic response, but it is ours. And it is visceral.
Aisha is a child. Aisha embodies incomprehension, incredulity, revolt—still laced with some hope.
Aisha has died more than fifteen thousand times.
Aisha is a book that embodies our incomprehension, our incredulity, our revolt—now stripped of hope.
23 texts by Paulo Kellerman
23 photographs by Ana Gilbert
Flower illustration | Maraia
Design | Licínio Florêncio
Handmade box | Yume Ateliê & Design
numbered edition (50 copies)
orders: direct message


“Cada coisa tem um instante em que ela é”.
Clarice Lispector (Água viva)



tocar a pele infinita e intemporal da imagem.

Na penumbra da tarde,
o mundo morto,
a meu passo, despertava.
Não era o amor
que eu procurava.
Buscava o amar.
Na casa em ruínas,
te despias
para que me deixasse cegar.
Voz transpirada,
suplicavas que te chamasse no escuro.
Em ti, porém,
eu amava
quem não tem nome.
Na casa arruinada
te amei e te perdi
como a ave que voa
apenas para voltar a ter corpo.
Na penumbra da tarde,
tu me ensinaste a nascer.
Na noturna claridade
me esqueci
que nunca havias nascido.
Mia Couto [poemas escolhidos]