Menos

a vida arranha menos num abraço.

[isto também é sobre Gaza]

Aisha

Aisha
Uma pequena caixa contendo memórias de uma menina e seu pai.
Aisha
Uma pequena caixa que poderia ter sido encontrada entre os escombros de um edifício bombardeado durante uma guerra.
Aisha
Um grito mudo diante do horror da guerra.

——-

Aisha
A small box containing memories of a girl and her father.
Aisha
A small box that could have been found among the rubble of a bombed building during a war.
Aisha
A silent cry in the face of the horrors of war.

(Bilingual edition)

23 textos | texts, 23 fotografias | photographs
Paulo Kellerman & Ana Gilbert | Portable link

ilustração flor | flower illustration: Maraia
design: Licinio Florêncio
caixa artesanal | handmade box: Yume Ateliê & Design

Exemplares prontos para cruzar o Atlântico.
Copies ready to cross the Atlantic.

Aisha

a construção das delicadezas.

a ilustração da flor é da Maraia
a materialização da caixa é da Eliana do Yume Ateliê & Design
o design é do Licínio Florêncio

os textos e as fotos são nossos
Paulo Kellerman e Ana Gilbert

as encomendas são pelo email: ana.cbgilbert@yahoo.com

tiragem limitada, exemplares numerados
edição bilíngue [bilingual edition]

FOTOGRAFAR PALAVRAS # 5101

Esta poesia que legas

Como sobreviver a toda a solidão?
Alguém amou o que pressentiu
ou alguém pressentiu o que amou?

Nos seus tentáculos rubros, a derrota
aguenta todo o volátil movimento.

Para que servem estes versos se são
como todos os outros, insondáveis
no corpo solar de um Portugal de mar?

Os dias, em sua ferocidade, iludiram-me;
as noites, em sua violência, acusaram-me.

Esta derrota que distribuis, esta poesia
que legas, sabes, criar a ilusão no mundo
foi profundo e imundo por entre açucenas. 

__________

This poetry you bequeath 

How to survive all loneliness?
Did someone love what they sensed
or did someone sense what they loved?

In its crimson tentacles, defeat
endures all volatile motion.

What use are these verses if they are
like all others, unfathomable
in the solar body of a Portugal of sea?

The days, in their ferocity, deceived me;
the nights, in their violence, accused me.

This defeat you disseminate, this poetry
you bequeath, you already know, to create an illusion in the world
was profound and filthy among lilies.

Fotografar palavras, desde 2016 a espalhar beleza. Projeto do Paulo Kellerman e de toda(o)s nós.

Text|o: João Rasteiro

aisha

Quando Gaza foi invadida e as crianças começaram a morrer, foi impossível não reagir. E reagimos como sabemos: escrevendo, fotografando. Talvez pareça uma reacção simbólica, mas é a nossa. E é visceral.
Aisha é uma criança. Aisha representa a incompreensão, a incredulidade, a revolta que ainda contém alguma esperança.
Aisha já morreu mais de quinze mil vezes.

Aisha é um livro que representa a nossa incompreensão, a nossa incredulidade, a nossa revolta que já não contém esperança.

23 textos de Paulo Kellerman
23 fotografias de Ana Gilbert
Ilustração flor | Maraia
Design | Licínio Florêncio
Caixa artesanal | Yume Ateliê & Design

edição limitada e numerada (50 exemplares)
encomendas por mensagem.


When Gaza was invaded and children began to die, it was impossible not to react. And we reacted as we know how: by writing, by photographing. It may seem like a symbolic response, but it is ours. And it is visceral.
Aisha is a child. Aisha embodies incomprehension, incredulity, revolt—still laced with some hope.
Aisha has died more than fifteen thousand times.

Aisha is a book that embodies our incomprehension, our incredulity, our revolt—now stripped of hope.

23 texts by Paulo Kellerman
23 photographs by Ana Gilbert
Flower illustration | Maraia
Design | Licínio Florêncio
Handmade box | Yume Ateliê & Design

numbered edition (50 copies)
orders: direct message

Instante

“Cada coisa tem um instante em que ela é”.

Clarice Lispector (Água viva)

Clandestino

Na penumbra da tarde,
o mundo morto,
a meu passo, despertava.

Não era o amor
que eu procurava.
Buscava o amar.

Na casa em ruínas,
te despias
para que me deixasse cegar.

Voz transpirada,
suplicavas que te chamasse no escuro.

Em ti, porém,
eu amava
quem não tem nome.

Na casa arruinada
te amei e te perdi
como a ave que voa
apenas para voltar a ter corpo.

Na penumbra da tarde,
tu me ensinaste a nascer.

Na noturna claridade
me esqueci
que nunca havias nascido.

Mia Couto [poemas escolhidos]