
“Tu és o encoberto lado
da palavra que desnudo”
Mia Couto [poemas escolhidos]

“Tu és o encoberto lado
da palavra que desnudo”
Mia Couto [poemas escolhidos]

“Pensar que a gente cessa é íngreme. Minha alegria ficou sem voz.”
Manoel de Barros (Livro sobre nada)



Do encontro e da cumplicidade entre palavras e imagens.
Um enorme obrigada ao Breve Leonardo por esta sintonia espontânea, delicada e bela.
sabe a poema inocente
o murmúrio de luz que
se inclina nas manhãs raras
estas – onde corpo ainda está aberto ao mundo – esta
onde o corpo acorda sereno,
não resiste.
por assim dizer,
a espessa álgebra do dia ainda não se fez sentir na rotina inquieta
da voz – como osso dormente e demais,
no corpo.
por assim dizer,
nesta manhã rara
as diminutas sílabas – soltas da palavra – ainda não ocupam espaço
como a pedra brisa
ou cinza vaga que
suspensos
sabem a poema. sabem
a luz ou poema – tão intacto
inocente.

Sustentar a poesia
2022

“Qual é, afinal, a diferença entre vento e poesia?”
O gato e o vento, de Paulo Kellerman, na Antologia Minimalista (2020)

“estou a plantar florinhas nas cavidades
dos olhos para não ver mais para ver jardins”
Valter Hugo Mãe (Publicação da mortalidade)


“e as palavras que ninguém quis
silenciaram a festa do meu corpo”
(Alice Vieira)

“Como se a poesia fosse a linha mais curta entre duas almas.”
(Pedro Machado)

“Sobrevivo, mas é insensatez.”
Lya Luft (O lado fatal, Siciliano, 1991)

“como enxergar, se só temos olhos?”
Palavras | Luiz Ruffato (As máscaras singulares)

“És poesia,
que passa na praça,
apressada,
instante nos meus olhos.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Jorge Gomes Pereira
Foto | Ana Gilbert

Palavras | Helder Magalhães (Nunca estiveste aqui, Edições Húmus, 2020)


“I have saved this afternoon for you”
Palavras | T.S. Eliot (Portrait of a lady)

Valter Hugo Mãe (Publicação da mortalidade)




“Desligo-te.
A vaga ideia de ti, paira
como um novelo de ontens.
Promessas de páginas confinadas na agenda.
Da mão, caem-me as massinhas da canja
que te faria amanhã.
Baralham-se as letras,
Esqueço o teu nome.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Pale Pink
Fotos| Ana Gilbert

“já há um relâmpago ao
invés do homem
que combate à noite
a tua ausência “
Valter Hugo Mãe (Nava, Publicação da mortalidade)

“Porque o barro que nos compõe,
é esse que nos desintegra.”
Luiz Ruffato (As máscaras singulares)

“sou um momento de espera, quase um fim de solidão”
Palavras | Lya Luft (Mulher no palco)