
quem deixou sobre o coração
um feixe de luz
cega nunca
Valter Hugo Mãe (Publicação da mortalidade)

quem deixou sobre o coração
um feixe de luz
cega nunca
Valter Hugo Mãe (Publicação da mortalidade)

Ser alma gentil com fogo nas asas.
Palavras | words: Jorge VAz Dias



FOTOGRAFAR PALAVRAS é um projeto especial, criado pelo querido Paulo Kellerman em 2016, e que continua a empolgar e surpreender com as múltiplas imagens que as palavras revelam. Um orgulho enorme fazer parte do coletivo. Participar é sempre uma declaração de amor ao projeto.
[Fotografar palavras is a special project, created by dear Paulo Kellerman in 2016, and it continues to excite and surprise with the multiple images that words reveal. I’m immensely proud to be part of the collective. Participating is always a declaration of love for the project.
Today’s collaboration is with my friend Fred Fullerton | Photos by me]
——-
Amor como um Enigma
O amor
permanece um enigma
para muitas pessoas
porque ele pode trazer infinita
alegria para uma pessoa
e um sofrimento devastador
para outra.
O amor
pode acender
instantaneamente
quente e intenso
como um incêncio
e então extinguir-se
num instante
deixando em seu rastro
um deserto de aflição
e luto.
O amor
pode confundir e sobrecarregar
aqueles que lutaram
e falharam nesse trio
clichê-
casamento
separação
divórcio
enquanto testemunham casais
que se apaixonaram jovens
e permaneceram apaixonados
devotados um ao outro
até a morte.
Outros, ainda, vivem sem
essas buscas e escolhem
a abstinência ascética
ou se acomodam com amizades
coloridas.
Love As An Enigma
Love
remains an enigma
to many people
because it can bring infinite
joy to one
and devastating misery
to another.
Love
can flare
instantaneously
hot and intense
as a wildfire
then burn itself out
in a flash
leaving in its wake
a wasteland of woe
and mourning.
Love
can puzzle and burden
those who’ve floundered
and failed in that clichéd
trifecta—
marriage
separation
divorce
while witnessing couples
who fell in love young
and remained in love
devoted to each other
until they died.
Still others do without
such quests and choose
ascetic abstinence
or settle with friendships
with benefits.

quero tocar-me.
a minha pele
onde guardo as memórias,
(quais?)
nela, o que sei de mim
toco-me.
deslizo dedos
molhados de saliva
e a pele é animal arisco
arrepia-se, elétrica
(tesão)
toco-me
presença feita de luz
é superfície trêmula contra a pele quente
(sinto)
invento lembranças marcas gozos
e flores
toco-me.
do jeito que sabes
perto da janela
(esvoaçante)
exposta a olhares
em ritmos aquosos
palpitantes
(presença entumescida)
toco-me
na madrugada insone
silenciosa
percorro relevos
rios e fontes
mergulho profundo
(respiração entrecortada)
reverbero em camadas
suspensa
e existo em mim.
[poema apresentado no Sarau Maroto | Lisboa 18 Out 24]


Uma das coisas mais bonitas da arte são os diálogos que ela permite. É sempre um prazer e uma honra descobrir que meu trabalho inspira outros artistas.
Desenho por Anxiety Rush, artista que passeia pela música, fotografia e desenho.




“Leva-me pela mão e o vento irá.”
[o belo poema de Jorge VAz Dias]


“Estava vendo um silêncio que tem a profundidade de um abraço.”
Clarice Lispector (A paixão segundo G.H.)



O Sol quando se põe, desce devagar e sem pressa, mas mais depressa do que quando nasce, a queda é sempre mais veloz.
The Sun, when it sets, descends slowly and without haste, yet swifter than when it rises; the fall is always faster.
Texto | Text: Sara Viscondessa
Fotografia | Photography: Ana Gilbert
—————
O nosso querido projeto FOTOGRAFAR PALAVRAS é uma criação do amigo Paulo Kellerman, que edifica diariamente (com muito trabalho e arte) esta moldura onde podemos existir com as nossas obras e as de outra(o)s artistas.
Desde 2016.
Visitem!


Juramento
Hei-de aprender a fazer jardins
dentro dos meus olhos.
Cumprido
Colho as tuas flores de sol
dentro dos meus olhos.
Poemas de Joana M. Lopes, do livro Demolição (Ideia-Fixa, 2023)
Porque a dor, a morte, a ruína, o desespero, a falta também são feitos de beleza.

Melancholy
Voices and memories
linger among leaves
swaying in evening’s breeze
Yet fade as dusk descends
leaving silence in its wake
and a sense of loss
Nothing remains
as it once was
but what follows is fear.
A beautiful poem by Frederick Fullerton

“We kiss in slow motion.”
Anne Carson (Glass, Irony & God, 1995)

Quantos véus terei de despir para me descobrir inteira?

entrega. a dúvida que nos separa.
[parceria com Frankie Boy]