A secagem seguiu a lavagem O ciclo da limpeza deixava-a impaciente, como quem compra champô de lêndeas e, com um pente fino, escova o cabelo da raiz à ponta.
Queria brincar de observadora mas a porta não era de vidro nem tinha papel.
Se isto não acabar em 5 minutos tudo morre. Ficou mas não ficou. Acaba de secar no hotel.
Isso foi o jeito dela me dizer: e tudo não morreu na passagem lenta do tempo sem piruetas.
Catavento de papel para apanhadoras de tulipas nova-iorquinas
Os buses vermelhos na nuca crespa dos arvoredos carapinhudos
Onde os deuses dão umbigadas aos marsupiaizinhos.
Musseques e mussiros.
Paper pinwheel for New York tulip catchers
Red buses on the curly nape of the bushy treetops
Where gods bump bellies with tiny marsupials.
Musseques and mussiros.
Fotografar Palavras, coletivo artístico, criado pelo Paulo Kellerman, que amplifica talentos, promove encontros e parcerias. E, principalmente, alimenta afetos. Diariamente, desde 2016.
“Meu corpo em face do corpo da imagem, meu corpo ser até chamado por este outro corpo (passado, desaparecido) cuja imagem convoca, ou me faz convocar, a sensação.”
Como se estivéssemos sentadas Nas escadas da casa do bairro A cumprimentar as aldeãs aprilinas Nácares perolizantes cabelo de copas e espadas Preso com um gancho a lembrar os países que ainda não conheço.
Estadualizei o carpo negro na cruz opalina que levavam ao peito Só a minha linchagem era de cor anilada Enrugamento no céu da boca
E pestanejámos palavras nimbadas enquanto os castores e as rosas-de-toucar azulinavam os valetes e as damas e toscanejavam num murmúrio verdeal.