procuro-te

procuro-te nas sombras
desenho-te de olhos fechados
sinto a brisa que me envolve
quase como um abraço.

Andreia Peixoto (Inquietação)

Contrabandista

Triturei os últimos dias
dispu-los numa linha
e inalei-os como cocaína

A felicidade pode ser endógena

Os dias,
substâncias químicas:
uma droga.

E eu encontrei um bom dealer.

Ana Sofia Elias (Uca, 2024)

[ensaio com a Ana Sofia Elias]

O meu nome

Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem os lábios
sopra-o com a suavidade
de uma confidência
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça

Mia Couto [poemas escolhidos]

Carrousel

Carousel

Limitamo-nos a desejar, estamos sempre prisioneiros de um desejo qualquer; e, por vezes, até vamos atrás dele, perseguimo-lo perseverantemente; mas chegamos lá e não é nada daquilo, encontramos apenas uma decepção. Ou até é aquilo que queríamos, que procurávamos; mas, no fundo, é irrelevante. Porque começamos logo a desejar outra coisa qualquer.

***

We limit ourselves to desire; we are always held captive by one desire or another; and sometimes we even go after it, pursuing it relentlessly; but when we reach it , it is nothing like what we imagined, we find only disappointment. Or perhaps it is precisely what we wanted, what we were looking for; yet, deep down, it proves to be irrelevant. Because almost immediately we begin to desire something else.

Paulo Kellerman

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