Olhar

Este foi o começo: um olhar atento para a arquitetura do corpo. Tão sedutor quanto preciso. Pensou.

This was the beginning: a close look at the architecture of the body. As seductive as precise. She thought.

6 anos de sutilezas…

SUTILEZAS DO OLHAR | 6

Mais um ano… mais pessoas que se aproximam… e isso faz todo o trabalho valer a pena.

Um obrigada gigante a quem se mantém por perto e frequenta regularmente esta minha casa… mas também a quem se aventura e chega aqui por acaso ou acidente, mesmo que não se demore. Porque este espaço só se completa com a sua presença e o seu olhar. Espero que faça sentido…

Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa. Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre
.” (Manoel de Barros)

Fotografar palavras # 4183

Vou à janela nas noites escuras, ouço o vento. Espero. Um mês é um sopro. Anos são pó nos desígnios da missão que tracei.  

I go to the window on dark nights, listen to the wind. I wait. A month is a breath. Years are dust in the paths of the mission I have traced.

Fotografar palavras, projeto do Paulo Kellerman e de todos nós.

Texto | Text: Andreia Azevedo Moreira
Fotografia | Photograph: Ana Gilbert

Esclarecimento

A mulher desdobra lentamente a lona e prende-a à parede. Muita gente passa ali àquela hora, mas quase ninguém repara na mulher e na sua lona, onde está escrito “liberdade confunde-se com vulnerabilidade”. Durante algum tempo, as pessoas continuam a passar, a lona continua a ser ignorada. Até que a mulher se começa a despir, até ficar completamente nua. E de repente a lona passa a ser lida; e a fazer sentido.

Clarification

The woman slowly unfolds the canvas and secures it to the wall. A lot of people pass by at that hour, but almost nobody notices the woman and her canvas, where it says “freedom is confused with vulnerability”. For some time, people continue to pass by, the canvas continues to be ignored. Until the woman begins to undress, until she is completely naked. And suddenly the canvas is read; and makes sense.

Paulo Kellerman

Portable Link: a dialogue between photography and literature

Sombra

os meus olhos estão cegos para o mundo sem ti.

my eyes are blind to the world without you.

Sombra (excerto)

A respiração do tempo [contos]
Minimalista, 2022

Lançamento

Ontem, no m[i]mo – museu da imagem em movimento, aconteceu a apresentação do livro GEOGRAFIAS CORPORAIS, com o Paulo Kellerman. Não poderia ser mais significativo: apresentar este livro na sala onde decorre a exposição do Fotografar Palavras, projeto que deu início a esta parceria e amizade.
Obrigada a quem participou!

Fotografar palavras # 4087

A respiração é um mecanismo. O batimento regular do coração é um mecanismo. O orgasmo é um mecanismo. O arrepio da pele é um mecanismo. A digestão da comida é um mecanismo. Dormir é um mecanismo. Acordar é um mecanismo. Sonhar é um mecanismo. O corpo é feito de mecanismos; e ainda assim, por vezes a máquina consegue ser humana.

[Breathing is a mechanism. The regular beating of the heart is a mechanism. An orgasm is a mechanism. The shivering of the skin is a mechanism. The digestion of food is a mechanism. To sleep is a mechanism. Waking up is a mechanism. Dreaming is a mechanism. The body is made of mechanisms; and yet, sometimes the machine manages to be human.]

Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photograph: Ana Gilbert

Fotografar palavras , dose diária de arte.

Sempre

A vida será sempre sonho.

[Life will always be a dream]

A respiração do tempo (Minimalista, 2022)

Fotografar palavras # 4041

“Será que se deixarmos de falar da tristeza ela desaparece? Cessa de existir? Será que é a nossa voz que dá existência à tristeza, como a nossa respiração numa manhã de frio causa pequenas nuvens de vapor à nossa frente? A tristeza existe porque, simplesmente, respiramos?”

[If we stop talking about sadness, does it disappear? Does it cease to exist? Does our voice give sadness existence, like our breath on a cold morning causes little clouds of vapor in front of us? Does sadness exist because we simply breathe?]

Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: Ana Gilbert

FOTOGRAFAR PALAVRAS, o bonito projeto criado pelo Paulo Kellerman e recriado por todos nós. Diariamente, desde 2016. Uma produção bilíngue.

A hora

existe sempre a hora do dia em que se fecha no seu casulo de luz.

Nefelibata

nefelibata
pessoa que tem Google Drive, OneDrive e Dropbox. Por vezes, Cloud Drive.

[nefelibata
a person who has Google Drive, OneDrive and Dropbox. Sometimes, Cloud Drive.]

Sonhando rajadas

O livro A chama de Adrião Blávio (2020), de Joana M. Lopes, é hipnótico em sua beleza poética e cortante. É inesgotável na capacidade de suscitar imagens em mim. A cada leitura, uma torrente de possibilidades imagéticas se apresenta e, eventualmente, sinto vontade de coagular uma delas em fotografia. Como agora. Mesmo sabendo que é apenas uma leitura parcial e imprecisa de algo muito maior.

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Sonhando rajadas

Dissolução e êxtase. Verdade ancestral, antes do pensamento. Pássaros com olhos feitos de vento. Asas sou e nuvens e um bico flamejante atravessando um tecto em absoluta expansão. É o perfume da Tília que se espalha, é o pólen que em ti dança e explode, Lázara, hipnótica brisa na seara. Toco-te em toda parte, pois és em todo o lado. Orgia intocável do tudo. Pulmões como grutas insufladas do teu nome. Vento inaugurando o mundo. Respiro-te, Lázara: hálito quente, palpitação carnívora, eco cardíaco repercutido no ar. Rajada absoluta onde me desagrego.