
“O tempo dizia tudo.”
Excerto de ÁGUA COM AÇÚCAR, romance de Ana Miguel Socorro.
Uma publicação Minimalista

“O tempo dizia tudo.”
Excerto de ÁGUA COM AÇÚCAR, romance de Ana Miguel Socorro.
Uma publicação Minimalista

DOEM-ME AS ASAS
Uma das qualidades que me encanta na escrita da Mónia Camacho é a sua capacidade de criar ‘espaços’ entre as palavras que se percebem de forma sutil, indiciária. Esses espaços se abrem ao leitor e permitem que ele se espalhe; que os explore e percorra, criando suas próprias paisagens, vislumbrando outros mundos possíveis. E no romance Doem-me as Asas não é diferente: esta qualidade está presente de forma marcante, em especial nas frases curtas que a Mónia tão bem cria e faz uso. Frases que dizem muito mais do que se pode ler nas palavras impressas.
Ao avançar na leitura do romance, vou aos poucos registrando diferentes camadas que guiam o meu olhar. Camadas que se entrelaçam, sobrepõem ou seguem paralelas. Uma primeira camada é a do enredo propriamente dito, e que me leva a mergulhar na história que carrega um tom de ficção científica, ou de fantástico. Mas, principalmente, uma história que fala do sentir humano e que vai além dos rótulos.
Em simultâneo, percebo uma segunda camada que traz uma angústia subliminar porque toca de forma incisiva no que me parece ser um ‘futuro atual’. Apesar do texto ter sido escrito muito antes da pandemia do novo coronavírus e se referir a um futuro impreciso, ele traduz percepções que me ocorrem diante do nosso cenário hoje: término de um mundo conhecido, esgotamento de um excesso de racionalidade que se conecta à perda de certos valores humanos, relação íntima entre capitalismo, desastre ambiental e produção de ideias e imagens demasiado contundentes, tais como refugiado, imunidade, cisão do mundo.
Diante dessas reflexões sobre a nossa existência, deparo-me com a terceira camada: a de uma viagem interna em que a personagem feminina, Glória, vai em busca de conexão, de (re)encontro consigo mesma, guiada por uma imagem produzida por uma instância autônoma, fora da sua consciência. E é essa busca por compreender a imagem que a torna uma presença fundamental na (re)construção de uma outra forma de mundo, ou de consciência.
Há, ainda, uma quarta camada, a camada das referências (afetivas, talvez) não apenas literárias, mas artísticas de modo geral. Como pequenas marcações que me guiam no percurso da leitura e que trazem questionamentos sobre a arte e a escrita, sobre o papel e a importância da imaginação e da criatividade como sustentáculos da vida psíquica.
Os textos da Mónia traduzem a sua curiosidade pelo humano. O romance avança pela trajetória da nossa condição de seres individuais e coletivos e da responsabilidade pela forma como nos relacionamos com a alteridade; desdobra os desejos de luz e sombra, de vida e morte que nos habitam. Lembra-nos de que somos feitos de matéria opaca e transcendência. De efemeridade e eternidade.
Uma publicação Minimalista
[intervenção em fotografia]

“As noites eram, ao mesmo tempo, terríveis e magníficas.
O céu brilhava em estrelas infinitas. E a beleza raramente é em vão.
A sensibilidade é um dos maiores indicadores de evolução; e captar a beleza é o primeiro passo para o desenvolvimento humano.”
Excerto de DOEM-ME AS ASAS, o novo romance de Mónia Camacho.
Uma publicação Minimalista
CONVERSAS MINIMALISTAS
3 de julho de 2021, às 15 horas (19 horas em Portugal)
Neste primeiro evento Minimalista, vamos conversar sobre o romance da Mónia Camacho, DOEM-ME AS ASAS.
Percepções, pensamentos, emoções, questionamentos… Vamos partilhar com a autora o que o livro nos provoca. O evento será pelo zoom.
Quer participar? É só se inscrever gratuitamente pelo e-mail: minimalista.editora@gmail.com
O livro já está disponível para venda no Brasil!


4 anos de sutilezas…
Estes são tempos difíceis… e a arte tem sido uma grande companheira. Muita coisa aconteceu neste ano: palavras, imagens, entrelaçamentos, parcerias… uma editora, a Minimalista.
O meu agradecimento aos que percorrem comigo este caminho; aos que me afetam e se deixam afetar pelo meu olhar…
“todas as guerras estão | infectadas pela | expectativa do amor”
(Valter Hugo Mãe, Publicação da mortalidade)


“Todas as travessias são conexão.”
DOEM-ME AS ASAS, romance de Mónia Camacho
Uma publicação Minimalista.

Uma imagem para um excerto de ÁGUA COM AÇÚCAR, romance de Ana Miguel Socorro
Quarta publicação da editora Minimalista


(encomendas pelo e-mail: minimalista.editora@gmail.com)




E mais um caminho… ÁGUA COM AÇÚCAR, de Ana Miguel Socorro
encomendas pelo e-mail: minimalista.editora@gmail.com



A ANTOLOGIA MINIMALISTA já chegou ao Brasil.
12 contos, 12 autores, 12 estilos
encomendas pelo e-mail: minimalista.editora@gmail.com



A Minimalista alçou voo… um voo bonito… o nosso terceiro livro está quase pronto… em breve, partilho com vocês.

FLORBELA | romance de Sandrine Cordeiro
Uma edição Minimalista
“Um enigmático livro verde é inesperadamente descoberto debaixo de um cadeirão; e é esta descoberta, tão banal quanto misteriosa, que encerra a possibilidade de transformar o quotidiano. Duas mulheres, mãe e filha, passam a reunir-se em tempos e espaços distintos, aproximadas e unidas pelo misterioso livro.
Florbela é uma estória de encontros e desencontros, de possibilidades e perdas, de acasos e mistérios, de subtilezas e descobertas, de palavras e silêncios. Uma estória de buscas: do eu, do outro, de um sentido. Uma estória que se vai revelando como um puzzle construído peça a peça, onde nem tudo faz pleno sentido, nem tudo tem explicação, nem tudo encaixa. Como na vida.”
Paulo Kellerman
(encomendas pelo e-mail: minimalista.editora@gmail.com)
