Almas Desligadas e Outras Histórias | Exposição |

Na exposição Almas Desligadas e Outras Histórias, Ana Gilbert apresenta três fragmentos de seu trabalho que dialogam entre si de forma natural. São autorretratos, recortes de esculturas em mármore e uma série de fotos de excertos do livro Serviços Mínimos de Felicidade, escrito pelo autor português Paulo Kellerman, numa bonita parceria entre fotografia e literatura.

Todas as obras estarão à venda na Galeria Indoor a partir da noite de abertura, no dia 12 de abril.

Galeria Indoor | Produção: Rococó Clean

Femininos pessoais | Autorretrato

Exposição Femininos pessoais | Autorretrato

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Exposição Femininos pessoais | Autorretrato

Exposição coletiva FEMININOS PESSOAIS | AUTORRETRATO
24 fotógrafas que utilizam o autorretrato como suporte de expressão.

Centro Cultural Justiça Federal | Rio de Janeiro
Abertura dia 19 de março de 2019, às 19 horas
Visitação 20 de março a 28 de abril de 2019 | terça a domingo, das 12 às 19 horas | Galerias do 2º andar

Curadoria Rococó Clean

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Nasci e moro no Rio de Janeiro, Brasil. Em paralelo às minhas atividades como psicóloga clínica e pesquisadora, desenvolvo trabalho autoral em fotografia. O gosto por essa forma de expressão artística surgiu a partir de estudos sobre o olhar, ligados à pesquisa acadêmica, como forma de testar novas perspectivas e de desafiar o risco sempre presente de cristalização e declínio da criatividade daí decorrente.

O interesse por imagens, palavras e imaginação, ferramentas do meu ofício, levou-me a trabalhar com o entrelaçamento entre fotografia e literatura. Corpo, dança (movimento) e fragmentos são temas que me são caros e neles me aprofundo em busca de desdobramentos narrativos.

As fotografias que fazem parte desta exposição integram ensaios de autorretratos. A escolha desse suporte de expressão tem como objetivo experimentar o corpo como ficção na sua relação com o mundo: a fluidez dos contornos do eu, a reverberação desses contornos no espaço, a possibilidade de contato com o outro. Corpo como ‘presença’ capaz de impactar outros corpos e os sentidos; corpo ficcionado que interpela e afeta.

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Sutilezas

Auto-retrato 25

Recolho sutilezas que ninguém vê.
Com elas, construo meu mundo invisível, profundo e triste.
Com elas, existo em esperança de desapegos,
em poesia pura,
em cicatrizes desenhadas.

Fotografar palavras # 1621

Adormecia 3

“Adormecia, sempre, na esperança de que ao acordar o mundo aguardasse para ser tocado pela primeira vez. O estado mais puro de tudo. A perceção da inocência da espera que não sabe o que esperar. Respostas isentas de ensaios libertadas pelo que se fez sentir. Talvez, o único momento em que a verdade não saberia ser mentira…Adormecia a procurar no sonho a certeza da vida. A fuga de uma existência confundida na dos outros. E os outros confundidos no que são, retalhados pelo que querem ser, denunciam-se nas palavras privadas dos gestos que as fazem valer. Será que é por sermos tantos num só que vivemos impossibilitados de conhecer o nosso rosto? Aguentaríamos ver quem pensamos ocultar? 

Adormecia sem saber quem encontraria pela manhã. Sem saber qual a memória que lhe iria reger a mente ou quantas batidas lhe permitiria o coração. A imprevisibilidade que desperta o instinto e redescobre as emoções, transformando-nos em seres impossíveis de controlar. A surpresa de irmos onde nunca sequer deixámos encaminhar-se o pensamento. A compreensão do que sempre foi arrevesado. Vazio que aumenta assim que se consegue completar. 

Adormecia… Sossego da alma na calma do corpo…”

Fotografar palavras

Projeto | Paulo Kellerman

Texto | Catarina Vale

4

“Descubro que ser desadaptada é a minha fonte.”

Palavras | Clarice Lispector (A descoberta do mundo)

Dos sonhos…

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“Talvez, afinal, o propósito da vida seja a conservação dos sonhos, sendo os homens meros instrumentos da sua sobrevivência, simples receptáculos. Ou talvez sejam os sonhos, em abstracto, aquilo a que se chama deus.”

Palavras | Paulo Kellerman (As sirenes, Os mundos separados que partilhamos)

Memória do corpo

“Como fazes quando precisas tocar as tuas próprias memórias? Tocar-lhes mesmo, com a ponta dos dedos?”

Palavras| Paulo Kellerman

da palavra à imagem, da imagem à palavra

quero tocar-me.
a minha pele
onde guardo as memórias,
(quais?)
nela, o que sei de mim
toco-me.
mas a pele é inalcançável,
etérea,
presença feita de luz
toco-me.
mas é superfície fria contra a pele quente
(sinto)
invento lembranças marcas feridas
e flores
toco-me.
no lugar onde não posso estar
(presença fugidia)
para, quem sabe,
existir em mim.

Palavras| Ana Gilbert

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[…]
na alma
nem todo vento
sopra na igualdade
na calma
nem todo tempo
se repete de verdade
ou isso só acontece
aqui dentro de mim?

Palavras | Lino Mukurruza (Almas em tácitas)

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“Lê a energia que está no meu silêncio.”

Palavras | Clarice Lispector (Água viva)