
casa












Quando Gaza foi invadida e as crianças começaram a morrer, foi impossível não reagir. E reagimos como sabemos: escrevendo, fotografando. Talvez pareça uma reacção simbólica, mas é a nossa. E é visceral.
Aisha é uma criança. Aisha representa a incompreensão, a incredulidade, a revolta que ainda contém alguma esperança.
Aisha já morreu mais de quinze mil vezes.
Aisha é um livro que representa a nossa incompreensão, a nossa incredulidade, a nossa revolta que já não contém esperança.
23 textos de Paulo Kellerman
23 fotografias de Ana Gilbert
Ilustração flor | Maraia
Design | Licínio Florêncio
Caixa artesanal | Yume Ateliê & Design
edição limitada e numerada (50 exemplares)
encomendas por mensagem.
When Gaza was invaded and children began to die, it was impossible not to react. And we reacted as we know how: by writing, by photographing. It may seem like a symbolic response, but it is ours. And it is visceral.
Aisha is a child. Aisha embodies incomprehension, incredulity, revolt—still laced with some hope.
Aisha has died more than fifteen thousand times.
Aisha is a book that embodies our incomprehension, our incredulity, our revolt—now stripped of hope.
23 texts by Paulo Kellerman
23 photographs by Ana Gilbert
Flower illustration | Maraia
Design | Licínio Florêncio
Handmade box | Yume Ateliê & Design
numbered edition (50 copies)
orders: direct message


“Cada coisa tem um instante em que ela é”.
Clarice Lispector (Água viva)

(em muito boa companhia)

“Perco a consciência, mas não importa, encontro a maior serenidade na alucinação.”
Clarice Lispector (Perto do coração selvagem)


And then I saw you. Do you still remember?

“Todo eu é um esquecimento.”
Emanuele Coccia (Metamorfoses, 2020)

[for Ahou Daryaei]


Ser alma gentil com fogo nas asas.
Palavras | words: Jorge VAz Dias

Untouchable pt. 2 (Anathema)
Why I should feel this way?
Why I should feel this way?
Why I should feel the same?
Something I cannot say
Something I cannot say
Something I can’t explain
I feel you outside at the edge of my life
I see you walk by at the edge of my sight
Why I should follow my heart?
Why I should follow my heart?
Why I should fall apart?
Why I should follow my dreams?
Why I should follow my dreams?
Why I should be at peace?
I feel you outside at the edge of my life
I see you walk by at the edge of my sight
I had to let you go to the setting sun
I had to let you go and find a way back home
I had to let you go to the setting sun
I had to let you go and find a way back home
(When I dream, I see you)
(When I dream, I see you)
I’ve never seen a light that’s so bright
I’ve never seen a light that’s so bright
I’ve never seen a light that’s so bright
Blinded by the light that’s inside
Blinded by the light that’s inside
Blinded by the light that’s inside you
I had to let you go to the setting sun
I had to let you go and find a way back home

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo, tempo, tempo, tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo, tempo, tempo, tempo
Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Entro num acordo contigo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo, tempo, tempo, tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo, tempo, tempo, tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo, tempo, tempo, tempo
Quando o tempo for propício
Tempo, tempo, tempo, tempo
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo, tempo, tempo, tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo, tempo, tempo, tempo
O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Apenas contigo e ‘migo
Tempo, tempo, tempo, tempo
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Não serei, nem terás sido
Tempo, tempo, tempo, tempo
Ainda assim, acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Portanto, peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo, tempo, tempo, tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Canção: A Outra Banda da Terra e Caetano Veloso

Quantos véus terei de despir para me descobrir inteira?

se a natureza seca, a aridez é nossa
se a floresta queima, queimamos nós
se o voo cessa, despencamos nós
morremos
lentamente
de vergonha
de tédio
de cansaço
petrificados
em agonia
insones
inertes
despedaçados
pelo horror
convencidos
de que não somos nós

“Viver é muito perigoso.”
João Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas)

“Eu tinha uma lua recolhida.”
João Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas)

”I said to my soul, be still, and wait without hope
For hope would be hope for the wrong thing; wait without love
For love would be love of the wrong thing; there is yet faith
But the faith and the love and the hope are all in the waiting.”
T.S.Eliot

há sempre uma nova perspetiva por descobrir.
[dia mundial da fotografia]