
em caso de dúvida, dançar. sempre.
[when in doubt, dance. always.]


em caso de dúvida, dançar. sempre.
[when in doubt, dance. always.]

Rede social: onde o peixe é capturado sem perceber que está a ser capturado porque sempre achou que pertencer a um cardume o protegia. Glu glu glu. O peixe devia aprender com a ovelha: fazer parte do rebanho é apenas uma garantia de que será tosquiada; várias vezes. Méééé.
Shearing the Fish
Social network: where the fish is caught without realizing it is being caught, because it always believed that belonging to a school would protect it. Glu glu glu. The fish should learn from the sheep: being part of the flock is merely a guarantee that it will be shorn — repeatedly. Baaaa.


Pina Bausch

Não será possível sobreviver sem contar nossa própria história de outro modo. Sem sonhar de outro modo.
Paul B. Preciado (Dysphoria Mundi)

O primeiro dever de uma mulher escritora é matar o anjo do lar.
Virgínia Woolf


[dialogue series]

O teu vestido tomba
e é uma nuvem.
O teu corpo se deita no meu,
um rio se vai aguando até ser mar.
Mia Couto [poemas escolhidos]

E se fossem os sentimentos a escolherem as pessoas, tal como as pessoas escolhem as casas onde querem viver?
E se as pessoas fossem, afinal, simples casas onde os sentimentos podem habitar?
What if feelings chose people, just as people choose the houses they want to live in?
What if people were, after all, simply houses where feelings could dwell?
Portable Link, projeto com Paulo Kellerman. Um diálogo entre literatura e fotografia, entre imagem e palavra.


Quem não pensa, não sente.
Quem sente, não pensa.
Whoever doesn’t think, doesn’t feel.
Whoever feels, doesn’t think.
Paulo Kellerman & Ana Gilbert

Lê a energia que está no meu silêncio.
Clarice Lispector (Água viva)


Obrigada por tanto.

Respiras devagarinho, não te moves; e o tempo passa por ti, esvai-se, indiferente aos ruídos, aos soluços do mundo. Estamos sós, juntos por um momento que não vai durar o suficiente.
Paulo Kellerman (excerto do conto Morreste: e ainda não sabes)
O livro GASTAR PALAVRAS completa 20 anos de beleza.


o andar do caminho e do trabalho… a duas,, três mãos…
com Sigrid Haikel.

te ver sem te pegar nas redes da imobilidade.
Didi-Huberman, (imagens-ocasiões, 2018)

(com quantas oscilações se desenha o equilíbrio?)


Na publicação # 5403 do FOTOGRAFAR PALAVRAS, a companhia é do belo poema do ~nassr
Lar
Reconheci-te no instante em que te encontrei —
o teu sorriso, rebeldia talhada em alegria contida,
as conversas que murmuravas às folhas de chá,
como se o futuro se escondesse no perfume do vapor.
Conhecia a tua alma muito antes
de a tua pele dizer o primeiro olá.
Não foi fogo, nem carne, nem vertigem,
foi apenas o ver através:
as tuas inseguranças — disfarçadas de armadura,
o teu perfume — um mapa sem destino.
Ergui um lar dentro de ti.
Mas o chão tremia,
o vidro partiu-se sob o nosso peso,
e o lar desfez-se — um fantasma de abrigo,
deixando-me órfão de um lugar onde nunca vivi.
Procurei-te noutros rostos,
derramei-me em corações abertos,
na esperança de que guardassem o eco da saudade.
Mas cada casa onde entrei
era um quarto sem ar,
um corpo sem morada.
Ser refugiado ensinou-me
que os lares não se talham em pedra —
a pedra cede sob o peso do exílio.
Um ano, um lugar,
e recomeça-se.
Mas a alma cansa-se
de paredes que não escutam.
Uma casa pode conter o corpo,
mas é o lar que contém o coração.
E se os lares que ergui nos outros
nunca pudessem suportar o peso da minha alma?
E se todo o coração precisar de repouso,
mas nem todo o lugar o puder acolher?
Talvez o lar não seja um destino.
Talvez seja o instante do reconhecimento,
o breve pulsar onde duas almas murmuram:
“Também eu te procurava.”
***
Home
I recognised you when I met you,
your grin—rebellion carved in quiet joy,
your whispered debates with tea leaves
as if they held your future in their scent.
I knew your soul, long before
your skin introduced itself.
No fire of attraction, no storm of flesh,
but I saw through the layers:
your insecurities—dressed as armor,
your perfume—a map to nowhere.
I built a home within you.
The foundation trembled,
glass fractured beneath our weight,
and suddenly, the home dissolved—
a phantom of safety,
leaving me homesick for a place
I’ve never been.
I searched for you in others,
emptied myself into open hearts,
hoping they’d catch the echo of longing,
but every house I entered
was a room empty of air.
Being a refugee taught me
homes aren’t carved in stone;
stone crumbles under the weight of exile.
One year, one place,
then you build again,
but the soul grows weary
of walls that don’t listen.
A house may hold the body,
but a home holds the heart.
What if the homes I’ve built in others
could not hold my soul’s weight?
What if every heart needs a place to rest,
but not every place can carry the heart?
Perhaps home isn’t a destination.
Perhaps it’s the pulse of recognition,
perhaps it’s the moment two souls whisper,
“I’ve been looking for you, too.”
Texto | Text: ~nassr
Fotografia | Photography: Ana Gilbert
FOTOGRAFAR PALAVRAS, projeto criado pelo Paulo Kellerman em 2016. Lugar para ler e ver devagar. Publicações diárias.