
A tua ausência tornou-te mais real, mais autêntica. Percebes isto?
Text(o): Paulo Kellerman

A tua ausência tornou-te mais real, mais autêntica. Percebes isto?
Text(o): Paulo Kellerman

Era uma vez um professor de filosofia que repete as mesmas ideias turma após turma, como se fosse uma gravação e não estivesse realmente ali, de corpo e alma. A gravação refere-se ao mito de Sísifo. Explica a voz, distanciando-se do corpo, como um certo rei fora punido com o castigo eterno de erguer uma pedra gigante até ao cimo de uma montanha, apenas para depois a ver deslizar montanha abaixo, até ao ponto de partida. Explica a voz, mecânica e sem vida, como o rei repetia aquela tarefa vez após vez, apesar de saber que o desfecho seria sempre o mesmo, e o propósito inútil. Explica a voz, cansada e apática, como aquela conformação do rei em repetir uma tarefa sabendo qual a sua conclusão e irrelevância poderia ser uma metáfora poderosa do destino dos humanos, condenados a repetirem tarefas que não compreendem e não controlam. Explica a voz, desinteressada do que diz, algumas das implicações filosóficas possíveis de especular a partir da postura do rei castigado, e como poderiam ter ressonância em todas as pessoas que as especulassem, incluindo os jovens que se encontram à sua frente.
– E a pedra?
A gravação emperra. A interrupção é inesperada, e a voz vê-se forçada a suspender o discurso automático. Há silêncio na sala de aula.
– Todo o foco está no rei. Mas e a pedra?
A turma agita-se, o professor pede explicações.
-Talvez o protagonista do mito não seja o rei e a sua teimosia absurda. Talvez o que importa realmente seja a pedra, e o seu comportamento. Porque insiste em regressar sempre ao ponto de partida? Não pode ser apenas por força da gravidade ou assim. Isso seria uma explicação científica, e os mitos não são lugares de ciência. Para mim, acho que é por resistência. O rei é teimoso, a pedra é resistente. Ou seja, a pedra tem mais personalidade do que o rei.
É a sétima aula do dia. E a primeira vez que o professor sorri.

Texto do Jorge VAz Dias sobre AISHA, no Jornal de Leiria.
Obrigada, poeta, por mais esta vida de Aisha.
AISHA, colaboração com Paulo Kellerman | Portable Link

















Exposição VARAL FOTOGRÁFICO, com fotografias dos projetos AISHA (com Paulo Kellerman) e LATITUDES (com Cristina Vicente). Na Casa da Lídia, que tem a esplanada mais verde da cidade | Leiria




Ontek foi a inauguração da sexta exposição do projeto FOTOGRAFAR PALAVRAS.
@fotografarpalavras
Obrigada ao Jorge VAz Dias, por estar comigo na intensidade do poema.
Obrigada ao Paulo Kellerman, por agenciar beleza e afetos.
Obrigada ao m|i|mo – museu da imagem em movimento, pela acolhida a cada ano.
E obrigada à Silvia Bernardino, à Elsa Arrais e ao Jorge, por serem meus olhos neste dia festivo. Abraço forte.

The beauty we see day after day acts like dust that accumulates in our eyes and makes our gaze more focused on what really matters. The more we look, the greater the accumulation of dust; and that makes our gaze blind to everything that isn’t beauty.
We unlearn the banal. We unlearn the ugly.
We become blind.
Text: Paulo Kellerman

Hoje, na publicação # 5214 do FOTOGRAFAR PALAVRAS, uma cumplicidade bonita com a Ana Sofia Elias.
Catavento de papel para apanhadoras de tulipas nova-iorquinas
Os buses vermelhos na nuca crespa dos arvoredos carapinhudos
Onde os deuses dão umbigadas aos marsupiaizinhos.
Musseques e mussiros.
Paper pinwheel for New York tulip catchers
Red buses on the curly nape of the bushy treetops
Where gods bump bellies with tiny marsupials.
Musseques and mussiros.
Fotografar Palavras, coletivo artístico, criado pelo Paulo Kellerman, que amplifica talentos, promove encontros e parcerias. E, principalmente, alimenta afetos. Diariamente, desde 2016.








No domingo, 1 de junho de 2025, no @mimomuseu, aconteceu a apresentação do livro “Para onde vai o tempo? Olhares de diferentes geografias”, organizado pela Patrícia Grilo e pelo Paulo Kellerman e editado pela EAPN Portugal / Rede Europeia Anti-Pobreza, Núcleo Distrital de Leiria com o apoio da Câmara Municipal de Leiria.
Além da beleza do livro e do (re)encontro entre os participantes e o público, tive o prazer de assistir a uma potente (ainda que breve) performance da Companhia Teatral Nem Marias Nem Manéis. Ficou a vontade de ver mais.
Deixo aqui um pouco das conversas, dos risos e dos afetos (nos bastidores), coagulados em fotografias.
Obrigada por esses momentos.





O livro “Para onde vai o tempo? Relatos e ficções à volta de contextos de vulnerabilidade”, foi publicado em 2020 pela EAPN Portugal / Rede Europeia Anti-Pobreza, Núcleo Distrital de Leiria, e conta histórias sobre as histórias que são contadas em primeira pessoa.
Aos relatos pessoais escritos por Alice, Beatriz e Jorge, integrantes do Conselho Local de Cidadãos do Núcleo Distrital de Leiria da (EAPN Portugal), juntaram-se as narrativas construídas por escritores, jornalistas, ilustradores e por mim. Numa espécie de costura teórica, escrevi um ensaio sobre o processo de ‘ficcionar-se’, isto é, de construir narrativas no presente sobre a história pessoal, ou sobre algum recorte específico dessa história.
Publicado em 2025 e apresentado no dia 1 de junho, no m|i|mo, em Leiria, o livro “Para onde vai o tempo? Olhares de diferentes geografias” parte dos relatos originais e traz narrativas fotográficas de 48 fotógrafos de 17 nacionalidades associados ao projeto Fotografar Palavras.
O livro é organizado pela Patrícia Grilo e pelo Paulo Kellerman e editado pela EAPN com o apoio da Câmara Municipal de Leiria.
É uma alegria e um privilégio fazer parte também do segundo livro, agora como fotógrafa, e de ter estado presente no lançamento do livro no m|i|mo, como estive em 2020, logo antes da pandemia que tanto nos mudou a vida.
Além dos autores e de alguns fotógrafos participantes, esteve lá a Companhia Teatral Nem Marias Nem Manéis.







Ontem foi bonito. Obrigada a quem veio à Casa da Lídia, em Leiria, e a quem esteve presente em intenção.
Apresentação de LATITUDES, com a Cristina Vicente e inauguração da exposição Varal / Estendal Fotográfico com fotos dos projetos AISHA, com o Paulo Kellerman, e LATITUDES.
fotos: Silvia Bernardino

Cada vez que venho a Portugal, aproveito ao máximo os encontros com os amigos.
Desta vez, para celebrar os projetos AISHA, com o Paulo Kellerman, e LATITUDES, com a Cristina Vicemte, organizamos, em parceria com esse espaço fantástico que é A Casa da Lídia, um varal / estendal fotográfico com fotografias dos dois projetos. Mais um motivo de encontros e afetos.
Inaugura no sábado, dia 31 de maio, às 16 horas, junto com a apresentação do livro Latitudes e ficará por lá à espera da visita de vocês.
Apareçam.
[flyer: Licínio Florêncio]

Fotografias e textos: Cristina Vicente & Ana Gilbert
LATITUDES é resultado de uma cumplicidade entre mulheres, entre fotografia e literatura, entre norte e sul.
Uma cumplicidade de olhares e afetos que vai além das fronteiras geográficas; aproxima as latitudes e traz a circularidade das estações do ano.
Em costura perfeita das nossas estações, o belo posfácio do amigo Paulo Kellerman.
Design do querido Licínio Florêncio
edição limitada e numerada
[bilingual edition]
No sábado, 31 de maio de 2025, estaremos na Casa da Lídia para conversar sobre LATITUDES. Apareçam!

Se repetir a mesma viagem muitas vezes deixarei de distinguir entre a ida e o regresso?
If I repeat the same journey many times, will I no longer be able to discern the departure from the return?”
Text(o): Paulo Kellerman




Aisha
Uma pequena caixa contendo memórias de uma menina e seu pai.
Aisha
Uma pequena caixa que poderia ter sido encontrada entre os escombros de um edifício bombardeado durante uma guerra.
Aisha
Um grito mudo diante do horror da guerra.
——-
Aisha
A small box containing memories of a girl and her father.
Aisha
A small box that could have been found among the rubble of a bombed building during a war.
Aisha
A silent cry in the face of the horrors of war.
(Bilingual edition)
23 textos | texts, 23 fotografias | photographs
Paulo Kellerman & Ana Gilbert | Portable link
ilustração flor | flower illustration: Maraia
design: Licinio Florêncio
caixa artesanal | handmade box: Yume Ateliê & Design
Exemplares prontos para cruzar o Atlântico.
Copies ready to cross the Atlantic.



a construção das delicadezas.
a ilustração da flor é da Maraia
a materialização da caixa é da Eliana do Yume Ateliê & Design
o design é do Licínio Florêncio
os textos e as fotos são nossos
Paulo Kellerman e Ana Gilbert
as encomendas são pelo email: ana.cbgilbert@yahoo.com
tiragem limitada, exemplares numerados
edição bilíngue [bilingual edition]

Com Paulo Kellerman