Fotografar palavras, um projeto bonito e generoso, criado pelo Paulo Kellerman em 2016, e que reúne artistas dos mais variados estilos em diálogos criativos.
quero tocar-me. a minha pele onde guardo as memórias, (quais?) nela, o que sei de mim toco-me. deslizo dedos molhados de saliva e a pele é animal arisco arrepia-se, elétrica (tesão) toco-me presença feita de luz é superfície trêmula contra a pele quente (sinto) invento lembranças marcas gozos e flores toco-me. do jeito que sabes perto da janela (esvoaçante) exposta a olhares em ritmos aquosos palpitantes (presença entumescida) toco-me na madrugada insone silenciosa percorro relevos rios e fontes mergulho profundo (respiração entrecortada) reverbero em camadas suspensa e existo em mim.
[poema apresentado no Sarau Maroto | Lisboa 18 Out 24]
if nature dries up, the aridity is ours if the forest burns, we burn if flight ceases, we plummet we die slowly of shame of boredom of exhaustion petrified in agony sleepless motionless shattered by horror convinced that it’s not us
se a natureza seca, a aridez é nossa se a floresta queima, queimamos nós se o voo cessa, despencamos nós morremos lentamente de vergonha de tédio de cansaço petrificados em agonia insones inertes despedaçados pelo horror convencidos de que não somos nós
And when the questions are over? REIMAGINED is the rewriting and reimagining by Ana Gilbert of the book of poems by Paulo Kellerman E quando acabarem as perguntas?, published in 2022.
42 poems by Paulo Kellerman 44 photographs by Ana Gilbert
4 poems (voice and original text in Portuguese) by Paulo Kellerman + Soundscapes by POROS (via QR Code)
Sete anos do blog, este lugar silencioso por onde as pessoas passam e deixam suas marcas, ainda que não se manifestem. Sim, sinto-as por cá e o anonimato é, de certa forma, fascinante. O blog evoca um tempo sem tempo, a ideia de pausa ou de suspensão, como uma paisagem, onde nos demoramos antes de voltar à estrada.
Obrigada a todas e todos que olham por esta janela, que muitas vezes se vêem refletidos nela, que se permitem pausar e tentar apreender aquilo que nem sempre sei dizer.
“E consumida de linhas Enovelada de ardência Te aguardo às portas da minha cidade.”
Hilda Hilst (Cantares)
Seven years of the blog, this silent place where people pass by and leave their marks, even if they don’t express themselves. Yes, I can feel them here, and the anonymity is, in a way, fascinating. The blog evokes a timeless time, the idea of a pause or suspension, like a landscape where we linger before returning to the road.
Thank you to everyone who looks through this window, who often sees themselves reflected in it, who allows themselves to pause and try to grasp what I don’t always know how to express.