LATITUDES é resultado de uma cumplicidade entre mulheres, entre fotografia e literatura, entre norte e sul. Uma cumplicidade de olhares e afetos que vai além das fronteiras geográficas; aproxima as latitudes e traz a circularidade das estações do ano.
Em costura perfeita das nossas estações, o belo posfácio do amigo Paulo Kellerman.
Ao se observar ao espelho repara no homem atrás dela. O homem está atrás dela para que repare nele quando se observar ao espelho. Observa-se ao espelho apenas para reparar no homem atrás dela. Somente observando-se ao espelho pode reparar no homem atrás dela. Repara que pode observar pelo espelho o homem atrás dela. O homem que está atrás repara que ela se observa ao espelho. O espelho observa que ela repara no homem que está atrás. Observa-se ao espelho e há um homem atrás dela que repara. Só observa o homem que está atrás ao reparar nela no espelho. Observa pelo espelho o homem que repara que está atrás dela. Repara que o homem atrás dela se observa ao espelho. O homem atrás dela repara que é observado pelo espelho? Espelha-se ao ser observada pelo homem atrás que repara nela. Atrás dela, o homem. Ao observar-se ao espelho, repara. O espelho atrás repara que o homem a observa. O homem e ela só se observam porque atrás o espelho repara. Sendo ela repara que o homem atrás a observa pelo espelho. Repara no homem que observa atrás do espelho. Observadora, repara no espelho atrás do homem. Reparem como observa pelo espelho o homem atrás dela! O homem atrás repara no espelho e ela observa. Atrás do espelho o homem e ela reparam e se observam. Observam que ela repara no homem atrás dela pelo espelho? Repara-se quando o homem atrás dela a observa pelo espelho. Observa o espelho atrás do homem. Ele repara nela. Quando reparará que o homem atrás dela a observa pelo espelho? Apenas reparando nela pode observar no espelho o homem que está atrás. Exclusivamente ao espelho pode reparar que é observada pelo homem atrás dela. E o espelho, reparará que ela e o homem atrás se observam? Repara no espelho e observa nele o homem que está atrás dela. Um espelho. Observa-se. Atrás o homem. Repara. Ela se observa. Atrás, o espelho e o homem que repara. Subitamente o homem que está atrás repara que é observado por ela no espelho.
Quando Gaza foi invadida e as crianças começaram a morrer, foi impossível não reagir. E reagimos como sabemos: escrevendo, fotografando. Talvez pareça uma reacção simbólica, mas é a nossa. E é visceral. Aisha é uma criança. Aisha representa a incompreensão, a incredulidade, a revolta que ainda contém alguma esperança. Aisha já morreu mais de quinze mil vezes.
Aisha é um livro que representa a nossa incompreensão, a nossa incredulidade, a nossa revolta que já não contém esperança.
edição limitada e numerada (50 exemplares) encomendas por mensagem.
When Gaza was invaded and children began to die, it was impossible not to react. And we reacted as we know how: by writing, by photographing. It may seem like a symbolic response, but it is ours. And it is visceral. Aisha is a child. Aisha embodies incomprehension, incredulity, revolt—still laced with some hope. Aisha has died more than fifteen thousand times.
Aisha is a book that embodies our incomprehension, our incredulity, our revolt—now stripped of hope.
23 texts by Paulo Kellerman 23 photographs by Ana Gilbert Flower illustration | Maraia Design | Licínio Florêncio Handmade box | Yume Ateliê & Design
numbered edition (50 copies) orders: direct message