
realidade. a linha que nos separa

realidade. a linha que nos separa

Palavras | Helder Magalhães (Nunca estiveste aqui, Edições Húmus, 2020)

“Quando, finalmente, enxergou o que de mim perdeu, viu que de nada vale o que tem…”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Maria João Rocha
Foto| Ana Gilbert

“… a mente cheia, completamente cheia: pedaços de imagens irreconhecíveis e farrapos de sensações difusas misturando-se com fragmentos de passado e vislumbres de futuros que nunca se concretizarão (sonhos, acho que é como lhes chamam), memórias demasiado ténues (perenes, tão perenes que poderão ser imaginadas) de sorrisos e orgasmos e dores e toques e sabores e cheiros e carícias e choros e beijos e sons e mais sorrisos. Tudo indefinido e confuso, em constante movimento caleidoscópico; arrebatando-me e distraindo-me, devorando-me.”
Palavras | Paulo Kellerman (Francisco / Ângela, Chega de fado, Deriva , 2010)






“Talvez seja isso o amor: a sensação de que ainda falta dizer tudo, apesar de tudo já ter sido dito.”
Fotografar palavras
Projeto e texto | Paulo Kellerman
Foto| Ana Gilbert

Uma imagem para um excerto de ÁGUA COM AÇÚCAR, romance de Ana Miguel Socorro
Quarta publicação da editora Minimalista


(encomendas pelo e-mail: minimalista.editora@gmail.com)

Nova parceria :
A cada 15 dias, contos dos autores da Minimalista, na Til Magazine (Portugal)
Espiem só!


“I have saved this afternoon for you”
Palavras | T.S. Eliot (Portrait of a lady)

Recolho sutilezas que ninguém vê…

Valter Hugo Mãe (Publicação da mortalidade)




“Desligo-te.
A vaga ideia de ti, paira
como um novelo de ontens.
Promessas de páginas confinadas na agenda.
Da mão, caem-me as massinhas da canja
que te faria amanhã.
Baralham-se as letras,
Esqueço o teu nome.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Pale Pink
Fotos| Ana Gilbert

“Quando fiz seis anos, fui à escola. Dezassete anos depois, saí.
Sentia-me preparado. E, mais que isso, sentia-me ansioso. Passava os dias à espera que me chamassem, aguardando a minha vez.
Quando já desesperava, convocaram-me.
Nem quis acreditar. Verdadeiramente excitado, cheguei à fábrica e apresentei-me. Depois, tudo se precipitou. Mandaram-me para uma sala onde dezenas de outros aguardavam; começaram a chamar e fomos entrando nas caixas, escuras e apertadas.
Passaram meses. Então, alguém abriu a caixa, pegaram em mim e riscaram-me. Criei fogo. Sopraram-me e morri.
(O meu último pensamento: “Uma vida de preparação para isto!? Acabou tudo? Tão depressa?”).
Palavras | Paulo Kellerman (Miniaturas, Edições Colibri, 2001)



[diálogos]

“Não há abraço que me doa mais do que o silencioso que me amordaça as palavras. Um vilão obscuro das minhas noites. Conheci-o em tempos. Apaixonou-se por mim. Mas eu não correspondo. Visita-me de noite. Peço que não o faça. Ele resiste. Tem um pacto com a noite. A noite tem um preço. O preço de a dormir sem a sentir. Não o consigo pagar. A dívida acumula-se. A minha incapacidade de saldar a dívida tem sido a maior declaração de amor daquele abraço. O abraço silencioso que me amordaça as palavras.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Rita Rosa
Foto | Ana Gilbert

Quando poderemos tocar o céu?




E mais um caminho… ÁGUA COM AÇÚCAR, de Ana Miguel Socorro
encomendas pelo e-mail: minimalista.editora@gmail.com

“A luz da janela
sobe pelas folhas verdes
ao topo das árvores.”
Yosa Buson (A borboleta e o sino)
Tradução: Sérgio Medeiros

“Sabes a mar. Sim, sabes a mar. E quando te beijo sinto-me transportado. Como se cada beijo teu me levasse numa viagem da qual não quero regressar.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Maria João Faísca
Foto | Ana Gilbert