Convulsão

“Ao sinal invisível, os homens começam a disparar. Descarregam as armas, como uma ejaculação coletiva, fruto de um gozo inominável. Uma nuvem de pássaros tinge o azul do céu com gritos vermelhos. As pessoas vão caindo, flor a flor.”

[excerto do conto Convulsão, em A respiração do tempo]

Uma edição Minimalista

Fotografar palavras #3569

“Quando chegaste…
Principiou a alegria das manhãs. Dos sons banais, a composição da mais harmoniosa melodia, que ainda hoje, não me canso de escutar. Na paisagem repetida, a descoberta da beleza, no ínfimo que o olhar conseguia distinguir. Sem ensaios, as palavras num poema. O silêncio a deixar-nos respirar, proferindo o que não precisávamos de dizer. O tempo a esquecer a pressa. A permissão da serenidade existir, na cumplicidade das mãos, que seguravam sem prender…”

[When you arrived…
The morning joy began. From banal sounds, the composition of the most harmonious melody, which even today, I do not get tired of listening. In the repeated landscape, the discovery of beauty, in the smallest which the eye could distinguish. No rehearsals, the words in a poem. The silence letting us breathe, saying what we did not need to say. Time forgetting rush. The permission of serenity to exist, in the complicity of hands, which held without imprisoning…]

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photo: Ana Gilbert

FOTOGRAFAR PALAVRAS

Coordenador do projeto | Project coordinator: Paulo Kellerman

VII

VII
Consegues explicar o amor?

Pergunta ela,
Com um sorriso esperançoso.

Fecho os olhos e abano a cabeça,
Porque há respostas que não podem ser verbalizadas.

Apenas os loucos conseguem explicar o amor,
Porque apenas os loucos compreendem a vida.

Apenas os loucos encontram sentido
No que não tem lógica.

Diz ela,
Com um sorriso decepcionado.

Ou talvez nem chegue a ser um sorriso.

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Can you explain love?

She asks,
With a hopeful smile.

I close my eyes and shake my head,
Because there are answers that cannot be verbalized.

Only mad people can explain love,
Because only mad people understand life.

Only mad people find meaning
In what has no logic.

She says,
With a disappointed smile.

Or maybe it is not even a smile.

Paulo Kellerman (E quando acabarem as perguntas?)

Fotografar palavras #3516

“Aguardo no tempo que se recusa medir. Sem voz, sem gestos, a certeza que nos bastamos apenas por existirmos. E no meu rosto, a luz da ternura do teu olhar…”

[I wait in the time that refuses to be measured. No voice, no gestures, the certainty that we are enough just because we exist. And on my face, the light from the tenderness of your gaze…]

Projeto Fotografar palavras, criado e coordenado por Paulo Kellerman (agora, bilíngue)

Foto minha para o texto da Catarina Vale.

ESTREIA 16/09/2022

Foto: Ana Gilbert

20h, no canal YouTube da FUNARTE. Aqui

emConcretudes Primárias é um filme de dança inédito da Pulsar Cia de Dança em parceria com a Piloto Filmes. A sua criação teve como inspiração a luz, o estudo das cores primárias e as suas interferências/reverberações no movimento, na estrutura de cada um e no brincar com as partes do corpo que se articulam e se conectam. Em um jogo de luz, cores, texturas, superfícies, corpos e movimento se deu a construção da dramaturgia do trabalho. Como, também, na relação com a arquitetura de concreto da Cidade das Artes, espaço cênico da filmagem, onde se revelam espaços, formas e luminosidades, os quais ampliam a percepção e o afetar-se com esse entorno.

FICHA TÉCNICA
Direção: Maria Teresa Taquechel y Saiz e Patrick Zeiger
Composição Coreográfica: Maria Teresa Taquechel y Saiz
Intérpretes criadores: Andréa Chiesorin, Gabriela Jung, Luciano Martins, Maria Teresa Taquechel, Matheus Trindade, Paula Mori, Rachel Canella, Raphael Arah, Victor Pesant e Yuri Fróes de Lima
Assistência de Direção: Raphael Arah
Direção de Fotografia e Câmera: Tomás Camargo
Roteiro: Maria Teresa Taquechel y Saiz, Patrick Zeiger e Victor Pesant
Montagem e Câmera: Patrick Zeiger
Producão: Paula Mori
Som Direto, Desenho Sonoro e Mixagem: João Marcelo Heinz
Trilha Sonora: João Marcelo Heinz e Orlando Massiere
Artista e Intérprete criadora convidada: Gabriela Gonçalves
Consultoria de Figurino: Dréa Nunes
Figurino: Pulsar Cia. de Dança
Visagismo: Bruno Alsiv
Videografismo: João Vilhena
Fotografia Still e Making of: Ana Gilbert
Arte Gráfica e Divulgação: Gabriela Jung
Assistência de Câmera: Coelho Light
Pesquisa em Conteúdos Acessíveis
Direção de Acessibilidade
: Andréa Chiesorin
Roteiro de Áudiodescrição: Andréa Chiesorin e Raphael Arah
Supervisão de Roteiro: Adriana Urpia – A))Darte Acessibilidade Cultural
Consultora de Audiodescrição em Dança: Moira Braga
Intérprete de Libras: Karol Lopes
Poema Sinalizado e Narração: Gabriela Gonçalves
Legendagem: Sérgio Nunes – AD))arte Acessibilidade Cultural
Narração de Audiodescrição
: Adriana Urpia, Gabriela Jung e Raphael Arah
Colaboração de Roteiro de Audiodescrição: Ana Gilbert, Gabriela Jung, Gabriela Gonçalves, Maria Teresa Taquechel e Paula Mori
Gravação e Edição de Audiodescrição: Sérgio Nunes – AD))arte Acessibilidade Cultural e
Maurício Gaetani – Maestro Áudio
Núcleo de Pesquisa de Conteúdos Acessíveis em Dramaturgia do Movimento – Escola e Faculdade Angel Vianna e Pulsar Cia de Dança: Andréa Chiesorin, Maria Teresa Taquechel, Moira Braga e Raphael Arah
Produção Administrativa e Financeira: Lucimar Gonçalves
Assistência de Produção: Carol Lemos e Christian Woldmar Cunha
Administração do Projeto: Piloto Filmes
Coordenação Geral: Maria Teresa Taquechel y Saiz