
Costumas lembrar dos sonhos?

Costumas lembrar dos sonhos?











Quando Gaza foi invadida e as crianças começaram a morrer, foi impossível não reagir. E reagimos como sabemos: escrevendo, fotografando. Talvez pareça uma reacção simbólica, mas é a nossa. E é visceral.
Aisha é uma criança. Aisha representa a incompreensão, a incredulidade, a revolta que ainda contém alguma esperança.
Aisha já morreu mais de quinze mil vezes.
Aisha é um livro que representa a nossa incompreensão, a nossa incredulidade, a nossa revolta que já não contém esperança.
23 textos de Paulo Kellerman
23 fotografias de Ana Gilbert
Ilustração flor | Maraia
Design | Licínio Florêncio
Caixa artesanal | Yume Ateliê & Design
edição limitada e numerada (50 exemplares)
encomendas por mensagem.
When Gaza was invaded and children began to die, it was impossible not to react. And we reacted as we know how: by writing, by photographing. It may seem like a symbolic response, but it is ours. And it is visceral.
Aisha is a child. Aisha embodies incomprehension, incredulity, revolt—still laced with some hope.
Aisha has died more than fifteen thousand times.
Aisha is a book that embodies our incomprehension, our incredulity, our revolt—now stripped of hope.
23 texts by Paulo Kellerman
23 photographs by Ana Gilbert
Flower illustration | Maraia
Design | Licínio Florêncio
Handmade box | Yume Ateliê & Design
numbered edition (50 copies)
orders: direct message

ENSAIO SOBRE A AUSÊNCIA é uma obra ficcional, produzida após a morte do meu pai, em dezembro de 2024.
Série fotográfica + conto.
Design do querido Licínio Florêncio.
[download livre]




já há um relâmpago ao
invés do homem
que combate à noite
a tua ausência
Valter Hugo Mãe (publicação da mortalidade)

(em muito boa companhia)

Na penumbra da tarde,
o mundo morto,
a meu passo, despertava.
Não era o amor
que eu procurava.
Buscava o amar.
Na casa em ruínas,
te despias
para que me deixasse cegar.
Voz transpirada,
suplicavas que te chamasse no escuro.
Em ti, porém,
eu amava
quem não tem nome.
Na casa arruinada
te amei e te perdi
como a ave que voa
apenas para voltar a ter corpo.
Na penumbra da tarde,
tu me ensinaste a nascer.
Na noturna claridade
me esqueci
que nunca havias nascido.
Mia Couto [poemas escolhidos]


“Com que luz eu via?”
João Guimarães Rosa (Grande sertão: veredas)

“Sólo hay un medio para matar los monstruos: aceptarlos.”
Julio Cortázar (Los reyes)

Duas Anas numa aeronave improvisada a (des)pilotar a caminho de. Pausa e ponto de interrogação. Tocamo-nos no escuro e iluminamos arquipélagos. Fluida-Mente.
Esta é uma colaboração especial que nasceu de um exercício de escrita orgânico e fascinante entre mim e a Ana e de um lugar de curiosidade mútua.
A(ero)NA(ve)S
{~Texto zipado para desdobrar em imagens~}
e o que queres fazer?
Eros, erótico, está sempre presente na criação
O dedo (in)vísivel
que percorre a pele da palavra
e os poros da fotografia.
Captar o hálito da imagem
e fugir do hábito da palavra
para habitar a palavra
que faz montanhas parirem retratos
|| parir em retratos
o desejo que se vê
dentro da cabana do acento circunflexo
havia fios de trama || ou ele passa por baixo || ou ele passa por cima ||
dos fios de urdume ||
é o jacquard de entre_peles
que nos veste a timidez
e desloca inflexões
– Passa-me um Marlboro. Ali atrás da persiana
(ecoo-me para tocar-te)
O arranha-céus de jacquard rasga o tecto da cabana
Delírio a céu aberto.
*****
[O texto foi escrito a quatro mãos com a Ana Sofia Elias | a foto é minha]

A pele nunca adormece.
The skin never sleeps.
Texto | Text: Ana GIlbert
Fotografia | Photography: Panos Chatzistefanou
Fotografar palavras, projeto criado em 2016 pelo Paulo Kellerman. Dose diária de arte.


A linha que nos separa.

And then I saw you. Do you still remember?





Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem os lábios
sopra-o com a suavidade
de uma confidência
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça
Porque eu cresço para ti
sou eu dentro de ti
que bebe a última gota
e te conduzo a um lugar
sem tempo nem contorno
Porque apenas para os teus olhos
sou gesto e cor
e dentro de ti
me recolho ferido
exausto dos combates
em que a mim próprio me venci
Porque a minha mão infatigável
procura o interior e o avesso
da aparência
porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente de navegar
outro rumo outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos
No húmido centro da noite
diz o meu nome
como se eu te fosse estranho
como se fosse intruso
para que eu mesmo me desconheça
e me sobressalte
quando suavemente
pronunciares o meu nome
Mia Couto [poemas escolhidos], 2006