
“how could we give freedom a form?”
text by Paulo Kellerman
Portable Link | Ello

Desdobrei as palavras da Vera Carvalho pela primeira vez. O resultado desta cumplicidade, na publicação de hoje do Fotografar palavras.
Um projeto do Paulo Kellerman. Um lugar de encontros.
“Não me deixes levantar as madrugadas sozinha
podemos engolir o orvalho juntos, arredondar o escuro
empurrar muros
e quem sabe, cair em lágrimas”



“Tu és o encoberto lado
da palavra que desnudo”
Mia Couto [poemas escolhidos]

“Pensar que a gente cessa é íngreme. Minha alegria ficou sem voz.”
Manoel de Barros (Livro sobre nada)







Do encontro e da cumplicidade entre palavras e imagens.
Um enorme obrigada ao Breve Leonardo por esta sintonia espontânea, delicada e bela.
sabe a poema inocente
o murmúrio de luz que
se inclina nas manhãs raras
estas – onde corpo ainda está aberto ao mundo – esta
onde o corpo acorda sereno,
não resiste.
por assim dizer,
a espessa álgebra do dia ainda não se fez sentir na rotina inquieta
da voz – como osso dormente e demais,
no corpo.
por assim dizer,
nesta manhã rara
as diminutas sílabas – soltas da palavra – ainda não ocupam espaço
como a pedra brisa
ou cinza vaga que
suspensos
sabem a poema. sabem
a luz ou poema – tão intacto
inocente.



A luz toca o espaço; derrama-se na pele.
Locação: Cidade das Artes, Rio de Janeiro


“Nas luzes perdidas da cidade que começa a adormecer
Encontrei-me, subitamente, a despertar.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Mariana Costa
Foto | Ana Gilbert

O coração a bombear luz.

“Palavras numa língua de céus impossíveis.”
José Luís Peixoto (A Casa, a Escuridão)







Notas de solidão e silêncio.