
Prelúdio



“Tu és o encoberto lado
da palavra que desnudo”
Mia Couto [poemas escolhidos]

“Pensar que a gente cessa é íngreme. Minha alegria ficou sem voz.”
Manoel de Barros (Livro sobre nada)







Do encontro e da cumplicidade entre palavras e imagens.
Um enorme obrigada ao Breve Leonardo por esta sintonia espontânea, delicada e bela.
sabe a poema inocente
o murmúrio de luz que
se inclina nas manhãs raras
estas – onde corpo ainda está aberto ao mundo – esta
onde o corpo acorda sereno,
não resiste.
por assim dizer,
a espessa álgebra do dia ainda não se fez sentir na rotina inquieta
da voz – como osso dormente e demais,
no corpo.
por assim dizer,
nesta manhã rara
as diminutas sílabas – soltas da palavra – ainda não ocupam espaço
como a pedra brisa
ou cinza vaga que
suspensos
sabem a poema. sabem
a luz ou poema – tão intacto
inocente.



A luz toca o espaço; derrama-se na pele.
Locação: Cidade das Artes, Rio de Janeiro


“Nas luzes perdidas da cidade que começa a adormecer
Encontrei-me, subitamente, a despertar.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Mariana Costa
Foto | Ana Gilbert

O coração a bombear luz.

“Palavras numa língua de céus impossíveis.”
José Luís Peixoto (A Casa, a Escuridão)







Notas de solidão e silêncio.

Amor. A sombra que nos separa.

“o desejo corta na borda.”
(anônimo)

“as (in)decisões são adubo para o cansaço“
Fotografar palavras
Projeto criado e coordenado por Paulo Kellerman.
5 anos, 3000+ publicações. Dose diária de poesia. Nossa casa.
Texto: Carina Martinho Coelho
Foto: Ana Gilbert