Fotografar palavras #1934

“O tempo perguntou ao tempo
 quanto tempo o tempo tem
e o tempo respondeu ao tempo
que o tempo tem tanto tempo
quanto tempo o tempo tem…”
A lengalenga aprendida na infância, a velocidade das palavras ditas que nos travava a língua, risotas dos disparates, sem tempo pensado para imaginar sequer que esse tempo era um sopro breve, malgasto em futilidades, desperdiçado com inutilidades… Quem passou por quem fomos? Quem está onde somos?…
Clandestinamente chegou-se… sulcou de estórias os traços deixados numa pele feita de tempo.
Vivemos sem pensar, numa pressa vã e quase inglória. Que resta depois da emboscada? A sombra que acompanha desde o início, silenciosa.
Espera pacientemente. Sabe que será.
Sorri. Não tem pressa…

Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Cristina Vicente
Foto | Ana Gilbert