
Olhares



“Simples espera
daquilo que não se conhece
e, quando se conhece,
não se sabe o nome.”
Mia Couto [poemas escolhidos, 2016]

Cego é o que fecha os olhos
e não vê nada.
Pálpebras fechadas, vejo luz.
Como quem olha o sol de frente.
Uns chamam escuro
ao crepúsculo
de um sol interior.
Cego é quem só abre os olhos
quando a si mesmo se contempla.
Mia Couto [poemas escolhidos, 2016]



É sempre uma alegria estrear parceria no projeto FOTOGRAFAR PALAVRAS. Receber o texto, desdobrar algumas das múltiplas imagens que ele contém e coagulá-las em fotografias. Depois, descobrir a autoria ao ver a publicação.
Hoje, o autor parceiro é o Vinícius Dias.
……….
cadernos: palavras de plástico escritas nas asas dos sonhos
notebooks: plastic words written in the wings of dreams
Texto | Text: Vinícius Dias
Fotografia | Photography: Ana Gilbert
……….
Vale a pena lembrar que a exposição FOTOGRAFAR PALAVRAS pode ser visitada até 31 de outubro, no m|i|mo – museu da imagem em movimento, Leiria, Portugal.
Fotografar palavras, projeto criado e dinamizado pelo Paulo Kellerman. Sempre uma aventura poética. Diariamente, desde 2016.



existe sempre a hora do dia em que se fecha no seu casulo de luz.


“Há quem ocupe os lugares vagos, há quem ocupe o lugar que não existe.”
Francisco Resende (Tenham uma boa vida, 2018)

before dissolving


There is a crack, a crack in everything
That’s how the light gets in.
Leonard Cohen (Anthem)


“Mergulho. Mergulho mais fundo ainda e não encontro nada. E no entanto tu existes.”
Raul Brandão (Húmus)
“I dive in. I dive even deeper and find nothing. And yet you exist.”
(my translation)

quantas imagens um espelho pode guardar?


FIMFA Lx24 LA (NOUVELLE) RONDE, de Johanny Bert – Théâtre de la Romette (FR)
[memória de um ensaio]
Teatro São Luiz, Lisboa

“A escrita se faz naquilo que se perde. Ou: no que resta da perda. No excesso.”
Tatiana Salem Levy (Melhor não contar)

FIMFA Lx24 LA (NOUVELLE) RONDE, de Johanny Bert – Théâtre de la Romette (FR)
[memória de um ensaio]
Teatro São Luiz, Lisboa

Foto minha para o belo poema da Isabel Pires.
porque não me canso
da geometria do teu corpo?
why can’t I get enough
of the geometry of your body?
Texto | Text: Isabel Pires
Fotografia | Photography: Ana Gilbert
FOTOGRAFAR PALAVRAS, encontro entre fotografia e literatura. Dose diária de arte, criado em 2016 pelo Paulo Kellerman.
Para visitar e revisitar.





Difícil falar de um pai. Difícil falar de um pai que faz 100 anos.

SUTILEZAS DO OLHAR | 7
Sete anos do blog, este lugar silencioso por onde as pessoas passam e deixam suas marcas, ainda que não se manifestem. Sim, sinto-as por cá e o anonimato é, de certa forma, fascinante.
O blog evoca um tempo sem tempo, a ideia de pausa ou de suspensão, como uma paisagem, onde nos demoramos antes de voltar à estrada.
Obrigada a todas e todos que olham por esta janela, que muitas vezes se vêem refletidos nela, que se permitem pausar e tentar apreender aquilo que nem sempre sei dizer.
“E consumida de linhas
Enovelada de ardência
Te aguardo às portas da minha cidade.”
Hilda Hilst (Cantares)

Seven years of the blog, this silent place where people pass by and leave their marks, even if they don’t express themselves. Yes, I can feel them here, and the anonymity is, in a way, fascinating. The blog evokes a timeless time, the idea of a pause or suspension, like a landscape where we linger before returning to the road.
Thank you to everyone who looks through this window, who often sees themselves reflected in it, who allows themselves to pause and try to grasp what I don’t always know how to express.

“Mesmo a luz de Lisboa
precisa que reparem nela.”
Gisela Casimiro (Giz, 2023)