The Photographer works: A Ballet

Working
in her attic
studio
she
mirrors
a whirling
dervish
swirling
twirling
shuffling
gracefully
gliding
from one spot
to another…

Checking
her camera
re-focusing
testing
too
her lighting
calculating
highlights
shadows
distance

Consulting
a mirror
posing
standing
sitting
squatting
then rising
rising briefly
to a
demi-plié

Her thumb
repeatedly
presses
her
tiny remote
control
and
the shutter
clicks
clicks
and clicks
echoing
with
image
after
image

Satisfied
she stands
triumphantly
arms raised
exhaling
with a whoosh
cheeks
flushed
in a kind of
relevé
like a
ballerina.

Fred Fullerton, 2023

[thank you for your beautiful poem]

——-

A Fotógrafa Trabalha: Um Balé

Trabalhando
em seu estúdio
no sótão
ela
espelha
um
dervixe
rodopiante
girando
rodando
arrastando os pés
delizando
graciosamente
de um ponto
a outro…

Verificando
o foco
da sua camêra
testando
também
a luz
calculando
realces
sombras
distância

Consultando
um espelho
posando
em pé
sentada
agachanda
depois subindo
subindo brevemente
a um
demi-plié

Seu polegar
pressiona
repetidamente
seu
minúsculo
controle remoto
e
o obturador
clica
clica
e clica
ecoando
com imagem
após
imagem

Satisfeita
ela fica de pé
triunfante
braços erguidos
exalando
com um
suspiro
as faces
coradas
em uma espécie de
relevé
como uma
bailarina.

Fred Fullerton, 2023

 

 

 

 

Fotografar palavras # 4467

Liturgias

Poemas são orações que se escutam nas ruínas de um convento
São rezas matinais em busca da salvação
Poemas são murmúrios de monjas enclausuradas
Que escrevem palavras ilegíveis com os pés no chão de pedra
São como credos depositados no altar para dizer a nossa solidão
Poemas são cânticos de louvor entoados por anjos exilados
Em igrejas à espera de libertação
Anunciações de uma verdade pura e redentora
No ventre impossível de uma virgem estéril
Contas de um rosário de Ave Marias
A procurar narrar o mistério do mundo
Poemas são flagelos
Chagas abertas em corpos incomunicáveis e crucificados como o meu
Sem sacrifício ou Agnus Dei profético que o consiga resgatar
Poemas são rituais litúrgicos
Pautas de música gregoriana com o som da tua voz a ecoar dentro de mim
Livro de Salmos de um amor impossível.

Liturgies

Poems are prayers heard in the ruins of a convent
They are morning prayers in search of salvation
Poems are the murmurs of cloistered nuns
Who write illegible words with their feet on the stone floor
They are like creeds placed on the altar to tell of our loneliness
Poems are songs of praise sung by exiled angels
In churches waiting for liberation
Announcements of a pure and redeeming truth
In the impossible womb of a sterile virgin
Beads from a rosary of Hail Marys
Trying to narrate the mystery of the world
Poems are scourges
Open wounds on incommunicable and crucified bodies like mine
With no sacrifice or prophetic Agnus Dei to rescue it
Poems are liturgical rituals
Staves of Gregorian music with the sound of your voice echoing inside me
A book of Psalms for an impossible love.

Texto | Text: Ana Paula Jardim
Fotografia | Photography: Ana Gilbert

FOTOGRAFAR PALAVRAS, este nosso projeto bonito, criado e dinamizado pelo Paulo Kellerman

Mixture of memory

As for me I am neither happy nor unhappy; I lie suspended like a hair or a feather in the cloudy mixtures of memory.

Lawrence Durrell (The Alexandria Quartet)

there

“I stand up and look in the mirror and think: There she is. She’s looking at you.”

Lydia Davis (Examples of confusion)

Estilhaços de luz

Aguardo a hora do dia em que a luz explode sobre a tua pele e me atinge o olhar com os seus estilhaços. O desejo cega-me.

Memórias

certas memórias existem apenas no corpo.

some memories exist only in the body.