¿cómo?

“Sólo hay un medio para matar los monstruos: aceptarlos.”

Julio Cortázar (Los reyes)

Serenidade

“Perco a consciência, mas não importa, encontro a maior serenidade na alucinação.”

Clarice Lispector (Perto do coração selvagem)

A(ero)NA(ve)S

Duas Anas numa aeronave improvisada a (des)pilotar a caminho de. Pausa e ponto de interrogação. Tocamo-nos no escuro e iluminamos arquipélagos. Fluida-Mente.

Esta é uma colaboração especial que nasceu de um exercício de escrita orgânico e fascinante entre mim e a Ana e de um lugar de curiosidade mútua.

A(ero)NA(ve)S

{~Texto zipado para desdobrar em imagens~}

e o que queres fazer?

Eros, erótico, está sempre presente na criação

O dedo (in)vísivel

que percorre a pele da palavra

e os poros da fotografia.

Captar o hálito da imagem

e fugir do hábito da palavra

para habitar a palavra

que faz montanhas parirem retratos

|| parir em retratos

o desejo que se vê

dentro da cabana do acento circunflexo

havia fios de trama || ou ele passa por baixo || ou ele passa por cima ||

dos fios de urdume ||

é o jacquard de entre_peles

que nos veste a timidez

e desloca inflexões

  – Passa-me um Marlboro. Ali atrás da persiana

(ecoo-me para tocar-te)

O arranha-céus de jacquard rasga o tecto da cabana

Delírio a céu aberto.

*****

[O texto foi escrito a quatro mãos com a Ana Sofia Elias | a foto é minha]

Loucura

Madness

Como quebrar a linearidade do tempo, como desafiar o destino, como enganar o futuro e torná-lo mesmo inesperado? Já alguma vez pensaste nisso?

***

How can one break the linearity of time, challenge fate, deceive the future, and make it truly unexpected? Have you ever thought about that?

Paulo Kellerman

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Sopros

Se fosse aguaceiro
Caía em ti como pena
Como cena de filme.
Como película
Que desvenda
Sopros no peito.
Leitos.

*

If I were a downpour
I’d fall on you like a feather
Like a scene from a movie.
Like a film
Unveiling
Breaths in the chest.
Reposes.

Poema| poem: Jorge VAz Dias

Always

A (gentle) reminder to myself: there’s always a new perspective to discover.

Primeiro azul do ano | 2025

O primeiro azul do ano… que se descortina deste meu espaço de criação.
Em 2025, comemoro 20 anos da defesa do meu mestrado, o primeiro degrau na trajetória acadêmica. Ele foi a porta de entrada para as leituras teóricas sobre fotografia e para o meu exercício fotográfico. São também 20 anos de autorretratos.
Neste ano de 2025, há muito o que comemorar… novas parcerias, novos projetos acadêmicos e trabalhos artísticos. E há este espaço, ao mesmo tempo vazio e pulsante, externo e interno, que me desafia a criar e a ir além do que sei de mim.

*****

The first blue of the year… which unfolds from this creative space of mine.
In 2025, I celebrate 20 years since defending my master’s dissertation, the first step in my academic journey. It was the gateway to theoretical readings on photography and to my photographic practice. These are also 20 years of self-portraits.
This year, there is much to celebrate—new partnerships, new academic projects, and artistic works. And there is this empty yet vibrant space, both external and internal, challenging me to create and to go beyond what I know about myself.

Conseguirei?

If I stopped looking at myself in the mirror, would I be able to forget my face? Would I be able to forget how I am, what I am, who I am? Would I be able to forget myself?

Será que se deixar de me olhar ao espelho conseguirei esquecer o meu rosto? Conseguirei esquecer como sou, o que sou, quem sou? Conseguirei esquecer-me?

Texto| text: Paulo Kellerman

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