To translate a book is to rewrite it. To photograph a book is to reimagine it.
And when the questions are over? REIMAGINED is the rewriting and reimagining by Ana Gilbert of the book of poems by Paulo Kellerman E quando acabarem as perguntas?, published in 2022.
Hoje, no FOTOGRAFAR PALAVRAS, a parceria é com o amigo Paulo Kellerman, criador e coordenador deste espaço de conversa entre fotografia e literatura que sentimos como a nossa casa de criação.
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Dentro de mim permanece a minha liberdade, intensa e caótica. Em ebulição permanente. À procura de uma janela.
Within me remains my freedom, intense and chaotic. In permanent ebullition. Looking for a window.
Texto | Text: Paulo Kellerman Fotografia | Photography: Ana Gilbert
Escrever-te um poema pela linha do pescoço abaixo. Acertar pelo ângulo a 90º do teu ombro. Fazer latitude e viajar 100 milhas submarinas. Seres confins do universo e o leito do mar.
Tudo a partir da pele.
[a beleza da liberdade do vento das palavras. Poema de Jorge Vaz Dias]
Poemas são orações que se escutam nas ruínas de um convento São rezas matinais em busca da salvação Poemas são murmúrios de monjas enclausuradas Que escrevem palavras ilegíveis com os pés no chão de pedra São como credos depositados no altar para dizer a nossa solidão Poemas são cânticos de louvor entoados por anjos exilados Em igrejas à espera de libertação Anunciações de uma verdade pura e redentora No ventre impossível de uma virgem estéril Contas de um rosário de Ave Marias A procurar narrar o mistério do mundo Poemas são flagelos Chagas abertas em corpos incomunicáveis e crucificados como o meu Sem sacrifício ou Agnus Dei profético que o consiga resgatar Poemas são rituais litúrgicos Pautas de música gregoriana com o som da tua voz a ecoar dentro de mim Livro de Salmos de um amor impossível.
Liturgies
Poems are prayers heard in the ruins of a convent They are morning prayers in search of salvation Poems are the murmurs of cloistered nuns Who write illegible words with their feet on the stone floor They are like creeds placed on the altar to tell of our loneliness Poems are songs of praise sung by exiled angels In churches waiting for liberation Announcements of a pure and redeeming truth In the impossible womb of a sterile virgin Beads from a rosary of Hail Marys Trying to narrate the mystery of the world Poems are scourges Open wounds on incommunicable and crucified bodies like mine With no sacrifice or prophetic Agnus Dei to rescue it Poems are liturgical rituals Staves of Gregorian music with the sound of your voice echoing inside me A book of Psalms for an impossible love.
Texto | Text: Ana Paula Jardim Fotografia | Photography: Ana Gilbert