Urgência

A caminho do peito denso do mato, rasga as roupas – porque toda a natureza emerge de um ritual de sentidos e é urgente a presença completa do corpo.

Eda e o riso, conto de Joana M. Lopes, na Antologia Minimalista

Minimalista Editora

Serviço Postal | Postais com Estória

Somos os nossos próprios museus. (Paulo Kellerman)

Foto: Ana Gilbert

Serviço Postal – Postais com Estória

Porque vivemos entre palavras e imagens. Porque precisamos de estórias/histórias que alimentem a nossa imaginação. Porque precisamos de afeto. Precisamos de sorrisos, sorrisos que brotam, espontâneos, a cada postal. Precisamos dos abraços (imaginados ou concretos) que trocamos e sentimos quando lemos as estórias/histórias feitas de palavras-imagens, imagens-palavras. Que dizem muito, que dizem tanto.

Porque enviar postais é tudo isso.

Serviço Postal – Postal com Estória é o novo projeto do amigo Paulo Kellerman. E que se torna também nosso.

Obrigada, Paulo, por mais esta aventura na companhia de tantos talentos.

Sonho

“O sonho é a minha casa.”

Paulo Kellerman

Paulo Kellerman: 25 anos de atividade literária, 25 anos a espalhar beleza em forma de palavras-imagens.

Postal comemorativo
Ilustração: Maraia

Fotografar palavras | Exposição #2

A partir de 1 de agosto de 2021, acontece a segunda de 4 exposições do projeto FOTOGRAFAR PALAVRAS, no m|i|mo – museu da imagem em movimento, em Leiria, Portugal.

A iniciativa despretensiosa do Paulo Kellerman de unir escritores e fotógrafos em torno da paixão por texto e imagem revelou-se um projeto duradouro e potente na sua (trabalhosa) simplicidade.
Exercício diário de criatividade desde 2016, o projeto conta hoje com 2928 publicações que podem ser apreciadas no blog de mesmo nome, em sequência temporal ou nas galerias dos diferentes fotógrafos e escritores.
Reúne diferentes estilos e subjetividades artísticas, num ambiente experimental de respeito e liberdade; de profunda cumplicidade entre palavra e imagem.

Apesar de desenvolvido em plataforma virtual, o projeto promove e alimenta relações de amizade e colaboração artística que existem para além das telas dos dispositivos tecnológicos, habitando a dimensão essencial do contato humano e ultrapassando as distâncias geográficas entre os participantes.

Continua a ser um gosto e um orgulho participar. Continua a ser um exercício criativo estimulante e desafiador. Continua a envolver-me em afetos, parcerias e amizades bonitas.

Aguardamos por vocês na exposição.
40 artistas: 20 escritores, 20 fotógrafos

De 1 de agosto a 21 de novembro de 2021.
Abertura: 1 de agosto, às 16 horas
m|i|mo – museu da imagem em movimento

Raio de sol

Um raio de sol espreita pela janela, fere-me a pele. Acordei há muito tempo mas ainda não fui capaz de abrir os olhos; porque quando o fizer, terei que enfrentar o mundo.

Paulo Kellerman (Diz-me o teu nome, pergunta-me o meu, Gastar palavras, Deriva, 2005)

Paulo Kellerman, 25 anos de escritas poéticas

Fotografar palavras #2832

O senhor das meias!

Num mundo de meias vidas e vidas pela metade, ele era o rei e senhor.

Trabalhava pela metade, não fosse ficar demasiado afadigado para o meio dia em que nada fazia. No ginásio havia regateado embolso e por apenas meio preço fazia metade dos exercícios, uma parte dos quais eram realizados em observação criteriosa das moças inteiras que vestiam pela metade e deambulavam pelo sítio.

Sempre que ia às compras despendia meio tempo a analisar folhetos de promoções e comprava metade do que fazia falta, outra metade do que nunca usaria. Com o vestuário agia da mesma forma, i.e., comprava roupa conformada a gente com metade da sua idade, metade do seu peso, metade de si, numa tentativa de se manter meio do que se sabia.

A vida amorosa era mais um terreno fértil de metades injustificáveis. Tinha meias relações que se baseavam em sentimentos pela metade, noites de prazer acervadas a meio para que a intimidade não se completasse, mulheres de quem nunca saberia o nome inteiro uma vez que menos de metade chegava para que o seu intuito de meia companhia se cumprisse. Ah! E nem na cama largava as meias. Sim, nu integral, mas sempre com as meias presentes.

Algures pelo meio desta vida vivida pela metade, com meias inferências de tudo o que poderia ter sido completo, teve uma meia epifania e resolveu partir para visitar meio mundo. Afinal de que valia estar já a meio da vida, finasse ela quando fosse, se não vivesse pelo menos metade do que havia vivido?

Reza a história que o nosso senhor das meias, a meio do ano seguinte a largar a sua meia vida, se completou ao morrer de amores por inteiro de uma dama que não se contentou nunca com metades de coisa nenhuma. E viveram felizes para sempre, no seu reino de plenitude vivida a meias!

Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Clara Ribeiro
Foto | Ana Gilbert