
“O mar em redor de mim – não tanto uma casa para habitar, mais para estar.”
Palavras | Ondjaki (Coração com ferrugem, E se amanhã o medo)

“O mar em redor de mim – não tanto uma casa para habitar, mais para estar.”
Palavras | Ondjaki (Coração com ferrugem, E se amanhã o medo)

“Como se a minha vida, a minha presença naquela casa, apenas fizesse verdadeiro sentido enquanto falasse e o silêncio pudesse ser sinónimo de uma espécie de não existência. Percebes?”
Palavras | Paulo Kellerman (Coleccionador de eventos, Mente-me e seremos mais felizes, Escrytos, 2013)


“Quando, finalmente, enxergou o que de mim perdeu, viu que de nada vale o que tem…”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Maria João Rocha
Foto| Ana Gilbert

“… a mente cheia, completamente cheia: pedaços de imagens irreconhecíveis e farrapos de sensações difusas misturando-se com fragmentos de passado e vislumbres de futuros que nunca se concretizarão (sonhos, acho que é como lhes chamam), memórias demasiado ténues (perenes, tão perenes que poderão ser imaginadas) de sorrisos e orgasmos e dores e toques e sabores e cheiros e carícias e choros e beijos e sons e mais sorrisos. Tudo indefinido e confuso, em constante movimento caleidoscópico; arrebatando-me e distraindo-me, devorando-me.”
Palavras | Paulo Kellerman (Francisco / Ângela, Chega de fado, Deriva , 2010)






Uma imagem para um excerto de ÁGUA COM AÇÚCAR, romance de Ana Miguel Socorro
Quarta publicação da editora Minimalista


(encomendas pelo e-mail: minimalista.editora@gmail.com)

Nova parceria :
A cada 15 dias, contos dos autores da Minimalista, na Til Magazine (Portugal)
Espiem só!

“Quando fiz seis anos, fui à escola. Dezassete anos depois, saí.
Sentia-me preparado. E, mais que isso, sentia-me ansioso. Passava os dias à espera que me chamassem, aguardando a minha vez.
Quando já desesperava, convocaram-me.
Nem quis acreditar. Verdadeiramente excitado, cheguei à fábrica e apresentei-me. Depois, tudo se precipitou. Mandaram-me para uma sala onde dezenas de outros aguardavam; começaram a chamar e fomos entrando nas caixas, escuras e apertadas.
Passaram meses. Então, alguém abriu a caixa, pegaram em mim e riscaram-me. Criei fogo. Sopraram-me e morri.
(O meu último pensamento: “Uma vida de preparação para isto!? Acabou tudo? Tão depressa?”).
Palavras | Paulo Kellerman (Miniaturas, Edições Colibri, 2001)



[diálogos]




E mais um caminho… ÁGUA COM AÇÚCAR, de Ana Miguel Socorro
encomendas pelo e-mail: minimalista.editora@gmail.com



A ANTOLOGIA MINIMALISTA já chegou ao Brasil.
12 contos, 12 autores, 12 estilos
encomendas pelo e-mail: minimalista.editora@gmail.com

“Tinha os próprios abismos para transpor.”
Palavras | Andreia Azevedo Moreira (As paredes em volta)
A cada leitura do livro da Andreia Azevedo Moreira, vou descobrindo camadas, retirando véus de desconforto para encontrar a crueza de realidades psíquicas traumáticas e a busca por paredes (concretas ou imaginárias) que possam conter a dor. A escrita da Andreia explicita aquilo que não pode ser pronunciado em voz alta.


“não servia mais para as inutilidades do mundo.”
Palavras: Lorena Richter (Isidoro e os barcos)


Espreguicei as pestanas… e lá estavas tu…
(instantes ficcionais: expressão de João Gilberto Noll que se refere a narrativas mínimas, instantes coagulados que privilegiam a imagem e que capturam o mundo por meio de uma linguagem poética que se aproxima da fotografia)

“O que leva alguém a passar dias a escrever, a inventar histórias, a fazer poemas, questionou-se. Para quê? Qual a utilidade de uma história bem contada? Escrever não limpa a casa, pensou. E continuou a limpar.”
Excerto de FLORBELA, romance de Sandrine Cordeiro.
Uma edição Minimalista

ANTOLOGIA MINIMALISTA
12 autores, 12 contos inéditos, 12 estilos
Disponível em pré-venda.
Pedidos: minimalista.editora@gmail.com
Ana Moderno | Andreia Azevedo Moreira |Elsa Margarida Rodrigues | Liliana Silva | Joana Lopes | Ana Gilbert | Cristina Vicente | Lia Wolf | Ana Miguel Socorro |Sandrine Cordeiro | Mónia Camacho | Paulo Kellerman



A Minimalista alçou voo… um voo bonito… o nosso terceiro livro está quase pronto… em breve, partilho com vocês.

FLORBELA | romance de Sandrine Cordeiro
Uma edição Minimalista
“Um enigmático livro verde é inesperadamente descoberto debaixo de um cadeirão; e é esta descoberta, tão banal quanto misteriosa, que encerra a possibilidade de transformar o quotidiano. Duas mulheres, mãe e filha, passam a reunir-se em tempos e espaços distintos, aproximadas e unidas pelo misterioso livro.
Florbela é uma estória de encontros e desencontros, de possibilidades e perdas, de acasos e mistérios, de subtilezas e descobertas, de palavras e silêncios. Uma estória de buscas: do eu, do outro, de um sentido. Uma estória que se vai revelando como um puzzle construído peça a peça, onde nem tudo faz pleno sentido, nem tudo tem explicação, nem tudo encaixa. Como na vida.”
Paulo Kellerman
(encomendas pelo e-mail: minimalista.editora@gmail.com)


“Sentiu-se sozinha naquela manhã. Olhou em redor e viu exatamente o mesmo que vira no dia anterior, e no outro, e no outro.”
FLORBELA, romance de Sandrine Cordeiro
Uma edição Minimalista
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Encomendas: minimalista.editora@gmail.com

Ainda não tenho o novo romance da Joana Lopes comigo, mas pelo que fui lendo aqui e ali, entre excertos, resenhas e comentários, sinto que “A chama de Adrião Blávio” é profundamente poético e transbordante de imagens. Mesmo sabendo que a imagem fotográfica não dará conta das belíssimas imagens construídas pelas palavras, atrevi-me a fotografar o excerto abaixo…
“Cigarros
Sinto vontade de fumar. Imagino que fumo um SG Filtro enquanto pinto um quadro para ti. O tecto é a grande tela onde nos recrio. Pinto-nos corpos porosos, cubro-os com musgos mornos e húmidos. Depois, das nossas cabeças, faço voar uma rajada de pombas. Pombas límpidas feitas de cristais e da luz que chega ao quarto através da janela. Pombas levantadas das nossas ideias para voar em círculos no espaço. Aves alabastrinas que de súbito afundam os bicos e as garras nos nossos peitos. Lázara, há pássaros brancos ensanguentados; criaturas magnânimas que nos libertam da doença e, ao desaparecerem pela janela, levam-nos as almas nas asas.”
A chama de Adrião Blávio | Joana M. Lopes
Alêtheia Editores